
CrÃtica / Por João Pedro Roriz
Certa vez, uma namorada insatisfeita cantou Lulu Santos para mim: "todo mundo espera alguma coisa de um sábado a noite". Era fim de semana e eu estava em casa escrevendo mais um livro, fazendo pesquisas na Internet e trocando contatos on line com leitores e amigos através do Facebook. No domingo, pela manhã, eu trocava meu status para "solteiro".
Talvez por causa desse episódio da minha vida, eu tenha gostado tanto de "A Rede Social", filme baseado no livro "The Accidental Bilionaires", de Aaron Sorkin e dirigido por David Fincher.
O filme conta a saga do jovem criador do Facebook, Mark Zuckerberg, desde seu promissor inicio de carreira como aluno de Harvard até a sua total consagração a frente do mais bem sucedido empreendimento de Internet nos últimos anos. Após erros e acertos, o genial e obcecado universitário conquista uma legião de fãs com o seu site, mas acaba cativando a inimizade de pessoas próximas que o acusam de plágio e traição. O roteiro do filme é dinâmico, constituÃdo de cenas apresentadas fora da cronologia original e com flashbacks que evitam os momentos de monotonia tÃpicos dos filmes passados em tribunais. As assertivas do diretor ficam por conta da escolha do elenco principal e do ritmo das cenas, cujos diálogos revelam as dificuldades técnicas empregadas na criação do site - nesse momento o filme lembra um pouco o sucesso "Uma mente brilhante".
Confesso: também gostei de ver o astro-pop Justin Timberlake interpretando o polêmico empresário Sean Parker numa (quase!) reconstrução de seu próprio mito - só que sem rebolados ou canções pseudo-românticas.
Em uma das cenas, Zuckerberg passa a noite trabalhando em seu ambicioso projeto, enquanto os outros jovens universitários se divertem em festas regadas a cerveja e peitões. O certo é que hoje ninguém conhece o nome dos baderneiros...
Sempre me incomodei com o comportamento de universitários que perdem tempo com chopadas, festas e trotes. A maioria desses pobres coitados deixa para procurar emprego após a conclusão do curso e acaba levando portas na cara. Depois culpam o Governo, o "desemprego" e a "falta de oportunidade no mercado de trabalho".
Apesar de descrito no filme como uma pessoa fria e worckaholic, Mark Zuckerberg é um bom exemplo para ser seguido pela atual geração de universitários, pois ama o que faz, se dedica em tempo integral, confia no próprio talento e, mesmo milionário e reconhecido em todo o mundo, continua demonstrando a mesma garra e determinação de quando era estudante.
O filme "A Rede Social"está em cartaz nos melhores cinemas. Eu fui assistir sozinho, mas feliz!
João Pedro Roriz é jornalista e escritor
www.joaopedrororiz.com.br
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