DICA DE TEATRO

Por Bruna Amorim / Assessoria de Imprensa

"A Serpente", de Nelson Rodrigues

Último texto de Nelson Rodrigues ganha nova montagem no centenário do dramaturgo. Espetáculo com Ângela Câmara, Carolina Ferman, José Karini e Saulo Rodrigues tem direção de Ivan Sugahara. De 16 a 26 de agosto de 2012. Teatro Nelson Rodrigues, na CAIXA Cultural Rio de Janeiro.

A Serpente de  Nelson Rodrigues

Carolina Ferman, José Karini, Ângela Câmara e Saulo Rodrigues. Foto: Dalton Valério

Espetáculo com Ângela Câmara, Carolina Ferman, José Karini e Saulo Rodrigues tem direção de Ivan Sugahara.

O espetáculo “A Serpente”, em montagem da companhia Os dezequilibrados. Último texto de Nelson Rodrigues, a peça foi encenada pela primeira vez no mesmo teatro, em 1980. Assim, para homenagear o seu centenário, foi concebido o evento comemorativo “Expulsão do Paraíso: A Serpente, de Nelson Rodrigues” no Teatro Nelson Rodrigues, que compreende, além da nova encenação de “A Serpente”, uma exposição com curadoria de Angela Reis e um debate com o elenco e o diretor da montagem original. Estarão presentes Marcos Flaksman, Xuxa Lopes, Sura Berditchevsky e Carlos Gregório. O evento tem direção artística de Ivan Sugahara e produção de Tárik Puggina.

A montagem tem direção de Ivan Sugahara e elenco formado por Ângela Câmara, Carolina Ferman, José Karini e Saulo Rodrigues. O texto conta a história de um triângulo amoroso formado por duas irmãs e o marido de uma delas. As irmãs são cúmplices e muito íntimas. Elas se casaram no mesmo dia, na mesma igreja e com o mesmo padre.

Em cena, dois casais vivem no mesmo apartamento, em quartos separados por uma parede. A peça tem início com a separação de um dos casais, concretizado com a partida violenta de Décio (Saulo Rodrigues) que nunca conseguira satisfazer sexualmente a mulher, Lígia (Carolina Ferman). A tristeza de Lígia é intensa e ela deseja se matar, pois mesmo após um ano de casada ainda era virgem e infeliz. Mas a semente do conflito que move a história começa quando a sua irmã Guida (Ângela Câmara) propõe emprestar-lhe o próprio marido, Paulo (José Karini), por uma noite. Este fato cria o triângulo e inicia a tensão entre as irmãs, que passam a disputar o amor do mesmo homem. Com a tensão crescente, aumenta o risco da obsessão e ciúme transformarem-se em morte. Paulo mantém as duas sob seu controle até o momento em que a situação torna-se insustentável e o triângulo rompe-se de forma trágica.

“Os dezequilibrados vêm desenvolvendo um diálogo entre teatro e cinema e a nossa encenação de ‘A Serpente’ dá continuidade a essa pesquisa. A montagem pretende trazer à tona a natureza cinematográfica do texto. A sua estrutura dramatúrgica sugere uma edição de cinema, sendo construída de forma ágil, com rápidas passagens de cena,” afirma o diretor Ivan Sugahara.

O fato de ser concebida em um único ato torna-se um fator estratégico para o efeito trágico que o autor procura. A ausência de tramas paralelas faz com que a história ganhe uma velocidade devastadora na vida dos personagens, tragados pelo jogo amoroso. Suas trajetórias dão saltos, avançando rapidamente em direção ao final, de modo que eles não têm tempo de refletir, apenas agem. Trata-se de um texto único dentre as peças de Nelson Rodrigues pela sua concisão. A construção dramatúrgica remete a conceitos desenvolvidos pelo diretor de teatro e cinema russo Serguei Eisenstein (“A montagem de atrações”) e pelo filósofo e escritor francês Jean Paul Sartre (“Por um teatro de situações”).

“’A Serpente’ é uma sequência contínua de fatos determinantes onde só há clímax, em oposição à dramaturgia tradicional, em que uma narrativa linear prepara coerentemente a ocorrência desses momentos. Ao imprimir a velocidade da edição cinematógrafica, a nossa montagem pretende ratificar essa sucessão de situações-limites, provocando um efeito imediato no espectador, uma espécie de choque estético promovido através da emoção instantânea, não-premeditada,” explica Ivan.

Sobre a exposição

A exposição, que ocupa as galerias laterais da Caixa Cultural, apresenta material relativo à primeira montagem de A serpente. Fotos, críticas, reportagens e a trilha sonora do espetáculo dirigido por Marcos Flaksman em 1980 compõem um rico mosaico, cujos fragmentos não apenas reconstituem aspectos materiais da montagem como revelam a presença de Nelson Rodrigues nos ensaios, as impressões do autor sobre o texto e sua obra em geral, além do enorme impacto causado pela estreia da peça.

Texto: Nelson Rodrigues
Direção: Ivan Sugahara | Elenco: Ângela Câmara, Carolina Ferman, José Karini e Saulo Rodrigues

INFORMAÇÕES - A Serpente
Temporada: 16 a 26 de agosto de 2012 | Horário: de quinta-feira a domingo, às 20h
Ingresso: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia-entrada)
Classificação etária: 16 anos | Duração: 60 minutos | Acesso para pessoas com deficiência | Bilheteria: de terça-feira a sexta-feira, das 13h às 20h; sábado, domingo e feriado, das 15h às 20h
LOCAL - CAXA Cultural Rio de Janeiro – Teatro Nelson Rodrigues (Capacidade: 100 lugares)
Av. República do Chile, 230, Anexo – Centro. (Metrô: Próximo à estação Carioca)
Informações: (21) 2262-8152. Programação completa da CAIXA Cultural www.caixa.gov.br/caixacultural