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A literatura de entretenimento brasileira e as novas tendências literárias

 Luis Eduardo Matta

Foto: divulgação

Por Printec Comunicação

Luis Eduardo Matta

Dez anos atrás, publiquei dois artigos defendendo a consolidação e valorização de uma literatura brasileira de entretenimento, à qual apelidei, na ocasião, de Literatura Popular Brasileira (LPB) – uma 1LuisEduardoMatta_Fotobrincadeira com o acrônimo MPB, sigla de Música Popular Brasileira. Os textos foram mal compreendidos de quase todos os lados. Os simpatizantes da proposta interpretaram o artigo como sendo a conclamação para um movimento, coisa que nunca foi. Os detratores, por sua parte, aparentemente não entenderam o tom conciliador das minhas colocações e me acusaram injustamente de desprezar a tradição literária brasileira, quando, na verdade, eu apenas propus abrir um caminho a mais dentro dela, sem rupturas de qualquer natureza.

Convém lembrar que a época em que os artigos foram publicados – novembro de 2003 e agosto de 2004 – coincidiu com um momento bastante singular na cena literária brasileira. O surgimento dos blogs, de sites culturais colaborativos e das redes sociais deu voz a uma geração de escritores jovens, que encontraram na internet um canal poderoso para divulgar seus trabalhos e expressar suas ideias. Falar de literatura de entretenimento, portanto, tinha tudo a ver com aquele momento, pois foram anos ricos de debates e de propostas sobre novos rumos para a literatura brasileira.

Até hoje, algumas pessoas – escritores, jornalistas, blogueiros, editores de sites culturais, etc. – me procuram pedindo que eu retorne ao assunto, que fale mais da LPB, que traga o debate de 2003 novamente à tona, mas creio que isso já não faz muito sentido. Antes de tudo, porque tomei grande antipatia pela categorização da literatura, como se esta fosse um conjunto de rótulos incomunicáveis entre si, o que não combina com a natureza anárquica da arte e vai contra a realidade e o meu próprio pensamento. Defendo, com afinco, o respeito pela liberdade de criação e vejo com bons olhos qualquer manifestação artística, desde a mais hermética até a mais popularesca.

Na minha percepção, a literatura de entretenimento – termo um tanto inadequado, que se usa na falta de outro melhor –, escassa no Brasil de 2003, hoje experimenta um crescimento notável. O número de autores nacionais dedicados a ela se multiplica ano após ano e suas obras vêm ganhando uma visibilidade extraordinária, inimaginável uma década atrás, constituindo um fenômeno inédito no país.