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    Alberto Salgado alcança duas indicações ao Prêmio da Música Brasileira

    Estreante no Prêmio da Música Brasileira, Alberto Salgado, já em seu 2º CD – Cabaça d’Água – alcança duas indicações ao principal prêmio de música nacional como Melhor Álbum e Melhor Cantor, na Categoria Música Regional

    Foto: Célio Maciel

     

    Reprodução: Instagram

    Sem padrinhos, porém, Salgado é aposta de grandes nomes da música nacional que acreditam no trabalho deste brasiliense que já desponta no cenário como forte nome da MPB. Chico César requisitou melodia do artista e prontamente, de um dia para o outro, enviou resposta com letra cantada, tendo como BG a gravação de Salgado. Arthur Maia é seu parceiro em várias canções, no “Cabaça d’Água” estão mais uma vez juntos na bela “Histórias do Vento”. Mas foi Chico Buarque, de quem Salgado é fã confesso, que veio a aposta mais emocionalmente, ao publicar na sua conta do Instagram, foto segurando o CD com a legenda: “Cabaça d’Água, de Alberto Salgado. Está esperando o que para adquirir o teu?”.

     

     

    “Cabaça d’Água” conduz quem o escuta através de uma experiência multisonora, a partir de fusões incomuns de ritmos, característica do trabalho e marca da identidade musical de Alberto Salgado. De levadas africanas a ritmos andinos, passando pelo calor do xaxado, bumba-meu-boi, samba e baião, o artista mostra, neste novo projeto, seu lado mais interpretativo das composições. “Diferente do 1º CD, ‘Além do Quintal’, quando me foquei na apresentação da composição das letras, neste novo álbum busquei trabalhar mais a interpretação das canções, cantando num tom mais alto e aberto”, comenta.

     

    Autodidata, Alberto Salgado dedilha em suas composições, sua influência surgida das vivências em rodas de capoeira somadas à experiência com o violão clássico e que desembocam em seu violão percussivo. Ao comentar seu processo de criação, Salgado diz que o som surge de dentro para fora “num processo abstrato, muito mais sinestésico que auditivo, mais intuitivo que racional, diferente da letra, que é externa, mais fria”, e revela “geralmente surge primeiro a música para depois vir a letra, no entanto, as palavras não saem das notas, porém, respeitam a métrica”, quanto a escolha do tema da canção “busco um mote que se encaixe na melodia”, explica.

     

    Foto: Felipe Brito

    Emocionado com as indicações para o Prêmio da Música Brasileira, mesmo já tendo na bagagem 17 troféus conquistados em festivais de música, Salgado diz acordar todas as manhãs para um sonho real, “foi uma surpresa enorme receber a notícia que estou concorrendo a dois prêmios do Festival, mais ainda ao saber que estou ao lado de nomes que admiro”. As duas indicações, de Melhor Cantor e Melhor Álbum, vêm em harmonia com os cuidados do músico na realização deste seu segundo trabalho, “de me dedicar mais à voz e de escolher canções que espelhem meus caminhos pela MPB ao lado de parceiros que sempre estiveram ao meu lado”, comenta.

    Autor de mais de 300 canções, Salgado vê as indicações como mais uma conquista para sua trajetória como artista, “são muitos os desafios e barreiras que a gente enfrenta e nada disso pode ser colocado como empecilho na busca de alcançar os objetivos de mostrar nosso trabalho e de seguir insistindo e confiando na arte que fazemos”, e diz ainda: “a gente planta sementes, mas tem que cultivar, nutrir, acreditar para que cresçam, floresçam e deem frutos”.

     

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    “Cabaça d’Água”, música a música

    1ª “Da Jangada em Pleno Mar” (música de Alberto Salgado e letra Climério Ferreira) – Canção que na letra sintetiza contundentes críticas às injustiças sociais. A música se internaliza pelo Brasil com momentos de reggae, em compasso 6×8, outros de bumba-meu-boi, em 2×4, e por vezes em fusão sob marcantes levadas no violão e na percussão e bateria.

    2ª “Histórias do Vento” (letra de Alberto Salgado e música em parceria com Arthur Maia) – A letra fala do vento, do soprar das brisas, que chega carregado de histórias e segue seu percurso levando consigo novos contos de onde e por quem passou. A música bebe nas fontes dos ritmos senegaleses.

    3ª “Ói” (letra e música Aberto Salgado) – Uma narrativa poética sobre a rotina de duas pessoas em um relacionamento amoroso, provavelmente um casal, cujas diferenças e provocações servem como estímulos para crescerem juntas. Com levadas bem brasileiras do Coco e que se fundem ao Baião, o artista dedilha em seu violão uma pegada árabe.

    4ª “Oferenda” (poesia de Wander Porto musicada por Alberto Salgado) – Para uma parceria sugerida por Salgado, Wander lançou alguns poemas. Letra e métrica de ‘Oferenda’ foram musicadas quase que imediatamente, “a primeira leitura desta poesia já foi cantada”, relembra Salgado. O violão percussivo do artista, uma de suas assinaturas, está bem evidente e não tem como passar desapercebido, mesmo aos ouvidos menos atentos.

    5ª “Cabaça d’Água” (música de Alberto Salgado e letra em parceira com Werner Schelle) – Canção que dá nome ao disco, é nesta que o engajamento político, social e ecológico do artista deságua. Em harmonia precisa, música e letra fazem um apelo ecológico na busca de colaborar com questões ambientais, com ênfase na água. A capoeira, sua primeira inspiração e fonte musical, dá o tom da canção e que mistura à batidas eletrônicas.

    6ª “Beto copa Rita” (música de Alberto Salgado e letra de Leonardo Lichote) – A partir de um Samba, com pitadas de Maracatu, composto por Salgado, o carioca Lichote construiu a letra que narra o cotidiano de duas pessoas no bairro de Copacabana com paisagens que descrevem possibilidades distintas de viver o bairro.

    7ª “Ave de Mim” (música de Alberto Salgado e letra de Chico César. Participação de Chico César) – De longa data, os músicos já ensaiavam uma parceria. Na natureza das artes, que tem seu tempo e momento certos para florescer, Salgado enviou uma melodia que foi letrada de um dia para o outro por Chico. A letra de Chico veio em resposta ‘cantada’, por ele, em cima da gravação enviada por Salgado.

    8ª “Força da Fé” (música de Alberto Salgado e letra em parceria com Lúcia Arantes. Participação de Carol Senna) – Leve e suave, esta canção, talvez a mais pop do disco, foi composta quando seus autores faziam um passeio de barco pelas águas do Pantanal mato-grossense.

    9ª “Pele Debaixo da Unha” (Letra e música de Alberto Salgado. Participação de Silvério Pessoa) – O bom-humor faz as honras, ao relatar a cômica situação de um forrozeiro que mesmo com o dedo do pé bastante machucado não consegue sossegar. Um forró animado que promete divertir e fazer dançar até os menos empolgados.

    10ª “Quem Foi?” (música e letra de Alberto Salgado e Rafael Miranda. Participação de Rafael Miranda) – Letra descreve inquietação e fala, inclusive, da esperança em cada um por mudança. Evoca a criança que há dentro de cada um, ou até mesmo se remete aos filhos, que têm em si energia e frescor para um recomeço. A música nos leva por um passeio através dos ritmos e toadas andinas.

     

     

    Cabaça d’Água CAPA (arte de Carol Senna)

    “Cabaça d’Água” foi gravado no Estúdio Feedback, em Brasília. Kiko Klaus assumiu a edição, mixagem e masterização e Valerinho Xavier, o técnico responsável de gravação. O projeto foi realização com patrocínio do FAC – Fundo de Apoio à Cultura da Secretaria de Cultura do Governo de Brasília. O lançamento ocorreu no Clube do Choro, de Brasília, em fevereiro de 2017.

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