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AFINAL, O QUE É RESPONSABILIDADE SOCIAL EMPRESARIAL?

Foto: divulgação

Por Denize Rachel Veiga

Denize Rachel Veiga
Mestre em Administração e Desenvolvimento Empresarial.
Pós-Graduada em Desenvolvimento Integrado de Recursos Humanos.
Graduada em Economia.

A temática responsabilidade social é relativamente recente no ambiente empresarial e teve seu início nos anos 60, nos Estados Unidos. Atribuímos o seu surgimento ao aparecimento de novas demandas conseqüentes da globalização que trazem consigo maior pressão por transparência nos negócios. Destacamos que o atual contexto sócio-econômico, a competitividade acirrada e a dificuldade de fidelização dos clientes são alguns dos fatores que contribuíram para que as empresas se interessassem pelos programas de responsabilidade social. Esses aspectos favoreceram o surgimento de uma postura mais responsável por parte das empresas em suas ações. No Brasil, a responsabilidade social empresarial ganhou forte impulso a partir dos anos 90, resultado da ação de entidades não governamentais, institutos de pesquisa e de organizações sensibilizadas com a questão social.

Responsabilidade social empresarial (RSE), desenvolvimento sustentável e ética são temas que cada vez mais se deslocam para o núcleo das estratégias de diversas empresas nacionais. A RSE cuida diretamente dos negócios da empresa e de como eles são conduzidos, tornando-se uma relevante ferramenta para a sustentabilidade das organizações. Observamos que no Brasil há várias empresas que já adotaram a RSE. Entretanto, questionamos até que ponto a responsabilidade social adotada em algumas organizações é espontânea, ou se seria mais uma estratégia de marketing ou um mecanismo para reduzir a carga tributária.

Este tema tem sido de grande importância nos principais centros da economia mundial. Na Europa e nos EUA cresce em número os fundos de investimento formados por ações de organizações socialmente responsáveis. O índice de sustentabilidade da Dow Jones, criado em 1999 nos EUA, salienta a necessidade de integração dos fatores econômicos, ambientais e sociais nas estratégias de negócios das empresas. Em 2005, a Bovespa, em parceria com a FGV-SP, criou no Brasil o índice de sustentabilidade empresarial (ISE), porém poucas companhias fazem parte desta seleta carteira. Para ser membro deste selecionado grupo é necessário apresentar documentação comprobatória do seu comprometimento com o desenvolvimento sustentável. Portanto, declarar que adota políticas socialmente responsáveis não é suficiente para participar.

Após extensa revisão de literatura, verificamos múltiplas definições para o termo responsabilidade social. Contudo, adotamos o conceito proposto pelo Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, tendo em vista a sua atuação e credibilidade no mercado. Na atualidade, o Instituto possui mais de mil organizações associadas. Segundo o Instituto Ethos (2008), responsabilidade social empresarial é:

“forma de gestão que se define pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais compatíveis com o desenvolvimento sustentável da sociedade, preservando recursos ambientais e culturais para as gerações futuras, respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais.”

Ashley (2006) considera que o conceito de responsabilidade social ainda não está consolidado; encontrando-se, portanto, em fase de construção.

Vemos a RSE como uma nova maneira de gerir os negócios da empresa, tornando-a parceira e co-responsável pelo desenvolvimento social, reunindo preocupações com um público maior (acionistas, funcionários, prestadores de serviço, fornecedores, consumidores, comunidade, governo e meio-ambiente) - os chamados stakeholderes. Em síntese, está focada na cadeia de negócios da empresa e contempla as ações que são praticadas pelas empresas com a finalidade de fomentar o desenvolvimento da comunidade e garantir o seu sustento, além de atender às necessidades sociais. A RSE trata diretamente dos negócios da empresa e de como ela os conduz.

Temos como pressuposto que a RSE é um diferencial competitivo para as empresas, desde que aplicada corretamente, ou seja, de maneira autêntica. É também um diferencial importante para a imagem que a empresa deseja ter perante o mercado. Os benefícios para a sociedade e para a empresa decorrentes da RSE só serão alcançados ao longo do tempo se o programa for implementado com autenticidade. A organização, antes de implementar um programa de responsabilidade social, deve reavaliar seus pressupostos, a fim de incorporá-la a sua cultura organizacional adequadamente. Entretanto, observamos que algumas organizações aplicam a RSE como política de marketing para atrair o cliente. Adotar programas sociais apenas como uma estratégia de marketing social para divulgar a empresa não trará resultados sustentáveis por muito tempo. Ter sustentabilidade é assegurar o êxito do negócio a longo prazo e simultaneamente cooperar para o desenvolvimento econômico e social da comunidade.

Segundo Young (2008), na atualidade, os conceitos que norteiam uma gestão socialmente responsável são: “a relação ética e transparente com todos os públicos que se relacionam com a empresa para o desenvolvimento do seu negócio e da sociedade, preservando-se os recursos ambientais e humanos para as gerações futuras”

Ética e responsabilidade social empresarial estão associadas, ou seja, não existe RSE sem ética. A ética é a base de qualquer programa de responsabilidade social empresarial e se expressa nos princípios e valores adotados pela empresa. Neste sentido, é fundamental que haja coerência entre discurso e prática. Portanto, alguns aspectos devem ser considerados: a remuneração dos empregados, o relacionamento com a área de compras dos clientes, com os fornecedores e com os fiscais do governo etc. É inadmissível uma empresa que almeja adotar responsabilidade social empresarial remunerar mal seus colaboradores, pagar propinas aos fiscais e corromper processos licitatórios.

A gestão de responsabilidade social tem abrangência interna e externa. A interna tem o propósito de obter maior retorno de produtividade para os acionistas; tem ênfase nas áreas da educação, remuneração, assistência médica, odontológica e social. A externa, por sua vez, tem ênfase na comunidade, por meio de ações sociais direcionadas, principalmente para as áreas de educação, cultura, saúde, assistência social e ecologia e tem como objetivo obter um maior retorno social, de sua imagem publicitária para os acionistas.

As organizações que adotam programas de responsabilidade social autênticos obtêm benefícios que podem ser classificados em tangíveis e intangíveis. Empresas que optaram pelo caminho da sustentabilidade obtêm os seguintes benefícios tangíveis: redução de custos, melhora da produtividade, crescimento de receitas, acesso a mercados e capitais, melhora no processo ambiental e na gestão de recursos humanos. Valorização da imagem institucional, maior lealdade do consumidor, maior capacidade de atrair e manter talentos, capacidade de adaptação, longevidade e diminuição de conflitos são os benefícios considerados intangíveis. (YOUNG, 2008).

Concluímos que responsabilidade social empresarial é uma forma de gestão que abarca aspectos econômicos, ambientais e sociais pautada na ética e transparência com todos os atores envolvidos em suas atividades, ou seja, se aplica a toda a cadeia produtiva. Destacamos que qualquer empresa, independente do seu porte, é capaz de desenvolver ações de responsabilidade social. Consideramos que a incorporação de objetivos sociais e ambientais aos objetivos organizacionais (econômicos) são essenciais para o desenvolvimento de uma sociedade sustentável. Na atualidade, uma organização para ter uma boa imagem no mercado deve atuar na dimensão econômica, social e ambiental.

As empresas que incorporarem princípios e adotarem políticas e práticas de responsabilidade social corretamente obterão resultados positivos e sustentáveis. Entretanto, desenvolver programas sociais com o único intuito de divulgar a empresa e ou reduzir a carga tributária não lhe trará resultados positivos sustentáveis ao longo do tempo.

BIBLIOGRAFIA

ASHLEY, Patrícia Almeida. Ética e responsabilidade social nos negócios. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2006.

Critérios Essenciais de Responsabilidade Social Empresarial e seus Mecanismos de Indução no Brasil. Disponível em: http://www.uniethos.org.br/_Uniethos/Documents/criterios_essenciais_web.pdf. Acesso em 1 mai. 2008.

YOUNG, Ricardo. Gestão da responsabilidade social e do desenvolvimento sustentável. Disponível em: www.uniethos.org.br. Acesso em 1 mai. 2008.