COLUNA DO LEITOR - VOLTA ÀS AULAS

Dicas para transformar a compra de material escolar em aula de educação financeira

VOLTA ÀS AULAS

Foto: divulgação

Dicas culturais - São Paulo

Por Printec Comunicação / Marília Cardoso e Luciano Gissi Fonseca

Na visão dos jornalistas Marília Cardoso e Luciano Gissi Fonseca, autores do livro “Você sabe lidar com o seu dinheiro? Da infância à velhice”, as crianças devem participar da compra de material escolar. De acordo com os escritores, essa é uma excelente oportunidade de incutir conceitos de educação financeira, relação custo-benefício, qualidade de produtos, decisão de compra e consumo responsável. A obra integra o portfólio da Primavera Editorial.

São Paulo, 10 de janeiro de 2012 – As crianças devem participar da compra do material escolar? Longe de ser uma unanimidade, a questão divide pais, avós, psicólogos e professores. A maioria dos pais, diante da lista de material escolar, prefere deixar os filhos em casa, seguindo a indicação de especialistas; uma medida para evitar gastar mais e para não ceder aos apelos das crianças. Ao contrário, os jornalistas Marília Cardoso e Luciano Gissi Fonseca – autores do livro Você sabe lidar com o seu dinheiro? Da infância à velhice, da Primavera Editorial – defendem que a compra de material escolar é uma excelente oportunidade de falar sobre dinheiro com os pequenos, incentivá-los a poupar na compra de uma mochila, por exemplo, para comprar um outro item desejado. A ocasião é propícia para ensinar as crianças a tomar decisões de compra e a serem consumidores responsáveis.

“Mal saem das fraldas, as crianças já se portam como grandes consumidores. Embora o contato com o dinheiro seja praticamente inexistente, está comprovado que os pequenos interferem no orçamento familiar e influenciam os hábitos de consumo de famílias de todas as classes sociais. Diante dessa influência infantil nos gastos da família, muitos especialistas recomendam aos pais que deixem as crianças em casa na hora de comprar o material escolar. Mas, discordo dessa orientação!”, afirma a autora Marília Cardoso. Segundo ela, os filhos carregam dos pais muito mais do que a herança genética. A forma como cada um lida com o dinheiro tem íntima relação com conceitos e ensinamentos assimilados na infância. “Os pais têm a missão de mostrar que o dinheiro não cai do céu nem brota em árvores; lição que resolve dois problemas de uma única vez. Primeiro porque justifica as saídas diárias para o trabalho; segundo, forma cidadãos conscientes do seu consumo”, afirma a jornalista.

Na visão de Marília, a conversa franca requer um bom preparo dos pais, que devem tomar cuidado com frases como “estou saindo para ganhar dinheiro”. Uma criança pequena pode acreditar que se “ganha” dinheiro, ou seja, não associa a moeda à conquista por meio do trabalho e não assimila a noção de valor implícita no trabalho. “É importante que desde muito cedo as crianças aprendam o sentido correto das palavras dinheiro e prioridade”, defende a jornalista.

Luciano Gissi Fonseca, coautor do livro Você sabe lidar com o seu dinheiro? Da infância à velhice, destaca que o início do ano concentra dívidas adquiridas nas festas de fim de ano e despesas fixas como IPTU e IPVA, além do material escolar. “Fica visível para a criança que os pais estão preocupados, mas ela não consegue identificar os reais motivos que os levam a fazer tantas contas; tampouco entendem o motivo de não poder participar da compra do material escolar. O ideal é que a criança participe das compras e que os pais aproveitem a ocasião para ensinar limites e para falar sobre valores que serão importantes durante toda a vida. Ao incluir a criança no processo de compra, os pais colaboram na formação de cidadãos que praticam o consumo consciente”, afirma Fonseca.

Entre as dicas de educação financeira para crianças, destacadas no livro “Você sabe lidar com o seu dinheiro? Da infância à velhice”, os jornalistas citam:

Antes de sair para comprar o material escolar, combine com os filhos o valor que irão gastar e incentive-os a economizar em determinado item – uma mochila, por exemplo – para gastar em um estojo mais bacana.

- Se for possível economizar dentro do valor estipulado, incentive a criança a “usar” esse dinheiro disponível para uma pequena poupança – um cofrinho – cujo dinheiro poupado pode ser utilizado na próxima compra de material escolar.

- Coloque seu filho em contato com o dinheiro; reforce que as moedas e cédulas precisam ser bem conservadas porque, quando danificadas, o governo gasta o nosso dinheiro para repô-las.

- Mostre que algumas moedas e cédulas valem mais que outras, mas que todas têm valor.

- Na compra do material escolar, procure distinguir coisas caras das baratas; os pequenos precisam entender esse conceito.

- Mostre a diferença entre querer e precisar, destacando que as necessidades básicas estão contidas no item precisar; o querer pode esperar.

- Ensine a fazer escolhas – quando a criança quiser dois itens, faça-a escolher apenas um para que aprenda a eleger as suas prioridades.

- Detalhe com a criança a lista do material escolar; lembre que nada que está fora da relação deve ser comprado.

- Peça a colaboração dos tios e avós na educação financeira, pois eles podem colocar tudo a perder se derem presentes e dinheiro o tempo todo.

Segundo os autores, a principal dica é lembrar que a educação financeira está centrada no diálogo e no exemplo. Ou seja, não adianta um discurso perfeito sobre consumo consciente se a criança se depara com os pais gastando mais do que podem.

Marília Cardoso

Marília CardosoJornalista pós-graduada em comunicação empresarial pela Universidade Metodista de São Paulo, Marília Cardoso iniciou sua carreira em 2004,auxiliando no atendimento de assessoria de imprensa de clientes como Pinnacle Systems, Kasinski Motos, Cartuchos Maxprint, Tablett Distribuidora de Informática e Hospital Professor Edmundo Vasconcelos. Na redação, atuou como produtora e repórter de programas de rádio e televisão nas emissoras Rede Mulher, Rede Gazeta e Rádio Trianon nos segmentos de saúde, beleza e comportamento. Em comunicação empresarial, desenvolveu estratégias de marketing, comunicação interna e conteúdo editorial para empresas como Petroquímica Braskem, Laboratório de Análises Clínicas Criesp, Arroz Brejeiro e Tigre. Recentemente fundou a InformaMídia Comunicação, agência especializada em comunicação corporativa e relações com a imprensa, que atende clientes como Baggio Coffees e o professor Marcos Morita. É colaboradora da Revista Comunicação Empresarial, publicação editada pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), e participa de Congressos de Comunicação com a publicação de artigos científicos da área.

Luciano Gissi Fonseca

Luciano Gissi FonsecaJornalista e radialista, Luciano Gissi Fonseca iniciou sua carreira em 1994, na agência Asa de Comunicação, em Belo Horizonte (MG), onde atuou na área de marketing. Na sequência, integrou a equipe da TV Aratu de Salvador. Como jornalista das editorias de comportamento e esportes, publicou matérias em vários veículos como portal Zip.net e o jornal japonês International Press. Como assessor de comunicação, desenvolveu projetos para a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), escritório de advocacia Oliveira Neves & Associados e Informa Group Latin America. Atualmente é diretor de criação e de imprensa da Take 4 – Comunicação Estratégica e gerencia ações de mídias sociais e jornalismo corporativo para diversas empresas do Brasil e do exterior.

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Por João Pedro Roriz - 25 de agosto de 2011

Um olhar sobre o “amor platônico”, que de Platão não tem mais nada!

Toda música, livro ou seriado de TV ficcional visa apresentar as mil facetas do comportamento humano. Mentes criminosas, atitudes corajosas diante das dificuldades, ações altruístas, obsessões, sentimentos bons e ruins e histórias sobre relacionamentos servem de matéria prima para os artistas e muitas vezes se transformam em arte – uma espécie de vitrine, de onde podemos vislumbrar os rumos da sociedade em que vivemos.

Muitos desses produtos culturais contextualizam a vida a dois, essa complexa relação íntima e amorosa que transforma seus protagonistas em indivíduos cegos ou incrivelmente vulneráveis. A pergunta “devo confessar que eu amo?” já foi feita pela maioria das pessoas e muitas ainda vagueiam pelas estradas obscuras da indecisão. Os escritores sabem disso… e o “amor platônico” costuma ditar a tônica de inúmeras obras literárias, como “Quadrilha”, um famoso poema de Carlos Drummond de Andrade:

“João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém (…)”.

Mas qual seria a verdadeira definição de “Amor Platônico”? Para responder a essa pergunta, é necessário recorrer ao conceito de “Amor” que o filósofo grego Platão (428?/348?), discípulo mais famoso de Sócrates, tornou célebre. Segundo o filósofo, “amor” é o sentimento puro baseado nas virtudes e não nas paixões – sendo estas repletas de imperfeições como interesses, falsidades, egoísmos, vaidades e superficialidades.

Platão, em sua visão vanguardista, também filosofou sobre a existência de dois mundos – o “ideal”, oriundo das ideias, perfeito e ilimitado e o real, oriundo das experiências, imperfeito e limitado. Muitos filósofos consideram o conceito original de “amor” descrito por Platão como um sentimento que não existe e que portanto vaga apenas no mundo das ideias e não no mundo real baseado em relações humanas primitivas e emocionais.

Com o passar do tempo, o termo “amor platônico” se popularizou e se deturpou. Vulgarmente, é chamado de “amor platônico” aquele amor que não se concretiza e que fica apenas no campo das idéias. Na visão popular, o “amor platônico” pode acontecer por conta da timidez, dificuldades ou baixa autoestima da pessoa que não revela os seus sentimentos e que, portanto, não concretiza a sua relação.

O psicanalista Heidi Tabacof acredita que essa visão deturpada de “amor platônico” revela imaturidade emocional, uma vez que limita-se à uma idealização do próximo. Esta idealização impossibilita a concretização de uma relação amorosa com uma pessoa real que possui dificuldades e limitações. Essa idealização tem origem psíquica no amor infantil pelos pais – personagens supervalorizados que, neste caso, servem de modelo para a escolha de parceiros sexuais.

O conceito de “amor platônico” perdeu o seu sentido original e hoje limita-se a uma máxima popular que adapta o termo de acordo com a compreensão coletiva sobre o significado da palavra “amor”, sentimento ainda tão complexo e incompreendido. Fica a expectativa de que o amor “virtuoso e livre das paixões” vislumbrado por Platão não seja algo inefável demais para homens e mulheres ainda tão materialistas e exigentes de recompensas por suas contribuições afetivas.

João Pedro Roriz é jornalista, escritor e ator. www.joaopedrororiz.com.br

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