TEATRO - SÃO PAULO

As Eruditas - Texto de Molière

As Eruditas - Texto de Molière

As Eruditas - Janaína Prado e Marco Pigossi - foto de Cláudia Ribeiro

Roteiro cultural São Paulo

Por Adriana Balsanelli / Arteplural

Cariocas da Cia Limite 151 fazem 20 anos com clássico de Molière e já preparam novo de Emile Zola

5 de agosto a 25 de setembro de 2011 - Teatro Brigadeiro

As Eruditas (tradução de Millôr Fernandes) reestreia dia 5 de agosto de 2011 no Teatro Brigadeiro. A montagem traz como novidade a entrada no elenco de Marco Pigossi, Élcio Romar e Teresa Amayo. A trupe de Edmundo Lippi, Gláucia Rodrigues e Wagner Campos já ensaia Thérèse Raquin, clássico do naturalismo, de Emile Zola, com tradução de Clara Carvalho e direção de João Fonseca, previsto para estrear em setembro no Teatro Laura Alvin, no Rio de Janeiro

Depois de 20 anos de estrada e 16 espetáculos na bagagem, os atores e produtores Edmundo Lippi, Gláucia Rodrigues e Wagner Campos, do grupo carioca Cia Limite 151, continuam com "obstinada e quase cega fome" de montar obras clássicas pelos palcos do Brasil. É assim que, antes de estrear nova peça ainda no segundo semestre deste ano, voltam a São Paulo, graças ao Programa BR de Cultura 2011/2012, da Petrobrás, para dar a partida na turnê da peça AS ERUDITAS. O clássico do dramaturgo francês Molière (1622-1673) reestreia no Teatro Brigadeiro dia 5 de agosto, sexta, às 21 horas. O projeto foi selecionado pelo Programa BR de Cultura 2011/2012, que escolhe peças de todo o Brasil para viajar pelo País inteiro.

Depois de São Paulo, onde fica até setembro, a trupe segue em turnê com a montagem para Curitiba, Florianópolis, Joinville, Itajaí, Vitória e Lages. Há quatro anos no repertório do grupo, cuja marca registrada é Molière, As Eruditas é o sexto texto do dramaturgo encenado pela Limite 151. "Viajar com uma equipe grande é complicado. São 10 pessoas só no elenco. Só é viável com patrocínio", afirma Gláucia Rodrigues, lembrando-se da época em que começou a fazer teatro, quando existia o projeto Mambembão.

A peça, cujo texto foi montado pela primeira vez em 1672, traz no elenco Theresa Amayo, Marco Pigossi, Gláucia Rodrigues, Jacqueline Brandão, Gustavo Ottoni, Janaína Prado, Tony Giusti, Marcelo Sant´Anna, Renata Sabino e Élcio Romar como ator convidado. Com tradução de Millôr Fernandes e direção de José Henrique, As Eruditas estreou em 2007 no Teatro Villa-Lobos, no Rio de Janeiro e, desde então, circulou por várias cidades do País.

Nessa comemoração de 20 anos, o grupo escolheu a peça por se tratar de um Molière, que representa bem a trajetória do grupo, conhecido por privilegiar os clássicos da dramaturgia. A companhia já ensaia Thérèse Raquin, clássico do naturalismo, de Emile Zola, com tradução de Clara Carvalho e direção de João Fonseca, previsto para estrear em setembro no Teatro Laura Alvin, no Rio de Janeiro.

O diretor José Henrique conta que a montagem é a mesma já apresentada em São Paulo com Jaqueline Lawrence. Acrescenta, no entanto, a entrada de três atores absolutamente novos em papeis importantes: Élcio Romar, Teresa Amayo e Marco Pigossi. "Isso dá um tempero diferente, já que cada um acrescenta algo de sua personalidade à obra", comenta o diretor. "Não há truques nem tecnologia na encenação. Apenas o respeito ao maior gênio da história da comédia", completa.

Para Marco Pigossi, que trabalhou recentemente com a Cia Limite 151 na montagem de O Santo e a Porca, de Ariano Suassuna (São Paulo em 2010), a parceria tem sido prazerosa. "Cada momento foi e está sendo uma lição aprendida. Tenho muito orgulho da companhia que há 2 décadas vem montando peças e mostrando ao público um teatro popular, acessível, inteligente, de primeiríssima qualidade. Isso é muito difícil no Brasil. Estou realmente muito feliz em fazer parte desse momento", comemora.

Para a temporada em São Paulo o ator vai dividir o tempo entre o palco e a TV. Pigossi está no elenco da novela Fina Estampa, a nova trama da Globo, escrita por Aguinaldo Silva. No teatro, será Cristóvão, um jovem de família simples, trabalhador e honesto. "É um personagem que não tem a comicidade como característica principal, mas, por se tratar de um Molière tem algumas tiradas engraçadas." Já na telinha, viverá Rafael, gerente de uma oficina de motos, apaixonado por Amalia (Sophie Charlote). "Ele não é um cara bonzinho, vive aprontando confusões na oficina, armando confusões com o Antenor (Caio Castro). Seu único objetivo é ficar com a Amália e ele não vai deixar que nada atrapalhe isso, nem que ele tenha que jogar sujo."

Texto: Molière. Tradução: Millôr Fernandes. Direção: José Henrique.
Elenco:
Theresa Amayo, Élcio Romar, Gláucia Rodrigues, Jacqueline Brandão, Marco Pigossi, Gustavo Ottoni, Janaína Prado, Tony Giusti, Marcelo Sant´Anna e Renata Sabino.

Local: Teatro Brigadeiro (700 lugares)
Endereço: Avenida Brigadeiro Luiz Antonio, 884, Bela Vista, Tel. (11) 3107-5774
Horário(s): sexta e sábado, às 21h e domingo às 19h
Preço(s): R$ 20,00 (inteira)
Data(s): de 5 de agosto a 25 de setembro de 2011
Classificação: 10 anos
Duração: 80 minutos

Molière e a Cia Limite 151

Fundada em 2001, por Edmundo Lippi, Gláucia Rodrigues, Cristiane D'Amato, Marcelo de Barreto e Wagner Campos, o grupo estreou com a peça Os Sete Gatinhos, de Nelson Rodrigues, com direção de Marcelo de Barreto, e o infantil Dom Quixote, adaptação de Wagner Campos para a obra de Cervantes, com direção de Cláudio Torres Gonzaga.

Depois vieram A Comédia dos Erros e O Mercador de Veneza, de William Shakespeare; À Margem da Vida, de Tennesse Williams; O Olho Azul da Falecida, de Joe Orton; Frankenstein, de Mary Shelley; A Moratória, de Jorge Andrade; O Santo e A Porca, de Ariano Suassuna; Vicente Celestino, A Voz Orgulho do Brasil, de Wagner Campos, além de As Malandragens de Scapino, O Avarento, O Doente Imaginário, As Preciosas Ridículas, Tartufo: O Impostor e As Eruditas – todas de Molière.

Gláucia Rodrigues comemora o sucesso e a continuidade do grupo ao longo destes 20 anos. "Considero fundamental a nossa afinidade artística. Pensamos e queremos a mesma coisa, cada um na sua função. Em especial o Edmundo Lippi, com sua obstinada vontade de colocar obras clássicas no palco, e o Wagner Rodrigues, apresentando os textos, em sua maioria desconhecidos do público em geral. A atriz e produtora também destaca a importância de estabelecer parcerias com empresas estatais e privadas. "A conquista de editais públicos, como o FATE, os editais da BR/Petrobrás e nossa longa parceria com a AON, são fundamentais para a manutenção do grupo."

Sobre Molière

Autor de obras-primas da comédia, como Tartufo, Jean-Baptiste Poquelin, conhecido como Molière, foi batizado em Paris em 15 de janeiro de 1622. Filho de um rico fornecedor de tapetes da casa real, recebeu educação privilegiada no colégio de Clermont. Recusou-se, porém, a seguir a carreira do pai e decidiu abraçar o teatro, quando em 1643 fundou em Paris, junto com outros nove atores, a companhia L'Illustre-Théâtre, que faliu 16 meses depois. O duque de Épernon patrocinava a trupe. O cenário era Lyon, 1653. Nessa época, Molière começou a escrever comédias, incluindo O Marido Ciumento. Em 1658 Molière e os Béjarts voltaram a Paris. Agora sob o patrocínio de Monsieur, irmão do rei, a trupe passou a compartilhar um teatro com uma companhia italiana de commedia dell'arte. Em 1659, As Preciosas Ridículas lançou Molière como diretor. Em 1663 casou-se com Armande Béjart. Nessa época, Molière tornou-se um dos autores favoritos do rei Luis XIV. Em O Doente Imaginário, Molière fazia o papel-título quando, ironicamente, teve um ataque em pleno palco, durante a quarta apresentação. Levado para casa, morreu pouco depois. Sua esposa teve que implorar ao rei que intercedesse junto ao arcebispo de Paris para que pudesse enterrar o artista, um direito a que os atores tinham de abdicar ao escolher a profissão.