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TEATRO - SÃO PAULO

As Troianas - Vozes da Guerra

Por Fernanda Teixeira / Arteplural

Volta em cartaz no Teatro do Núcleo Experimental
De 24 de maio a 11 de junho de 2012, entrada franca

Foto: Sergio Massa

A peça integra a Trilogia da Guerra, composta também por Casa Cabul e Bichado. Com direção de Zé Henrique de Paula, o espetáculo tem poucas falas e faz paralelo entre Guerra de Troia e Segunda Guerra Mundial. Em questão, a privação de direitos, medo, dor e esperança. O texto é transmitido por ações e pela trilha sonora, composta por músicas folclóricas iídiche e gregas, entre outras

De espírito inquieto, o criador Zé Henrique de Paula costuma ir fundo em suas pesquisas. Para traçar o paralelo entre a Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945) e a Guerra de Troia (1.250 a.C), precisava ter a “vivência” ou, como se diz no teatro, fazer seu laboratório perto de onde aconteceram os horrores da guerra na época do Nazismo. Há pouco mais de dois anos, visitou Auschwitz e Birkenau, na Polônia, dois dos principais e mais mortíferos campos de concentração e extermínio do Terceiro Reich e conheceu as ruínas da cidade de Tróia (perto de Istambul). Assim montou AS TROIANAS, que volta em cartaz no Teatro do Núcleo Experimental, na rua Barra Funda, dia 24 de maio, às 21 horas. Grátis.

A encenação – onde as sobreviventes troianas simbolizam judias arrasadas pelo horror do holocausto - tem o frescor de agora ser falada em português (na estreia o pouco texto era dito em alemão), ter a atriz Patrícia Pichamone no elenco e ter entrada franca. “A viagem foi fundamental ao grupo, uma vez que a peça é quase documental no retrato que faz da chegada de um lote de prisioneiras ao campo”, lembra Zé Henrique. A peça volta depois de estrear no Sesc Paulista e cumprir temporadas no Instituto Cultural Capobianco, na Funarte e no Teatro Sergio Cardoso.

Livre adaptação do texto de Eurípides, As Troianas – Vozes da Guerra resgata a história das sobreviventes do conflito de Troia para levantar alguns questionamentos inerentes a qualquer guerra: o que se passa dentro de um campo de concentração? Como é ter a privação quase que completa de seus direitos? Como são tratadas essas pessoas? Existe esperança numa situação como essa?

Ao término da Guerra – travada entre Troia e Esparta devido ao amor de seus governantes pela mesma mulher –, Troia, a cidade perdedora, foi aniquilada e todos os homens, mortos. As mulheres sobreviventes foram aprisionadas e escravizadas pelo inimigo. A partir do relato dessas personagens, Eurípides conseguiu mostrar uma visão feminina sobre a guerra: Hécuba, rainha de Troia, é a protetora de todas, a mais velha. A profetisa Cassandra, sua filha, tem delírios sobre os rumos da batalha. Andrômaca esconde seu filho, Astíanax, para que ele não seja morto pelos soldados. Helena, causadora do conflito, disfarça-se de troiana para não ser descoberta por Menelau, seu marido, rei de Esparta. Apesar de terem histórias diferentes, elas estão juntas pelo mesmo motivo: a sobrevivência.

“Enquanto aprofundávamos a pesquisa, descobrimos diversos paralelos entre gregos e alemães, troianos e judeus”, explica Zé Henrique, o diretor da montagem. Essas aproximações acabaram definindo a ambientação da peça e a proposta como um todo, ou seja, fazer com que o texto se passe em um campo de concentração da Segunda Guerra Mundial. “É um modo de universalizar a história, que não se restringe a gregos ou alemães”, afirma o diretor.

Mesmo escrita há mais de 2500 anos, o enredo mantém sua atualidade, já que os sofrimentos da guerra sempre foram os mesmos. Revisitar a obra de Eurípides é dar uma vez mais a palavra às vítimas de guerra e propor um novo olhar aos campos de refugiados. Para Zé Henrique, “o local é Troia, mas poderia ser a Alemanha nazista, a Europa dos guetos e dos campos de concentração, das casas deixadas às pressas, das famílias desfeitas pela fúria do preconceito e da intolerância”.

Texto: livremente adaptado de As Troianas, Eurípides. Direção: Zé Henrique de Paula. Elenco: Inês Aranha, Norma Gabriel, Patricia Pichamone, Cy Teixeira, João Pedro de Almeida Teixeira, Alexandre Meirelles, Fábio Redkowicz, Léo Bertero, André Dallan, Bibi Piragibe, Claudia Miranda, Gabriela Germano, Luciana Ramanzini, Marcella Piccin, Patrícia Vieira.

INFORMAÇÕES - AS TROIANAS – Vozes da Guerra
Datas: 24 de maio a 11 de junho de 2012
Horários: sextas, sábados e segundas, às 21h e domingos, às 19h
Preços: Grátis | Duração: 75 minutos
Classificação etária: 16 anos

LOCAL - No Teatro do Núcleo Experimental (Capacidade: 50 lugares)
na Rua Barra Funda, 637.

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