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Teatro - São Paulo

TEATRO - SÃO PAULO

Astros, Patas e Bananas

Astros, Patas e Bananas

Foto: divulgação

Teatro Commune - Rua da Consolação

Por Luciana e Lica

Astros, Patas e Bananas. Peça premiada fala com humor sobre condição humana em qualquer lugar

7 a 22 de maio de 2011 - Sábados

Em Astros, Patas e Bananas, Katharsis apresenta os resultados do teatro experimental do diretor e designer de luz Roberto Gill Camargo

Aos 20 anos, o grupo Katharsis, de Sorocaba, apresenta Astros, Patas e Bananas, peça premiada no Estado de São Paulo, em curta temporada no teatro Commune, na Consolação, entre 7 e 22 de maio, sábados, 21h, e domingos, 19h.

A concepção é simples: o teatro visto como um jogo, onde o centro é o ator. O figurino, a música e a luz gravitam em torno dele. O ponto alto é o trabalho de corpo. O grupo deu especial atenção às investigações sobre as possibilidades de expressão.

A fórmula agrada. Ganhou o prêmio CPT 2009 (Cooperativa Paulista de Teatro) como “trabalho apresentado no interior ou litoral paulista”; teve destaque no 4º Fentepira – Festival de Teatro de Piracicaba, nas categorias atriz (Andréia Nhur), ator (Douglas Emílio) e iluminação (Roberto Gill Camargo); e foi dos mais aplaudidos no 24º Festivale (Festival Nacional de Teatro do Vale do Paraíba).

Responsável pela pesquisa e preparação corporal, a atriz-bailarina Andréia Nhur explora os “vocabulários gestuais” de dez culturas, unindo elementos de dança pura com a expressão corporal tradicional.

 O corpo grita mais alto em uma babel cheia de humor. Personagens de dez culturas falam de forma bem-humorada sobre a condição humana, em qualquer lugar, nas línguas correspondentes (alemão, árabe, espanhol, francês, hebraico, italiano, japonês, russo e português – com sotaques do Brasil e de Portugal).

“O humor está nas situações e em personagens retiradas do nosso imaginário e do teatro, que provém da tradição clássica, da commedia dell’arte, dos clowns, dos intermezzi (representações nos intervalos das peças sérias) e até dos quadros isolados da revista e do vaudeville”, fala o diretor Roberto Gill Camargo.

Resultado do teatro experimental dele, o elenco tecnicamente bem preparado dialoga com precisão com a iluminação, embalado por trilha sonora ao vivo, com acordeom e percussão.

Os sete atores fazem 27 personagens. A técnica corporal de Andréia Nhur lhe permite viver a espanhola Velha, numa riqueza de expressões e posturas, e Carmem Miranda de forma original. Em outro quadro, agora como Muçulmana, ela se atira nos braços de um Israelense (Gui Martelli), em meio a alusões a bombas, numa crítica pacifista ao conflito. Paola Bertolini é a Soldada Alemã e a Nadadora Italiana. Douglas Emílio é tanto o Bambino da Mamma quanto o Homem da Gaita. Fabiana Souza vive a Japonesa e a Afro-brasileira.

Às vezes, a religiosidade é latente, a muçulmana, a afro-brasileira. Ou o tipo, o mafioso italiano (Robson Roso), o homem espanhol (Luiz Esparrachiari). O gesto, o figurino, o idioma ou a música logo sugerem a nacionalidade.

Contemplado com o apoio da Linc – Lei de Incentivo à Cultura de Sorocaba – no segundo semestre de 2008, o Katharsis emendou três temas/metáforas em Astros, Patas e Bananas, como o fez nos dois trabalhos anteriores que completam a trilogia: Aves, Ovos e Parafusos (2005-2007) sobre o homem e a tecnologia e Água, Luz e Clorofila (2008).

Astros, Patas e Bananas pincela as relações entre o ser humano, o céu, a terra, a eternidade. A estrutura dramatúrgica desenvolvida a partir de processo colaborativo costura fragmentos de textos de Camões, Carmem Miranda, Charles de Gaulle, Giuseppe Verdi (La Traviata), Neruda, Shakespeare e Violeta Parra (Gracias a La Vida).

Presente desde o primeiro instante em que o ator subiu no palco, a iluminação, o figurino e o cenário nasceram juntamente com o texto e a cena.

Aqui tem espaço a luz difusa, brilhante, incolor, projetada de vários ângulos. “É uma luz simples, com operação complexa, que acompanha as vibrações da cena, as transições dos estados do corpo. Desenvolvemos uma experiência de luz e cena como processos coevolutivos”, explica Gill, autor de uma das poucas publicações sobre iluminação teatral no país.

Da mesma forma, os adereços, a música (de autoria de Janice Vieira) e os efeitos sonoros participaram ativamente da criação. “Nada ficou para depois. Este é o desafio do teatro: aproximar, trazer à atualidade, tornar vivo, como se tudo surgisse pela primeira vez”, fala o ator Gui Martelli.

7 a 22 de maio, sábados, 21h, e domingos, 19h. R$ 5,00
Teatro Commune 78 (lugares) - Rua da Consolação, 1.218. Tel. (11) 3807-0792.
Duração: 60 minutos. Classificação: Livre - www.commune.com.br