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TEATRO - RIO DE JANEIRO

“Bartleby, O Escriturário” de Herman Melville

“Bartleby, O Escriturário” de Herman Melville

Foto: Dalton Valerio

Roteiro de teatro Rio de Janeiro

Por Daniella Cavalcanti Assessoria de Imprensa

Temporada: de 19 a 29 de maio e de 07 de junho a 27 de julho no Teatro Laura Avim

Adaptação e Direção: João Batista
Com Gustavo Falcão, Duda Mamberti, Claudio Gabriel Eduardo Rieche e Rafael Leal.

Bartleby, O Escriturário é uma adaptação para o teatro da novela homônima do célebre romancista norte-americano Herman Melville, autor de MOBY DICK. Com adaptação e direção de João Batista, da CiaDramáticadeComédia, o espetáculo estreia no dia 19 de maio, no Teatro Laura Avim, com Gustavo Falcão, Duda Mamberti, Claudio Gabriel Eduardo Rieche  e Rafael Leal

Bartleby é um conto fascinante que revela o curioso e, às vezes, trágico rumo que a vida pode tomar quando alguém ousa romper com os rígidos padrões pré-estabelecidos.

A história é narrada por um advogado de Wall Street (Duda Mamberti). Homem de meia idade, cercado por severos padrões da sociedade de seu tempo. Possuindo a firme convicção de que “a melhor maneira de se viver é de se encarar tudo com tranqüilidade”. Para esse homem, o primeiro mérito é a prudência e o segundo o método. Em seu escritório de advocacia, convive com estranhos personagens que realizam o ofício “robotizante” de “copista”. Ou seja, profissionais que passam dias, meses, anos, reproduzindo longos processos. Sobre esses homens, o advogado afirma que poderia contar diversas histórias “que fariam sorrir afáveis cavalheiros e levariam às lágrimas as almas sentimentais”. Porém, renuncia a todas essas narrativas, para se deter na vida do “mais estranho de todos”: Bartleby (Gustavo Falcão). Este, após curto tempo da sua contratação, posiciona-se fixamente ao lado de uma janela do escritório que nada descortina. Fechado em seu mundo, Bartlely diz apenas: ‘prefiro não’ a cada vez que é solicitado a executar alguma ação ou tarefa.

A contundente sentença é diversas vezes repetida pelo escriturário e poderia ser o título da obra, uma vez que explicita a questão central do texto: a “preferência”, dentro das limitações humanas, por nada escolher. Uma recusa que acaba se constituindo em uma espécie de questionamento ao “estado das coisas”.

O seu inusitado comportamento acabará por interferir, de forma definitiva, no dia a dia do escritório e na vida do advogado. Sua postura quase “vegetativa” faz com que Bartleby se transforme num fardo que o patrão precisa se livrar.

Bartleby afirma sua natureza individual ao recusar passivamente se encaixar no vigente sistema do escritório. Dessa maneira, incomoda, do mesmo modo, os outros funcionários: Turkey e Nippers.

Para Fernando Sabino, a figura passiva e patética criada por Melville faz lembrar os personagens de Kafka: uma “antevisão do homem robotizado do nosso tempo, o pobre-diabo esmagado pelas condições desumanas da vida em sociedade, cujo destino final é mesmo o hospício”.

Seria a passividade de Bartleby um sinal da robotização do homem contemporâneo, “esmagado” pelos sistemas de produção da sociedade? Ou podemos pensar que sua “alienação” é uma inusitada forma de resistência? Podemos crer que a sua resistência é o não fazer. Seu fim é a morte consentida como a de Ahab, personagem de MOBY DICK também o é. Mas enquanto Ahab está cercado de violência e de um espetacular naufrágio, Bartleby opta por ir se findando.

Segundo Jorge Luis Borges, este “foi o romance que determinou sua glória. Página a página, o relato vai crescendo, até assumir as proporções do cosmo”. Também para Borges, Bartleby já define um gênero que Kafka reinventaria e aprofundaria a partir de 1919: “o das fantasias do comportamento e sentimento ou, como agora lamentavelmente se diz, psicológicas.”

Borges avança na comparação afirmando haver uma afinidade secreta entre as duas obras: em Moby Dick, a “monotonia de Ahab” transtorna e aniquila os homens do navio, em Bartleby o “niilismo cândido” do personagem título que contagia os seus companheiros.

O poeta também afirma: “É como se Melville houvesse escrito: basta que um único homem seja irracional para que os outros também o sejam, e o mesmo aconteça com o universo”. E ainda conclui: “Tudo tem conspirado para que o grande homem secreto seja uma das tradições da América. Edgar Allan Poe foi um deles; Melville foi outro.”

Bartleby, O Escriturário é um texto extremamente apropriado para essa época em que convivemos tão distraidamente com o absurdo humano em nosso cotidiano. A fascinante história da resistência apática do personagem-título que, ao optar por “nada fazer” desafia os padrões pré-estabelecidos da sociedade de seu tempo. No entanto, revela a força e a atemporalidade da obra de Melville.

Ficha Técnica

Montagem da CiaDramáticadeComédia
Texto: Herman Melville
Adaptação e Direção: João Batista
Elenco: Gustavo Falcão, Duda Mamberti, Claudio Gabriel, Eduardo Rieche e Rafael Leal

Serviço

Local: Casa de Cultura Laura Alvim (Av. Vieira Souto, 176 - Ipanema)
Horário: quinta a sábado às 21h e domingo às 19h (*em junho novo horário)
Ingresso: R$ 20,00
Bilheteria: de 3ª. feira a domingo das 16h às 21h
Informações: (21) 2332-2015
Duração: 80 minutos
Classificação Indicativa: 14 anos
Capacidade: 245 lugares
Temporada: de 19 a 29 de maio e de 07 de junho a 27 de julho
Novo horário: de 07 de junho a 27 de julho - terças e quartas às 21h