Teatro São Paulo

TEATRO SÃO PAULO

Basílio, o Destemido

Basílio, o Destemido

Foto: divulgação / Bob Sousa

Instituto Capobianco

Gênero: comédia.

Por Douglas Picchetti

Basílio, o Destemido

01 a 30 de maio de 2010 no Instituto Capobianco

Texto de Marcos Gomes (da Cia. dos Dramaturgos) ganha direção de Marcos Loureiro (de La Musica, Hotel Lancaster), após ter participado de vários projetos de dramaturgia contemporânea

Qual seria a opção mais tranquila: ser um super-herói e combater o crime ou ser uma pessoa comum e enfrentar a realidade de uma sociedade tão complexa? É apresentando esse dilema que a comédia Basílio, o Destemido estreia no Instituto Capobianco – Teatro da Memória, no dia 1º de maio, sábado, às 21 horas. O personagem título, depois de anos vivendo como super-herói, decide se aposentar e se mudar para um prédio de apartamentos onde irá encarar a tarefa mais difícil de sua vida: ser uma pessoa comum. Será que ele vai conseguir?

Texto de Marcos Gomes, da Cia dos Dramaturgos, com direção de Marcos Loureiro, a peça conta a vida de Basílio que, em crise com a sua identidade, está cansado de combater o crime e tudo o que quer é ser um cidadão normal. Porém, sem uma identidade secreta que o proteja e devido à constante presença da mídia, fica exposto à curiosidade das pessoas e é visto como celebridade. Pressionado por interesses políticos, personificados na figura do presidente que deseja sua continuidade no papel de herói, Basílio segue sua árdua trajetória em busca de uma vida comum; sempre imerso em pensamentos sobre sua condição, refletindo sobre a vida e a morte.

Ser uma pessoa comum, porém, é um desafio, pois o torna irrelevante para os demais personagens, acostumados a tê-lo como um exemplo. Sem parâmetros para essa nova realidade, sem lugar para encaixá-la, Basílio é transformado no oposto do que era antes. De celebridade passa à aberração, de super-herói passa a inimigo público. Finalmente, torturado pelos seus piores medos, Basílio sucumbe, voltando à sua condição de herói, esmagado pelo dever e pela impossibilidade de ser diferente e aceito como tal, numa sociedade que padroniza e enquadra, mesmo quando preconiza o diferente como padrão.

 É desse paradoxo que a peça trata. Da individualidade coletivizada, que dialeticamente nos agrupa e nos separa. ‘‘Com certeza é mais fácil ser super-herói do que uma pessoa normal. Não é à toa que as principais adversidades enfrentadas pelos super-heróis sejam fruto da relação com cidadãos comuns. Entre vilões e super-heróis há, pelo menos, uma ética clara‘’, reflete o autor Marcos Gomes.

Com interpretação de Walmir Pavam, Germano Melo, Edson D’ Santana, Roberta Uhller, Javert Monteiro e Zeza Mota, da Companhia dos Dramaturgos da Cooperativa Paulista de Teatro, o espetáculo tem cenário de  Julio Dojcsar, figurinos de Anne Cerutti, trilha sonora de Maurício Maas e iluminação do próprio diretor.

Montagem

Para representar as muitas personagens que orbitam ao redor de Basílio (mais de 17) foi formado um elenco composto por seis atores: um fixo (Walmir Pavam), dedicado somente à personagem título, e o restante móvel, formando uma espécie de engrenagem em constante movimento, responsável pela preparação das cenas, trocas de cenários, figurinos e demais personagens.

Em cena, Basílio, o Síndico, o Zelador, a Esposa, Jornalista (s), o Presidente, o Assessor, Natinha, Ladrão, Juiz, Policial 1, Policial 2, Promotor, Advogado, Uniformizados, Cientistas, Passistas, Jogador de Futebol, Alguém.

Com base nessa proposta, os atores que compõem essa engrenagem ficam uniformizados, como numa indústria, e se destacam como personagens só quando incorporam adereços, peças de figurinos e um gestual específico. Em seguida, voltam à função de grupo, organizando a cena. Esse movimento, sempre revelado, além de conferir ritmo à encenação, desloca a personagem para segundo plano, ressaltando os processos materiais que determinam o destino do herói.

Quanto às referências estéticas, duas são utilizadas: a dos quadrinhos e a cinematográfica. Segundo o diretor Marcos Loureiro, ‘’o uso dessas linguagens vem só complementar a estética da peça. Abusamos das marcações em relevo que o quadrinho exige e da direção de fotografia que o cinema tem para realizar a montagem.’’ Balões com onomatopéias, pensamentos e indicações de passagem de tempo são algumas das ferramentas usadas na montagem, assim como uma iluminação pontuada por focos e uma rápida transição entre eles, em referência aos cortes cinematográficos.

O cenário é composto por objetos de cena de fácil mobilidade, destacados por cores fortes aplicadas sob uma camada de elementos da pop arte, como grafites, colagens (imagens), texturas. A trilha também segue esse caminho, por meio de ruídos, temas e efeitos sonoros que marcam a trajetória do herói, como nos filmes do gênero.

Sobre o projeto

O projeto foi contemplado pelo Programa de Ação Cultural (ProAC) da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo. Resulta de um longo processo de trabalho e pesquisa (envolvendo diversos artistas, grupos e instituições), iniciada em 2005, com  o projeto Escrita Aberta, da Cia.. dos Dramaturgos (sob orientação de Luis Alberto de Abreu). Foi contemplado pela Lei de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo.

Esta iniciativa possibilitou o desenvolvimento de 12 textos teatrais (entre eles Basílio, o Destemido), ciclos de leituras públicas, mesas redondas, publicações e a distribuição digitalizada dos textos em escolas de teatro e bibliotecas públicas. Ao final de 2006, Basílio, o Destemido já havia sido lido na Casa das Rosas, no SESI-SP e no Teatro N.Ex.T - as duas últimas já sob a direção de Marcos Loureiro. Ainda neste mesmo ano, foi premiado no concurso nacional de dramaturgia Seleção Brasil em Cena, promovido pelo Centro Cultural Banco do Brasil da cidade do Rio de Janeiro, e ganhou nova leitura dramática, dessa vez sob a direção de Stella Miranda. Em 2007, a convite da Cia Livre, integrou o projeto Cia Livre Conta Novos Dramaturgos. 

Direção: Marcos Loureiro.
Elenco: Walmir Pavam, Germano Melo, Edson D´Santana, Roberta Uhller, Javert Monteiro e Zeza Mota.

Estreia dia 1º de maio de 2010, sábado, às 21h.
Instituto Capobianco – Teatro da Memória (99 lugares )
Rua Álvaro de Carvalho, 97 – Centro/SP – Tel: (11) 3237-1187
Ingressos: R$ 20,00 (inteira); R$ 10,00 (meia).
Temporada: sexta e sábado, às 21h, e domingo às 19h até 30 de maio.
Bilheteria: 1h30 antes do espetáculo. Aceita dinheiro e cheque. Faz reservas por telefone.
Censura: recomendado a partir de 14 anos.
Duração: 80 minutos. Gênero: comédia.
www.institutocapobianco.org.br

Assessoria de Imprensa / Arteplural Comunicação
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