Teatro - São Paulo

TEATRO - SÃO PAULO

BLACKBIRD

BLACKBIRD

Foto Rodrigo Menck

VIGA ESPAÇO CÊNICO - Sala Piscina

Por Adriana Balsanelli / Arteplural

BLACKBIRD, DE DAVID HARROWER REESTREIA NO VIGA ESPAÇO CÊNICO

Temporada de 29 de outubro a 19 de dezembro de 2010

Lançada no Festival de Edimburgo em agosto de 2005 e prêmio Lawrence Oliver de melhor peça inédita de 2007, a montagem brasileira - que estreou em setembro no Teatro dos Parlapatões reúne no palco Cristina Cavalcanti e Nelson Baskerville, sob a direção de Alexandre Tenório. O texto é um fascinante, intenso e provocativo drama que trata das seqüelas e dos distúrbios emocionais causados pela brusca interrupção de um relacionamento.

Sob a direção de Alexandre Tenório, com os atores Cristina Cavalcanti e Nelson Baskerville no palco, BLACKBIRD volta para temporada agora na Sala Piscina do Viga Espaço Cênico, a partir do dia 29 de outubro, sexta-feira, às 21 horas.

Numa sala abarrotada de lixo, usada como refeitório pelos funcionários de uma empresa, um homem e uma mulher se reencontram. A última vez que se viram foi há 20 anos, num quarto de hotel. Desde, então, tentam se reerguer, em vão. BLACKBIRD trata de como as atitudes do passado afetam o presente de forma irreversível, e questiona tudo o que sabemos sobre amor, culpa e moral.

Inspirada num caso que aconteceu nos Estados Unidos, a peça, contudo, não é nem de longe uma dramatização do real. Num intenso jogo de palavras de pouco mais de uma hora, os dois personagens se confrontam e dissecam o tabu que eles próprios viveram, mas cujo nome são incapazes de pronunciar, vivendo momentos de amor e ódio, nostalgia e rancor, sedução e desespero.

Depois de trabalhos na televisão, o ator Nelson Baskerville (que no teatro esteve com  peça “Quando Nietzsche Chorou”) volta aos palcos paulistanos movido pela paixão despertada pelo texto de Harrower. Segundo ele, o texto é capaz de provocar uma discussão na qual não há lugar para julgamentos de valores, de certo ou errado. “O espectador fica num estado de tensão constante que oscila entre sensações antagônicas e inesperadas.”

O texto é de uma poesia ímpar. O jornal New York Times o apontou como “magistral, hipnótico, extraordinário, um milagre”. As palavras, quando não são interrompidas, ficam atravessadas na garganta. Na peça quase não há pontuação. “Para mim os pontos deixavam tudo muito rígido, muito conclusivo. A forma a que cheguei espelha melhor a incerteza destas pessoas, que estão sempre fazendo círculos em torno uma da outra. Também não conseguia escrever linhas que fossem até o fim do papel. Se você olha o texto parece um pouco com uma escultura. E, modéstia à parte, eu acho bonito”, diz Harrower. 

“O resultado em cena é uma espécie de staccato, um estilo similar ao de David Mamet, em que a trama vai se revelando gradualmente, através de sugestões e das intenções dos atores”, conclui. Diante de tamanho sucesso, ele diz que será um desafio se superar. “Depois de BLACKBIRD vou ter que repensar sobre o que escrever, qual é o meu estilo, qual é a minha voz.”, diz o autor do texto David Harrower.

Segundo o diretor Alexandre Tenório, a dramaturgia do escocês David Harrower apresenta uma série de características inovadoras que vão além do próprio tema. “O aspecto formal do texto nos coloca diante de um novo tipo de realismo, muito mais próximo da linguagem falada, ao mesmo tempo em que valoriza a composição sonora de uma obra destinada ao palco.” A escrita em linhas quebradas, a constante ausência de pontuação, a economia de rubricas, pausas e silêncios desenham a respiração e dão aos intérpretes e à direção inúmeras opções de abordagem de expressão.

Para Cristina Cavalcanti, BLACKBIRD vem ao encontro do foco de interesse da Visceral Companhia, que tem pesquisado intensamente dramaturgia contemporânea do mundo todo, haja vistos seus últimos trabalhos: um russo, um norueguês e um inglês, todos escritos depois do ano 2000.

Sobre o autor

Nasceu em 1966 em Edimburgo. Sua primeira peça, "Faca nas Galinhas", estreou em 1995, numa produção do Bush Theatre e do Traverse, com direção de Philip Howard. Logo obteve sucesso nos mais importantes palcos europeus. "Nunca tinha ido ao teatro, não tinha dinheiro", declarou Harrower, que ganhava a vida lavando pratos.  Escreveu: "Matem os Velhos, Torturem Suas Crias" (1998), "Presença" (2001), "Terra Negra" (2003), "A Recusa" (2006), "Blackbird" (2006), "365" (2008), "Cinzas de Sangue" (2009), "Começar de Novo" (2009) e "Caixa de Surpresas" (2009). Adaptou "A Crisálida", do romance de John Wyndham (1999), "Seis Personagens à Procura de um Autor', de Pirandello (2001),  "Ivanov", de Tcheckov (2002) e "Büchner", de Woyzeck (2002), "Contos das Florestas de Viena", de Ödon vön Horváth (2003), "A Alma Boa de Setsuan", de Bertolt Brecht (2008), "Sweet Nothings", de Arthur Schnitzler (2009). Traduziu "Menina no Sofá", e "Púrpura", ambas de Jon Fosse.

Sobre Alexandre Tenório

Graduado em direção teatral pela Universidade do Rio de Janeiro em 1980, Alexandre Tenório tem dirigido principalmente textos contemporâneos, sendo os mais recentes A SERPENTE NO JARDIM, de Alan Ayckbourn, ATO ÚNICO, de Jane Bodie, ANNA WEISS, de Michael Cullen, PAISAGEM E SILÊNCIO, de Harold Pinter. Também dirigiu LENDO PINTER, ciclo de leituras de peças de Harold Pinter. O MONTA CARGAS, de Harold Pinter; GENTE FINA É A MESMA COISA / NÃO EXPLICA QUE COMPLICA, de Alan Ayckbourn; ENTRE QUATRO PAREDES (HUIS CLOS), de Sartre; NOITE DE GUERRA NO MUSEU DO PRADO, de Rafael Alberti; ANNA CHRISTIE, de Eugene O’Neill; Como tradutor, seus mais recentes trabalhos incluem AS PONTES DE MADISON de Robert James Waller (também adaptação), LOUCOS DE AMOR, de Sam Sheppard, O ZELADOR de Harold Pinter.

Autor: David Harrower.
Direção: Alexandre Tenório.
Tradução: Alexandre Tenório.  
Elenco: Cristina Cavalcanti e Nelson Baskerville.

BLACKBIRD – Temporada de 29 de outubro a 19 de dezembro de 2010.
VIGA ESPAÇO CÊNICO - Sala Piscina  (74 lugares).   Tel. 3801 1843. Rua Capote Valente, 1323 
Sexta e sábados às 21h, domingos às 19h. Ingressos R$ 40,00 (inteira) R$ 20,00  (meia-entrada para estudantes, classe artística e pessoas acima de 65 anos). Classificação 16 anos. Duração: 70 minutos.