Teatro

TEATRO - RIO DE JANEIRO

“Bonitinha, Mas Ordinária” de Nelson Rodrigues

Bonitinha, Mas Ordinária

Foto: divulgação / Nelson Nereu

De Nelson Rodrigues

Teatro

Por André Romano

Bonitinha, Mas Ordinária

28 e 29 de agosto de 2010 - Duque de Caxias

‘Bonitinha, mas ordinária’ ou ‘Otto Lara Rezende’ conta a história da rica e depravada família Werneck e da tentação de Edgard, pobre contínuo da empresa do milionário dr. Werneck. Peixoto, genro do magnata e sujeito sem nenhum escrúpulo, faz ao funcionário uma proposta tentadora: o casamento com a bela cunhada, Maria Cecília, filha de dr. Werneck. A menina, conforme conta, foi estuprada por cinco negros num lugar deserto e, deflorada, estaria completamente impossibilitada de se casar normalmente. É preciso, portanto, casá-lo o quanto antes. Para completar, Peixoto, intermediário do doutor Werneck, entrega a Edgard um cheque astronômico – pequena amostra do que ele pode vir a ter se aceitar a proposta de casamento. O garoto fica impressionado com a fabulosa quantia, principalmente quando lembra que seu pai só conseguiu ser enterrado graças à subscrição dos vizinhos. A trama inteira irá girar em torno das hesitações de Edgard, até sua escolha final.

O problema é que Edgard gosta de Ritinha, vizinha pobre que sustenta a mãe louca e as três irmãs prostituindo-se. Ignorando a função da bela menina, ele não quer aceitar o casamento com Maria Cecília para se acertar com seu amor de verdade. O dilema, a grande tragédia de Bonitinha, mas ordinária se dá entre a consciência de Edgard e uma frase que ele leu não sabe onde: “O mineiro só é solidário no câncer”. Frase que significa, antes de qualquer coisa, que o homem é essencialmente mau e só solidariza na desgraça.

Uma outra maneira de dizer, como o escritor Dostoieviski, que, se Deus não existe, tudo é  permitido. Edgard se debate internamente porque quer e não quer acreditar na frase do escritor. Se acreditar, poderá ser um mau caráter e se casar com Maria Cecília, afinal ninguém no mundo presta. Se não quiser, deve manter sua dignidade, conquistar seu grande amor e fugir do casamento por interesse. O problema é que os olhos de Edgard só encontram provas que confirmam a frase de Otto Lara. A trajetória do rapaz acontece, então, entre a divisão de seu amor por Ritinha, que cresce cada vez mais, e a proposta tentadora de casamento com Maria Cecília.

Peixoto, porém, acaba contando a Edgard que era amante de Maria Cecília, irmã de sua mulher, Tereza, e que a história do estupro é, na verdade, uma farsa. Maria Cecília entregou-se aos cinco homens de uma vez porque sua grande fantasia sexual era passar por uma curra. Ela havia lido um caso no jornal de uma mulher estuprada por vários homens e decidiu simular a mesma situação. Edgard começa a perceber que o dinheiro está acabando com a família Werneck e decide rasgar o cheque. Vai atrás de Ritinha e promete ficar com ela para sempre. Peixoto chega a conclusão que, depois de tanta confusão, nem ele nem Maria Cecília merecem viver. Mata a cunhada e se mata em seguida, purgando-se de todos os males.

Texto : Nelson Rodrigues | Direção: Linn Falcão
Elenco: Ana Mariano, Paolo Sampaio E Will Gama

Elenco: Fabiana Salaberry, Mariana Stein, Marina Carvalho, Linn Falcão, Raphael Gonçalves, Paulo Campani, Sheyla Senna, Marcello D' Azevedo, Bethoven, Daiana Oliveira, Marcos Carvalho, Jika Oliveira, Lily de Almeida, Hugo Barrylari, Vinícius Burguez e Lorenzo Baroni.

Temporada:  28 agosto 20h   e  29 agosto 19h
Local: teatro Raul Cortez - Duque de Caxias Tel: 2771 3062
Praça do Pacificador, centro
Ingresso:  R$ 20,00 - meia R$10,00