TEATRO - SÃO PAULO

CCBB apresenta Cabaret Luxúria

Por Douglas Picchetti / Arteplural

Comédia musical enfoca triângulo amoroso com Rosi Campos,
Rachel Ripani e Bruno Perillo

Estreia dia 19 de abril, até 2 de junho de 2011

Escrito por Rachel Ripani, musical tem banda feminina interpretando ao vivo clássicos de Cole Porter e Tom Waits. Amor, desejo e luxúria salpicam o espetáculo, contando a envolvente história de um triângulo amoroso que se passa em um cabaré no Inferno

Um excitante triângulo amoroso se desenrola no universo quente e erótico do Inferno, onde o show de cabaré é apresentado por Lilith (Rosi Campos), a dona do bordel e mulher de Mephisto (Bruno Perillo), o cantor, gigolô e sedutor que se envolve com a jovem recém-chegada Justine (Rachel Ripani). Este é o Cabaret Luxúria, que o Centro Cultural Banco do Brasil estreia dia 19 de abril, terça-feira, às 19h30.

Com direção conjunta de Bruno Perillo e Helen Helene, direção musical de Pedro Paulo Bogossian e arranjos de Guilherme Terra, e luz de Guilherme Bonfanti, o espetáculo tem cenários e figurinos sensuais e elegantes, criados por Theodoro Cochrane e inspirados no universo burlesco. Em cena, são 17 músicas interpretadas ao vivo pela Banda Último Tango, formada por cinco instrumentistas (piano, trombone, bateria, contrabaixo acústico) – um dos charmes da encenação. Além de tocar, elas interpretam as diabinhas assistentes de Lilith, também presas no Inferno.

Ao som de clássicos de Cole Porter, Gershwin e Kurt Weill mesclados a canções de Brecht e Tom Waits e trilhas de filmes (O Último Tango em Paris e 9 semanas e ½ de Amor), a peça se desenrola com a proposta de divertir o público. Vertidas para o português por Bruno, Perillo, Let’s Misbehave (Cole Porter) foi transformada em Vamos Gozar, e Everything Goes to Hell (Tom Waits) ganhou uma versão como Tudo Vai Pro Inferno.

O repertório inclui também Atrás da Porta (Chico Buarque) e O Meu Sangue Ferve por Você (imortalizada na voz de Sidney Magal). Há espaço, ainda, para versões de Cláudio Botelho para Lorelai (Gershwin) e Cell Block Tango (Fred Ebb e John Kander). Confira repertório completo no final do texto.

Tendo como pano de fundo um cabaré no Inferno, o texto narra as aventuras dos personagens Lilith, Mephisto e Justine por meio do que a autora chama de cliclo da paixão. Primeiro o frio na barriga, os medos e as curiosidades, depois a entrega ao prazer e por fim o sofrimento e as conseqüências da paixão. A harmonia entre Lilith e Mephisto, seu parceiro espiritual e o lado masculino da entidade diabólica, é abalada peça entrada em cena de Justine. Tomado pelo desejo e pelo prazer ele se envolve com a jovem.

Mephisto, o único homem em cena entre 7 mulheres, ganha, portanto, a responsabilidade de salientar diversas vertentes masculinas em seu personagem. Em cena, ora é ingênuo, apaixonado e sedutor. Ora cafajeste e violento. Com toques bem-humorados, o espetáculo chama atenção em cenas como Marketing do Inferno, onde há interação com a plateia, e Carrossel Internacional, sobre as desculpas que os homens usam quando seus casos extra-conjugais são revelados.

Sobre o texto
Rachel Ripani comenta o desafio de escrever o texto para um musical brasileiro. “Não é um gênero muito explorado aqui. É um desafio buscar uma dramaturgia para um musical brasileiro. Pesquisei uma vasta linha de textos sobre o amor, de Dante Alighieri e Shakespeare a Nelson Rodrigues”, comenta a atriz, que alia os ensaios de Cabaret Luxúria a sete sessões semanais do musical Mamma Mia!, onde interpreta Tanya, uma das amigas da personagem principal.

Para criar a peça, a autora começou a explorar o território do desejo, em clima leve e safado. “Queria dar voz à mulher que deseja, que tem sensualidade, identidade e um lado terrível também. Conforme fomos nos aprofundando, percebemos que a paixão também leva para uma área perigosa - da atração, do prazer, da sacanagem, do ciúme, da traição e da separação”.

Nos primeiros encontros foi feita a preparação vocal do elenco. Em seguida, o trabalho coreográfico. Por último, a junção dos dois. Para este processo delicado, o elenco precisa estar treinado fisicamente e a direção rigorosa é dividida por três profissionais - Bruno Perillo cuida da encenação e da construção geral do espetáculo; Pedro Paulo Bogossian assina a direção musical e Helen Helene é responsável pela parte vocal, inteligência do texto e trabalho do ator.

Sobre a encenação
Com 14 novelas na bagagem e cerca de 30 espetáculos teatrais, a atriz Rosi Campos, mais de 40 anos de carreira e uma dezena de prêmios no currículo (APCA, APETESP, SHELL e KIKITO), destaca que o espetáculo fica rico com música ao vivo, além de que as instrumentistas do Último Tango têm larga experiência em orquestra. “A qualidade desta peça está muito boa, ainda mais com a direção musical de Pedro Paulo Bogossian”, complementa a atriz, que está no teatro desde 1976.

“Ultimamente, percebi que tenho um prazer enorme em fazer humor. Fico muito feliz, pois a comédia é um campo menos privilegiado e menos respeitado no Teatro”, comenta a atriz Rachel Ripani, que tem seu primeiro texto encenado.

Bruno Perillo, que assina 8 versões, diz que “foi um trabalho muito prazeroso, uma delícia adequar os versos na métrica, manter a rima, a sonoridade e não deixar que a tradução fique vaga, mantendo a linha original da canção e do enredo. “Estou trabalhando para encontrar as sutilezas das diversas facetas masculinas. A ideia de ter várias cenas é justamente buscar o comportamento do homem em diversas situações.”

“Como as musicistas não são atrizes, a gente faz uma adequação. Procuramos trazer as meninas para cena sem a responsabilidade de atuar. Elas se comportam com naturalidade, ficam à vontade e é essa a brincadeira. Seu foco primordial não é a atuação”, explica a diretora Helen Helena.

Sobre o elenco, o diretor musical Pedro Paulo Bogossian não economiza elogios. “Trabalho há 20 anos com Rosi Campos, é o segundo com a Rachel e o primeiro com o Bruno. Todos sempre estão disponíveis e têm uma carreira disciplinada, não só para este projeto. São profissionais inspirados, que conhecem profundamente o campo teatral.”

Theodoro Cochrane (Prêmio Shell 2011, na categoria figurino com Escuro, de Leonardo Moreira) cuidou de ressaltar as cores quentes no figurino, que explora a sensualidade e a transparência. O cenário limpo tem a proposta de destacar personagens e instrumentistas. Para contrapor com o cenário clean, Theodoro pôde trabalhar mais o figurino. “Inspirado no universo burlesco, procurei peças chiques e sensuais. A roupa da Rachel, principalmente, tem muita renda.”

O processo de construção de cena é contínuo. Bruno, Rachel e Rosi ainda trabalham com liberdade sobre o roteiro. “Não temos muito compromisso com o texto fechado. Estamos abertos para a criação de cada um. Isso funciona porque a química entre nós é grande”, diz Bruno. “Conseguimos uma fluência de construção que está sendo útil para reorganizar a cena. É uma parceria de criação estética e da cena”, completam Rosi e Rachel.

Serviço:

CABARET LUXÚRIA com Rachel Ripani, Rosi Campos e Bruno Perillo.
Estreia dia 19 de abril no CCBB-SP.
Centro Cultural Banco do Brasil - São Paulo. Rua Álvares Penteado, 112 – Centro – SP
Horários: terças, quartas e quintas às 19h30.
Temporada: 19 de abril a 2 de junho de 2011.
Duração: 70 minutos. Classificação: 16 anos.
Ingressos: R$ 6,00
Capacidade: 125 lugares.
Vendas pela internet: www.ingressorapido.com.br ou pelo telefone (11) 4003-1212.
Estacionamento: conveniado na Rua da Consolação, 228 – Ed. Zarvos – R$ 10 por 5 horas.
(No estacionamento há transporte periódico de van até o CCBB).