
Por Bruna Amorim / Daniella Cavalcanti
Obra de Burle Marx é representada
em formas e ritmos
A partir do dia 15 de julho o público poderá conferir o novo espetáculo do Atelier de Coreografia, Paisagem Concreta, sob a direção de João Saldanha. Há vinte anos a companhia desenha uma das singularidades da dança carioca num jogo entretecido pela matéria/gesto/coreográfico e sua relação com a partitura espacial. O espetáculo, que fará uma temporada de um mês no Teatro I do Centro Cultural Banco do Brasil Rio, segue o conceito de Roberto Burle Marx e molda formas e ritmos que expressam o saber desse artista.
A organização espacial, os aspectos dinâmicos da forma e das cores e os ritmos propostos por Burle Marx são apresentados nos corpos dos intérpretes Celina Portela, Fernando Klipel, Jamil Cardoso, Laura Samy e Vivian Miller. Em Paisagem Concreta, se estabelece um diálogo entre a estrutura e a figura, a ação e o espaço, as áreas onde as sensações e os instintos são estimulados por um jogo de luz e sombra, concebido pela parceria de Adelmo Lapa e Saldanha.
Segundo João Saldanha, o espetáculo é todo feito de ritmos e coloca em jogo a própria estrutura do corpo, que desloca e propõe, a cada instante, uma nova escala espacial. “Assim como num jardim de Burle Marx, o que está oculto ao primeiro olhar logo se revela potente em forma e tamanho e a cada novo contato transforma-se e surpreende pelas diversas camadas de uma vibrante paleta”.
Os intérpretes funcionam como agentes formadores de paisagens, para compor um corpo sonoro refinado de correspondências entre músicas, cores e movimentos.
“Entendemos que a realização de um trabalho coreográfico com suas referências estéticas torna-se um estímulo e uma forma de preservação cultural. Burle Marx ajuda-nos a entender melhor a relação do homem urbano com o tratamento de espaços”, afirma João Saldanha.
O público poderá observar detalhes do que acontece dentro de uma instalação modular de madeira trazendo o sentido de passeio sob perspectivas diversas, concebido por Marcelo Braga, sem que os intérpretes percebam a sua presença. Os figurinos são de Pia Franca, a iluminação concebida por Adelmo Lapa, as esculturas são de Marina Vergara e a trilha sonora assinada por Sacha Amback.
“Por se tratar de um tema instigante e que reflete a nossa herança cultural de espaços, formas, ritmos e cores, o espetáculo possibilita a formação de novas plateias de dança”. (João Saldanha)
Sobre Roberto Burle Marx:
A obra de Roberto Burle Marx começa nos anos 30 e prossegue inovadora até os dias de hoje. Através das paisagens que construiu, sempre deu particular atenção aos aspectos dinâmicos da percepção. Sua participação na definição da Arquitetura Moderna Brasileira foi fundamental, tendo participado das equipes responsáveis por diversos projetos célebres, como o terraço-jardim que projetou para o Edifício Gustavo Capanema que é considerado um marco de ruptura no paisagismo brasileiro.
Burle Marx, recebeu a Comenda da Ordem do Rio Branco do Itamaraty, em Brasília (1971); título Doutor Honoris causa da Academia Real de Belas Artes da Haia, Holanda (1982); título Doutor Honoris causa do Royal College of Art, em Londres (1982).
Projetou mais de dois mil jardins ao longo de sua vida.
Sobre João Saldanha:
João Saldanha estudou dança moderna na Inglaterra e na França. No Brasil, estudou ballet com Tatiana Leskowa, Nora Esteves, entre outros. Como professor atuou nas faculdades Angel Vianna, na Florida University e na New World School of the Art – USA. Como maître atuou nas companhias de Deborah Colker e Lia Rodrigues. Há 21 anos, com a sua Cia – O Atelier de Coreografia – pontua a qualidade da dança carioca no Brasil e no exterior, com reconhecimento do público e da crítica especializada.
Recebeu diversas premiações, entre elas, o Prêmio Klaus Vianna (2006); Icatu Holding (2005), pelo conjunto de sua obra (com residência na Cité des Arts-Paris); Bolsas Vitae (2004) e Prêmio Estímulo do Governo do Estado do Rio de Janeiro (1998).
Seu trabalho circulou pelos principais festivais e teatro do país.
Ficha Técnica:
Direção e Coreografia: João Saldanha
Dançarinos: Celina Portela, Fernando Klipel, Jamil Cardoso, Laura Samy e Vivian Miller
Estreia para convidados: 14 de julho - Estreia para público: 15 de julho
Local: Centro Cultural Banco do Brasil - Teatro I (175 lugares)
Endereço: Rua Primeiro de Março, 66, Centro
Horário: quarta a domingo, às 19h00
Ingresso: R$10,00 (inteira) e R$5,00 (meia)
Horário da bilheteria: terça a domingo, das 10h às 21h
Informações: (21) 3808-2007
Duração: 60 minutos
Classificação Indicativa: 12 anos
Temporada: de 15 de julho a 01 de agosto de 2010