
Por Mônica Loureiro
O Operador Nacional de Sistema Elétrico (ONS) e o Centro Cultural Justiça Federal convidam o público para um passeio fotográfico e literário por entre as ruas, bares, becos e construções do Centro na exposição Letras e Imagens do Centro do Rio, do fotógrafo Gustavo Stephan, no Centro Cultural da Justiça Federal, com entrada franca, de 26 de maio a 11 de julho. A exposição, uma realização da Capadócia Produtora Cultural, reúne o olhar contemporâneo do fotógrafo e trechos de autores consagrados que mostram, em épocas diferentes, a efervescência e a diversidade do bairro em 70 imagens.
Os textos se encontram e conversam com as fotografias de Gustavo Stephan por meio da subjetividade do artista – não são meramente ilustrativos e nem uma releitura fiel. Machado de Assis e Aluísio Azevedo proporcionam a experiência do Centro carioca do final do século XIX. Lima Barreto encanta os olhos do público com as tintas do início do século XX, enquanto João Antônio, Rubem Fonseca e Antônio Torres percorrem este espaço de meados dos anos 1950 até o final do século que passou.
“A idéia de unir fotografia e literatura surgiu quando li o conto do Rubem Fonseca ‘A arte de andar nas ruas do Rio de Janeiro’. Fiz uma leitura fotográfica do conto para uma pós que eu estava cursando. Além disso, o Centro sempre foi um lugar especial para mim, foi lá que completei boa parte da minha formação cultural. E a Lapa, a Cinelândia, o Paço Imperial, a Candelária, a Central fazem parte dos trajetos que percorro no meu cotidiano. É um local de encontro da diversidade que gosto muito”, explica Stephan.
Ao reunir em imagens os principais locais narrados em contos e poesias, a mostra ressalta a importância da literatura na construção da identidade cultural carioca e brasileira, valoriza a arquitetura e o paisagismo do Centro do Rio e apresenta um estudo sobre o comportamento dos frequentadores da região. A exposição convida o espectador a ver o Centro sob uma nova perspectiva, mais lírica e criativa, prestando uma homenagem à cidade.
Letras e Imagens do Centro do Rio surgiu da parceria entre o fotógrafo e o pesquisador Mauricio Barros de Castro. Mauricio estuda a literatura carioca e acabou se tornando o curador do evento. Ele escolheu os escritores e fez a edição das fotos. O fotógrafo Custódio Coimbra também teve importante participação na seleção das fotografias.
Durante a exposição, também será promovida uma palestra com o fotógrafo, no dia 27, e uma visitação guiada, no dia 30, ambas gratuitas.
Local: Centro Cultural Justiça Federal (Av. Rio Branco, 241 - 3261-2563)
Data: 26 de maio a 11 de julho de 2010
Preço: Entrada franca | Horário: Terça a domingo, de 12h às 19h
O antigo prédio do Supremo Tribunal Federal foi
reaberto no dia 4 de abril de 2001 como Centro Cultural Justiça Federal. O processo de restauração respeitou as características históricas da construção, conforme orientação do IPHAN. O patrocínio foi da Caixa Econômica Federal e a coordenação do restauro esteve
a cargo do Instituto Herbert Levy, com apoio do Tribunal Regional Federal da 2ª Região. A obra dotou o edifício de uma vasta e moderna infra-estrutura predial em termos de refrigeração, instalações elétricas, telefonia, sistema hidráulico etc. Atualmente, o CCJF dispõe de 14 amplas salas de exposições, teatro, biblioteca, lojinha e cafeteria. Há ainda uma sala destinada à instalação de um cinema.
O edifício foi projetado pelo arquiteto sevilhano Adolpho Morales de Los Rios, sendo um dos mais belos exemplares da arquitetura eclética, em voga no Brasil do início do século XX. A construção, iniciada em 1905, destinava-se à Mitra Arquiepiscopal do Rio de Janeiro. Adquirida pelo Governo Federal, tornou-se sede do Supremo Tribunal Federal de 1909 a 1960. Com a mudança do STF para Brasília, o prédio foi ocupado, sucessivamente, por varas de Fazenda Pública e pela Justiça Federal.
Em 1989, foi interditado, restaurado e reinaugurado em abril de 2001. O processo de restauração-adaptação constituiu-se no mais complexo e original da América Latina. Toda a fundação foi refeita e reforçada, e o lençol freático rebaixado com técnicas modernas. O restauro foi o mais fiel possível ao projeto original.
Na fachada, predominam elementos do classicismo francês. As portas, ricas em detalhes referentes à
Justiça, foram talhadas pelo artista português Manoel Ferreira Tunes. A escadaria em mármore de Carrara
e ferro trabalhado revela o gosto art nouveau. As janelas retangulares lembram as góticas e as balaustradas remetem ao Renascimento Francês. A Sala de Sessões,
o espaço mais suntuoso do edifício, conserva o assoalho original de peroba e pau-roxo. Nas paredes laterais,
há retratos pintados de juristas de vários períodos
históricos. Possui belíssimos vitrais confeccionados
pela Casa Conrado Sogenith, de São Paulo. No teto,
há dois painéis pintados por Rodolfo Amoedo, um
dos mais consagrados artistas da sua geração.
Centro Cultural Justiça Federal