Cultura São Paulo

CENTRO CULTURAL SÃO PAULO

Baseado em Fatos Reais

Baseado em Fatos Reais,

Foto: divulgação

Centro Cultural São Paulo

Dança

Por Lígia Azevedo Arteplural Comunicação

Baseado em Fatos Reais, de Ângelo Madureira e Ana Catarina Vieira, faz sessões gratuitas na Semanas de Dança no CCSP

25 a 30 de maio de 2010

1800 fotos são sorteadas entre sete bailarinos como ponto de partida para a realização dos movimentos. Assim, a obra é apresentada de forma diferente a cada sessão.

Nova obra da dupla de coreógrafos Ângelo Madureira e Ana Catarina Vieira, Baseado em Fatos Reais integra a programação Semanas de Dança do Centro Cultural São Paulo com apresentações gratuitas de 26 a 30 de maio (quarta a domingo, às 21h). A apresentação tem duração de 60 minutos e reúne no palco os bailarinos Beto Madureira, Luiz Anastácio, Marcela Sena, Patricia Aockio, Carolina Coelho, Ângelo Madureira e Ana Catarina Vieira. Contemplado com o programa municipal de Fomento à Dança, o espetáculo estreou no Sesc Consolação e foi apresentado na Virada Cultural. Depois da temporada no CCSP, terá sessões nos dias 2 e 3 de junho (quarta e quinta-feira às 21h), no Teatro Cacilda Becker.

Baseado em Fatos Reais é a 10º obra criada pela dupla – que iniciou a sua parceria em 2000, no universo das danças populares. Na finalização da trilogia, os materiais se reorganizaram a partir da história e vivência de cada um dos artistas que compõem o elenco. Durante a criação e montagem, cada artista foi estimulado a experimentar intensidades, volumes, respirações, tempos e lugares de uma mesma partitura, através das fotografias.

No palco, os sete bailarinos possuem um envelope com diversas fotos que foram escolhidas ao longo do processo e, durante a apresentação, os movimentos retratados nelas aparecem de formas diferentes na performance dos bailarinos. Baseado em Fatos Reais é uma obra que fala dela mesma e de seu processo de pesquisa e criação. A obra se modifica a cada apresentação e o material pesquisado vai se construindo ao longo do trabalho, o que permite que se perceba as diferentes histórias de cada um dos corpos na sua relação com a linguagem de Ângelo Madureira e Ana Catarina Vieira.

Dada a natureza dessa pesquisa, surgiu a inquietação com relação ao modo de apresentá-la. Existem formatos diferentes dos de um espetáculo, no qual artistas mostram e público assiste? Quais são as possibilidades formais de se compartihar um processo de pesquisa que pretende aproximar arte e vida? É possível transmitir a linguagem criada pela dupla para outros artistas? Estas entre outras questões foram feitas ao longo do processo de pesquisa, que aconteceu desde 2008 com as duas obras anteriores.

A mais recente criação de Ângelo Madureira e Ana Catarina Vieira completa a trilogia iniciada com O Nome Científico da Formiga (2008) e O Animal Mais Forte do Mundo (2009), o primeiro deles marcado pela questão da autonomia e o segundo, da territorialidade e competitividade. Ambos foram tratadas em um processo de colagem, que reciclou os materiais originais destas coreografias. Assumir a sua condição real, deixar de representar algo para começar a apresentar a sua própria vida e a sua realidade é uma das questões de Baseado em Fatos Reais. A obra tem a proposta de levar o público a repensar o que significa viver em um mundo cada vez mais apoiado em imagens que modelam os nossos desejos e condicionam os nossos comportamentos.

“As duas primeiras obras foram pensadas de outra forma. O processo da trilogia é com as fotografias, mas cada uma das obras é inédita e diferente uma da outra. Nesta, quisemos expor o processo de criação e pesquisa, reutilizar o material de movimentos que já foram pesquisados e aprofundá-los. Não fizemos uma coreografia, criamos uma forma de apresentar”, conta Ana Catarina Vieira. Como parte da linguagem, optou-se por utilizar o mínimo de recursos cênicos – não há cenário e a trilha é composta por sons de instrumentos artesanais que são manipulados ao vivo.

O processo de pesquisa do grupo partindo da dança popular e se aproximando da dança contemporânea começou em Somtir (2003), seguido em Outras Formas (2004), Como? (2005) e Clandestino (2006), abriu-se em uma nova etapa, formada por essa trilogia que se finaliza com Baseado em Fatos Reais. Assim, a obra levanta a questão da memória do presente. Uma lembrança dita ou retratada de um certo passado é constituída apenas de fragmentos do que se passou, é como o corpo pode retratar o que aconteceu no exato momento do agora. Por isso, estamos sempre nos baseando em fatos que já aconteceram ou não, para contar nossas historias "reais".

BASEADO EM FATOS REAISDe Ângelo Madureira e Ana Catarina Vieira. Direção Artística: Ângelo Madureira e Ana Catarina Vieira. Com Beto Madureira, Luiz Anastácio, Marcela Sena, Patricia Aockio, Carolina Coelho, Ângelo Madureira e Ana Catarina Vieira. Iluminação: Juliana Augusta Vieira. Indicação etária: livre. Duração: 60 minutos.

Dia 25 de maio, terça às 16h – Intervenção em todas as áreas externas do Centro Cultural São Paulo. Livre. Grátis. Duração: 60 minutos.
De
26 a 30 de maio, quarta a domingo às 21h, apresentações na programação Semanas de Dança do
Centro Cultural São Paulo. Rua Vergueiro 1000. Tel.: (11) 3277-3651. Capacidade: 324 lugares. Livre. Grátis.
Dias 2 e 3 de junho, quarta e quinta-feira às 21h, no Teatro Cacilda Becker. Rua Tito, 295. Tel.: 3864-4513. Capacidade: 195 lugares.

Centro Cultural São Paulo. Rua Vergueiro, 1000 - Metrô Vergueiro – Fone: 3397-4001

Assessoria de Imprensa / Arteplural Comunicação
www.artepluralweb.com.br

Centro Cultural São Paulo

O que é o Centro Cultural São Paulo

Concebido inicialmente para abrigar uma extensão da Biblioteca Mário de Andrade, o Centro Cultural São Paulo acabou sofrendo, no decorrer de suas obras, uma série de adaptações para se transformar em um dos primeiros espaços culturais multidisciplinares do país. Inaugurado em 1982, oferece espetáculos de teatro, dança e música, mostras de artes visuais, projeções de cinema e vídeo, oficinas, debates e cursos, além de manter sob sua guarda expressivos acervos da cidade de São Paulo: a Coleção de Arte da Cidade a Discoteca Oneyda Alvarenga, a coleção da Missão de Pesquisas Folclóricas de Mário de Andrade, o Arquivo Multimeios e um conjunto de bibliotecas que ocupa uma área superior a 9 mil m2.

A construção completa do edifício, conforme prevista em seu projeto original, nunca chegou a ser concluída. A despeito disso, o CCSP firmou-se como um pólo de apoio às produções experimentais, um ponto de encontro de artistas, um lugar de convivência que assumiu a feição de extensão da casa das pessoas.Localizado em um ponto estratégico da cidade, atravessado entre a Rua Vergueiro e a Avenida 23 de maio, próximo à Avenida Paulista e junto a duas estações de metrô, a instituição tem um número expressivo de freqüentadores. Sua programação diversificada, oferecida gratuitamente ou a preços populares, atrai faixas distintas da população, fazendo do CCSP um dos espaços culturais mais democráticos da cidade. Em 2003, recebeu 650 mil usuários, uma visitação comparável à dos maiores museus e centros culturais do mundo.

Com quatro pavimentos e uma área de 46500 m², seu projeto arquitetônico se destaca pela maneira como se integra ao espaço urbano. O projeto dos arquitetos Luiz Benedito Telles e Eurico Prado Lopes dissolve a construção na topografia do terreno. Sem barreiras, convida, quem passa, a entrar. Para quebrar a rigidez do concreto e do aço, amplamente utilizados na construção, o projeto arquitetônico previu imensos espaços vazados e envidraçados, que permitem a entrada de luz natural, e ainda manteve, no centro da construção, um jardim de 700m2, onde a vegetação original foi preservada.

A inauguração

A lei de criação do Centro Cultural São Paulo, promulgada em 6 de maio de 1982, estabelecia que suas funções incluíam: "planejar, promover, incentivar e documentar as criações culturais e artísticas; reunir e organizar uma infra-estrutura de informações sobre o conhecimento humano; desenvolver pesquisas sobre a cultura e a arte brasileiras, fornecendo subsídios para as suas atividades; incentivar a participação da comunidade, com o objetivo de desenvolver a capacidade criativa de seus membros, permitindo a estes o acesso simultâneo a diferentes formas de cultura; e oferecer condições para estudo e pesquisa, nos campos do saber e da cultura, como apoio à educação e ao desenvolvimento científico e tecnológico".

A inauguração aconteceu no dia 13 de maio de 1982. O prefeito Reynaldo de Barros e o secretário de cultura Mário Chamie receberam um grande público entre convidados, participantes da obra e a população em geral. Após a cerimônia, os presentes percorreram as dependências do edifício, assistiram a espetáculos musicais com o Coral Paulistano e com o pianista João Carlos Martins e puderam apreciar as obras em exibição na Pinacoteca.

Em 1982, São Paulo possuía aproximadamente 8,5 milhões de habitantes, grande parte deles espalhada pela periferia. A intenção do centro cultural que nascia era a de agregar essa população heterogênea, fornecendo um espaço em que todos tivessem acesso aos mais variados gêneros culturais.

Mário Chamie destacou em seu discurso todo o trabalho que a obra demandou, apontando que "durante dois anos, dez meses e um dia pelas manhãs, tardes e madrugadas adentro, trabalhou-se na construção desse espaço". Segundo Chamie, era necessário abrigar em um só espaço cultura popular e erudita, e todo tipo de manifestação cultural de grupos ou comunidades as mais diversas, para refletir "toda essa igualdade cultural brasileira que é feita justamente das diferenças".

Centro Cultural São Paulo Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso. Tel: 3383-3402.