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TEATRO - SÃO PAULO

Ciranda - Direção: José Possi Neto

Ciranda - Com Tania Bondezan e Daniela Galli

Foto: João Caldas

Roteiro cultural São Paulo

Por Nanda Rovere

Teatro - Em cartaz

Ciranda - Relações familiares

16 de julho a 28 de agosto de 2011

Ciranda fala com poesia dos encontros e desencontros entre mãe e filha O amor enfrenta a barreira das divergências de pensamento e temperamento.

As atrizes estão em ótima sintonia. Tânia Bondezan vive com maestria as duas personagens, destacando com precisão as características que diferenciam o comportamento da mãe, Lena, e da filha, Boina, Daniela Galli. Daniela também está muito bem em cena e a sua interpretação cresce no momento em que vive Sara. Célia Forte tem muita sensibilidade para captar o universo das relações humanas. Em Amigas, Pero no Mucho era mostrado um relacionamento conturbado de quatro amigas. A comédia era o mote da encenação e as nuances do universo feminino foram muito bem transferidas para o palco. Já em Ciranda, é o drama familiar que é levado ao palco. Uma história de encontros, desencontros e muita poesia.

O espetáculo acabou de estrear e por isse motivo ainda tem a crescer durante a temporada, mas esta observação não é uma crítica e sim, a constatação de uma das mais belas características do teatro: a possibilidade do aprimoramento do ator a cada apresentação.

Em Ciranda, mãe e filha não conseguem se entender. Lena é uma mãe que preza a filha e tem um temperamento expansivo e, aos olhos da filha, excêntrico. Lena é uma personagem que encanta. Um segredo que não teve coragem de revelar à filha a atormenta, mas todas as suas ações são em prol de um bom relacionamento com a filha e a neta. Idealista, perdeu o grande amor de sua vida e criou a filha com dificuldade, mas sempre procurando ver a vida com positividade. Já Boina dá valor aos bens materiais e ao poder. Acredita que vive um casamento feliz, mas o marido causa um grande desfalque na empresa que dirige. Para não ser presa, é obrigada a fugir, abandonando a filha, Sara, aos cuidados da sua mãe. O tempo passa e Sara apresenta o mesmo temperamento da avó, pois não perdoa ter sido abandonada pela mãe.

Num dos momentos mais bonitos da peça, Sara e Boina se encontram, segredos do passado são revelados e o relacionamento mãe e filha tende a um final harmonioso. O curso da vida nem sempre é como queremos e uma fatalidade impede que Lena e Boina se reencontrem. As diferenças de temperamento e pensamento distanciam Lena e Boina; já o relacionamento entre Lena e Sara é amistoso.

O cenário é exageradamente colorido e cheio de objetos hippies e posters, que salientam o gosto e a personalidade da protagonista: uma espécie de relicário, que detém as lembranças e serve de companhia, os figurinos usados por Lena e Sara (exceto o concebido para Boina, que é sóbrio e elegante). São objetos que transmitem beleza e alegria, já que Lena, apesar dos problemas, procura viver com humor. Tem um cotidiano pouco regrado, mas tudo serve para tentar dar maior leveza à sua vida, fugir da tristeza, da solidão e da culpa de sempre ter mentido para a filha sobre o passado. A trilha ressalta os momentos de nostalgia e as emoções do complexo relacionamento familiar. Apesar dessa relação ser cheia de percalços, o amor está presente.

Vale muito a pena conferir. É daquelas peças que nos tocam bastante.

Texto: Célia Regina Forte | Direção: José Possi Neto
Com Tania Bondezan e Daniela Galli

Local: Teatro Eva Herz
Endereço: Livraria Cultura do Conjunto Nacional - Av. Paulista, 2073 - Bela Vista
Data(s): De 16 de julho a 28 de agosto de 2011
Horário(s): Sextas e Sábados, às 21h | Domingos, às 18h
Duração: 80 minutos
Ingresso: Sextas-feiras: R$ 40,00 | Sábados e domingos: R$ 50,00
Faixa etária: Recomendado para maiores de 14 anos