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São Paulo - Printec Notícias

Compra de material escolar pode se tornar instrumento de educação financeira e consumo responsável

Por Printec Comunicação (Vanessa Giacometti de Godoy / Betânia Lins)

Diferente do que pregam muitos especialistas, as crianças devem participar da compra de material escolar, na visão dos jornalistas Marília Cardoso e Luciano Gissi Fonseca, autores do livro “Você sabe lidar com o seu dinheiro? Da infância à velhice”, da Primavera Editorial. De acordo com os escritores, essa é uma excelente oportunidade de incutir conceitos de educação financeira, relação custo-benefício, qualidade de produtos, decisão de compra e consumo responsável.

São Paulo, 12 de janeiro de 2010 – Como iniciar um diálogo com as crianças sobre os conceitos de educação financeira, relação custo-benefício, qualidade de produtos e decisão de compra? O que parece um assunto árido demais para o universo infantil é, na verdade, uma questão contemporânea, um desafio para pais e professores. Diante de uma lista de material escolar – algumas, inclusive, incompreensivelmente repletas de itens –, muitos pais deixam os filhos em casa, seguindo a indicação de especialistas; uma medida para evitar gastar mais e ceder aos apelos das crianças. Ao contrário, os jornalistas Marília Cardoso e Luciano Gissi Fonseca – autores do livro Você sabe lidar com o seu dinheiro? Da infância à velhice, da Primavera Editorial – defendem que a compra de material escolar é uma excelente oportunidade de falar sobre dinheiro com os pequenos, incentivá-los a poupar na compra de uma mochila, por exemplo, para comprar um outro item desejado. A ocasião é propícia para ensinar as crianças a tomar decisões de compra e a ser um consumidor responsável.

“Mal saem das fraldas, as crianças já se portam como grandes consumidores. Embora o contato com o dinheiro seja praticamente inexistente, está comprovado que os pequenos interferem no orçamento familiar e influenciam os hábitos de consumo de famílias de todas as classes sociais. Diante dessa influência infantil nos gastos da família, muitos especialistas recomendam aos pais que deixem as crianças em casa na hora de comprar o material escolar. Mas, discordo dessa orientação!”, afirma a autora Marília Cardoso. Segundo ela, os filhos carregam dos pais muito mais do que a herança genética. A forma como cada um lida com o dinheiro tem íntima relação com conceitos e ensinamentos assimilados na infância. “Os pais têm a missão de mostrar que o dinheiro não cai do céu nem brota em árvores; lição que resolve dois problemas de uma única vez. Primeiro porque justifica as saídas diárias para o trabalho; segundo, forma cidadãos conscientes do seu consumo”, afirma a jornalista.

Na visão de Marília, a conversa franca requer um bom preparo dos pais, que devem tomar cuidado com frases como “estou saindo para ganhar dinheiro”. Uma criança pequena pode acreditar que se “ganha” dinheiro, ou seja, não associa a moeda à conquista por meio do trabalho e não assimila a noção de valor implícita no trabalho. “É importante que desde muito cedo as crianças aprendam o sentido correto das palavras dinheiro e prioridade”, defende a jornalista.

Luciano Gissi Fonseca, coautor do livro Você sabe lidar com o seu dinheiro? Da infância à velhice, destaca que o início do ano concentra dívidas adquiridas nas festas de fim de ano e despesas fixas como IPTU e IPVA, além do material escolar. “Fica visível para a criança que os pais estão preocupados, mas ela não consegue identificar os reais motivos que os levam a fazer tantas contas; tampouco entendem o motivo de não poder participar da compra do material escolar. O ideal é que a criança participe das compras e que os pais aproveitem a ocasião para ensinar limites e para falar sobre valores que serão importantes durante toda a vida. Ao incluir a criança no processo de compra, os pais colaboram na formação de cidadãos que praticam o consumo consciente”, afirma Fonseca.

Entre as dicas de educação financeira para crianças, destacadas no livro “Você sabe lidar com o seu dinheiro? Da infância à velhice”, os jornalistas citam:

-       Antes de sair para comprar o material escolar, combine com os filhos o valor que irão gastar e incentive-os a economizar em determinado item – uma mochila, por exemplo – para gastar em um estojo mais bacana.

-       Se for possível economizar dentro do valor estipulado, incentive a criança a “usar” esse dinheiro disponível para uma pequena poupança – um cofrinho – cujo dinheiro poupado pode ser utilizado na próxima compra de material escolar.

-       Coloque seu filho em contato com o dinheiro; reforce que as moedas e cédulas precisam ser bem conservadas porque, quando danificadas, o governo gasta o nosso dinheiro para repô-las.

-       Mostre que algumas moedas e cédulas valem mais que outras, mas que todas têm valor.

-       Na compra do material escolar, procure distinguir coisas caras das baratas; os pequenos precisam entender esse conceito.

-       Mostre a diferença entre querer e precisar, destacando que as necessidades básicas estão contidas no item precisar; o querer pode esperar.

-       Ensine a fazer escolhas – quando a criança quiser dois itens, faça-a escolher apenas um para que aprenda a eleger as suas prioridades.

-       Detalhe com a criança a lista do material escolar; lembre que nada que está fora da relação deve ser comprado.

-       Peça a colaboração dos tios e avós na educação financeira, pois eles podem colocar tudo a perder se derem presentes e dinheiro o tempo todo.

Segundo os autores, a principal dica é lembrar que a educação financeira está centrada no diálogo e no exemplo. Ou seja, não adianta um discurso perfeito sobre consumo consciente se a criança se depara com os pais gastando mais do que podem.

Marília Cardoso

Jornalista pós-graduada em comunicação empresarial pela Universidade Metodista de São Paulo, Marília Cardoso iniciou sua carreira em 2004, auxiliando no atendimento de assessoria de imprensa de clientes como Pinnacle Systems, Kasinski Motos, Cartuchos Maxprint, Tablett Distribuidora de Informática e Hospital Professor Edmundo Vasconcelos. Na redação, atuou como produtora e repórter de programas de rádio e televisão nas emissoras Rede Mulher, Rede Gazeta e Rádio Trianon nos segmentos de saúde, beleza e comportamento. Em comunicação empresarial, desenvolveu estratégias de marketing, comunicação interna e conteúdo editorial para empresas como Petroquímica Braskem, Laboratório de Análises Clínicas Criesp, Arroz Brejeiro e Tigre. Recentemente fundou a InformaMídia Comunicação, agência especializada em comunicação corporativa e relações com a imprensa, que atende clientes como Baggio Coffees, San Marco Alimentos e professor Marcos Morita. É  colaboradora da Revista Comunicação Empresarial, publicação editada pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), e participa de Congressos de Comunicação com a publicação de artigos científicos da área.

Luciano Gissi Fonseca

Jornalista e radialista, Luciano Gissi Fonseca iniciou sua carreira em 1994, na agência Asa de Comunicação, em Belo Horizonte (MG), onde atuou na área de marketing. Na sequência, integrou a equipe da TV Aratu de Salvador. Como jornalista das editorias de comportamento e esportes, publicou matérias em vários veículos como portal Zip.net e o jornal japonês International Press. Como assessor de comunicação, desenvolveu projetos para a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), escritório de advocacia Oliveira Neves & Associados e Informa Group Latin America. Atualmente é diretor de criação e de imprensa da Take 4 – Comunicação Estratégica e gerencia ações de mídias sociais e jornalismo corporativo para diversas empresas do Brasil e do exterior.

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Vanessa Giacometti de Godoy  / Betânia Lins

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