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Teatro - São Paulo

TEATRO - SÃO PAULO

Doroteia, de Nelson Rodrigues

Doroteia, de Nelson Rodrigues

Foto: divulgação

Teatro Mube – Museu Brasileiro da Escultura

Por Adriana Balsanelli / Arteplural

Grupo Gattu mergulha no universo feminino com Doroteia, de Nelson Rodrigues, em temporada no Mube

17 de fevereiro a 11 de março de 2011

Com uma linguagem contemporânea e dinâmica, a companhia faz sua leitura da peça censurada em 1949, mesclando sensualidade, suspense e humor. Na montagem, música clássica, luz cinematográfica e técnicas circenses. Pesquisadores da obra rodrigueana, em 2010 foi o grupo que mais montou Nelson Rodrigues. A diretora EloísaVitz prepara, ainda para este ano, outro espetáculo do repertório do mais controverso dramaturgo brasileiro

Desde 2001 no cenário do teatro brasileiro com suas leituras contemporâneas para textos clássicos, o Grupo Gattu reestreia Doroteia, de Nelson Rodrigues (1912-1980), dia 17 de fevereiro, quinta, às 21 horas, no Mube, Museu Brasileiro da Escultura. Com direção de Eloísa Vitz, a montagem - da peça mais controversa de Nelson Rodrigues - inova com diálogos rápidos, movimentos cinematográficos, atores ágeis e um narrador, que, em determinados momentos, entra em cena para conduzir a história com pitadas de humor. No elenco, além da diretora, estão Daniela Rocha Rosa, Diogo Pasquim, Elam Lima, Laura Knoll, Laura Vidotto, Marcos De Vuonno, Marcos Machado e Miriam Jardim.

Em 2010, o Gattu montou também Boca de Ouro e Viúva Porém Honesta, sendo o grupo que mais esteve em cartaz com textos de Nelson Rodrigues no ano passado. A companhia pesquisa sua obra há 4 anos e prepara, ainda para este ano, a montagem de mais um texto do dramaturgo.

O Gattu já encenou 11 peças e realizou 18 temporadas (veja perfil da companhia abaixo). Trabalha com pesquisa de linguagem teatral, imprimindo uma leitura cênica dinâmica, estética marcante e humor inteligente. O grupo tem sede no Teatro Gil Vicente, instalado na Uniban, na avenida Rudge, 315, Campos Elíseos, no centro da cidade de São Paulo. Informações.Tel.: (11) 3618-9014.

Além da proposta de trabalhar com temas da cultura nacional ("costumamos montar textos de autores nacionais, obras de fundamental importância para nossa cultura, como Jorge Andrade e Artur Azevedo"), o Grupo Gattu pretende formar um público jovem de teatro, não habituado a frequentar esta forma de expressão artística e favorecer o acesso a qualquer classe social. Para tanto, investe em produção elaborada, excelência artística e linguagem cênica divertida.

Em março, a trupe apresenta a peça Boca de Ouro - tragédia carioca em três atos, escrita por Nelson Rodrigues em 1959, montada pela primeira vez em 1960, com o diretor polonês Ziembinski no papel-título - no Festival Ibero-Americano de Teatro de São Paulo. A sessão acontece no dia  20 de março, no Memorial da América Latina.

“Montamos textos clássicos com uma linguagem contemporânea, porque sentimos a necessidade de iniciar o público que nos assiste,” explica Eloísa. “Acreditamos muito na inteligência do espectador, que tem interesse em assistir a peças de qualidade, independente de ser um texto contemporâneo ou não,” completa.

Segundo a diretora Eloísa Vitz, a paixão por Nelson Rodrigues surgiu naturalmente. “Nós não programamos, simplesmente não conseguimos largá-lo. E cada vez mais a obra do Nelson nos instiga, comove, perturba e desafia”, afirma.

Sobre a encenação

Doroteia é uma linda mulher que, após perder o filho, decide abandonar a vida de prostituição e alcançar a redenção na casa de três primas. As três mulheres abominam a ideia da entrega amorosa e vivem uma vida casta e cheia de privações. Para aceitar Doroteia, impõem-lhe uma condição: ficar feia. O enredo, meramente fantasioso à primeira vista, mescla as múltiplas facetas do ser humano, capaz de surpreender, encantar ou chocar.

“Em Doroteia abordamos o universo feminino. Criamos o que chamamos da poética da feiúra. O espetáculo mescla sensualidade, suspense e humor. Combinamos uma luz cinematográfica com técnicas circenses. O cenário possui poucos elementos, que flutuam criando uma atmosfera para onde convergem o sonho e a realidade”, conta a diretora.

A iluminação é responsável pelas mudanças de tempo, atmosfera e humor do espetáculo. A luz, quase sempre indireta, forma sombras e as cores também contribuem para o clima das cenas. A trilha sonora, executada ao vivo, utiliza obras dos compositores clássicos Mozart (1756-1791) e Jean Sibelius (1865-1957). “O primeiro nos remete ao que é sublime, a delicadeza das harmonias, a sensualidade e encanto imediato. Sibelius, a tudo que é trágico, os grandes abismos e as mudanças abruptas”, explica Eloísa.

Escrita em 1949, Doroteia foi alvo de inúmeras críticas, sendo considerada um fracasso de público para aquela época. O próprio autor a definiu como parte de sua obra chamada de “teatro do desagradável”. Atualmente, porém, a discussão profunda de Nelson Rodrigues sobre a sexualidade humana e a repressão fazem de Doroteia um clássico da dramaturgia brasileira moderna. Para muitos, é simplesmente a peça mais genial do autor.

Sobre o Autor

Nelson Rodrigues (1912-1980) começou a carreira no jornalismo, aos 13 anos, em 1925, como repórter policial do jornal A Manhã, impressionando os colegas com sua capacidade de dramatizar pequenos acontecimentos. Em 1943 revolucionou a dramaturgia mundial com a peça Vestido de Noiva. Nelson Rodrigues foi jornalista, dramaturgo, romancista e cronista, escreveu 17 peças de teatro, 9 romances, 5 livros de contos e 13 livros de crônicas. Sua obra e seu gênio literário são um patrimônio da literatura brasileira.

Peça de Nelson Rodrigues. Direção: Eloísa Vitz

Elenco: Eloísa Vitz, Daniela Rocha Rosa, Diogo Pasquim, Elam Lima, Laura Knoll, Laura Vidotto,  Marcos De Vuonno, Marcos Machado e  Miriam Jardim.

Serviço

Teatro Mube (192 lugares)  – Museu Brasileiro da Escultura. Entrada para o teatro – Av. Europa, 218 – Jd. Europa. Telefone para informações – 11 3618-9014.
Horários: Quintas e sextas às 21h
Ingressos: R$60,00 (inteira) R$30,00 (meia).
Duração:  75 minutos.
Temporada: 17 de fevereiro a 11 de março de 2011
Classificação: 16 anos.

Informações para Imprensa: www.artepluralweb.com.br

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