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Eros – encenação em ‘dança-teatro’ da Cia. Tempos Dança-Teatro

FAC – Fundo de Apoio à Cultura da Secretaria de Cultura do Governo de Brasília apresenta:

Eros

Foto: Maíra Zannon

Encenação da Companhia Tempos Dança-Teatro, com direção, coreografias e concepção da dançarina Elisa Teixeira de Souza, cuja estreia marca o lançamento da Trilogia do Amor, projeto composto de três montagens cênicas sobre o amor: amor erótico, fraternal e universal.

 

 

Em “Eros”, traz-se à cena um mosaico das sensações do amor erótico – como encantamento, entrega, angústia, proteção e contemplação do sujeito amado. Na composição dramatúrgica da encenação, quatro artistas – duas mulheres e dois homens – encenam momentos de intimidade, despojamento, sensibilidade, desafio e troca, de maneira que apenas uma única personagem ganha destaque: o amante.

 

Sobre o uso do termo ‘amante’, é válido esclarecer que, em Eros, o amante é aquele que ama a pessoa para a qual se volta seu desejo sexual, e não o indivíduo envolvido em um relacionamento extraconjugal. Essa explicação é dada por Elisa Teixeira de Souza, idealizadora do projeto, diretora e coreógrafa da encenação, que também atua na montagem. Elisa também esclarece que “apesar de chamar-se ‘Eros’, o espetáculo não pretende contar a história do Deus Grego do amor”.

 

Com uma dramaturgia fragmentada e dinâmica, a peça não apresenta uma narrativa linear que ligue o início ao seu final, tampouco, há uma única história a ser contada. Entretanto, “é possível que a obra dialogue com público de maneira que este construa sua própria narrativa, uma vez que se apresenta aberta a interpretações individuais e espontâneas”, comenta Elisa. A trilha sonora original e a iluminação, contribuem para uma atmosfera cênica de intimidade e vivacidade, embalando o público de modo delicado, lúdico e marcante no tema central do amor erótico.

 

A dramatúrgica da cena relaciona dança e teatro de modo híbrido, onde movimentos dançados, gestos e ações físicas ocorrem ao mesmo tempo, o que, para Elisa, desenha uma encenação em ‘dança-teatro’: “há momentos puramente gestuais e outros nos quais a dança se intercala com posturas e ações físicas, em uma espécie de teatro físico”, justifica a diretora, e acrescenta, “não há diálogos falados em cena”.

 

 

Ficha técnica:

Elisa Teixeira (direção, criação, atuação e coreografias)

Katiane Negrão (assistência de direção e colaboração na preparação do elenco)

Clara Sales (criação e atuação)

Cristhian Cantarino (criação e atuação)

Rafael Alves (criação e atuação)

Luís Oliviéri (trilha sonora)

Camilo Soudant (iluminação)

Eduardo Barón (figurinos)

Maíra Zannon (design gráfico e fotografia)

 

 

Serviço:

Espetáculo: “Eros”

Gênero: Dança-teatro

 

Local: Teatro Garagem, SESC da 913 Sul

Dias: 17, 18 e 19 de março

Horários: Sexta e sábado, às 21h e domingo, às 20h.

 

Duração: em torno de 1 hora

Ingressos: 15 a inteira e 7,50 a meia

Classificação indicativa: 14 anos

Informações: 61 98182-0527

Apresentação: FAC – Fundo de Apoio à Cultura, da Secretaria de Cultura do Governo de Brasília.

Apoio: Centro Universitário Instituto de Ensino Superior de Brasília – IESB.

 

 

 

A concepção do projeto, por Elisa Teixeira de Souza

 

Eros tem suas origens em um solo de dança que dancei quando tinha 25 anos; um solo inspirado no livro Fragmentos de um discurso amoroso, de Roland Barthes. O solo era, ao mesmo tempo, um elogio à paixão, um ânimo afetivo e uma atitude de sublimação do sentimento de abandono: eu queria dançar o amor para honrar ele e para assimilar ele. A experiência desse solo me incentivou a continuar investigando o tema do amor erótico na poesia cênica, e assim nasceu o desejo de criar um segundo trabalho artístico para o amor erótico. Esse desejo, por sua vez, fez brotar em mim o desejo de criar trabalhos artísticos voltados para outros tipos de amor. Então, criei o projeto Trilogia do Amor, que pretende materializar um grupo de três obras em dança-teatro: uma para o amor erótico, uma para o amor fraternal e uma para o amor universal.

 

Houve uma vontade de refletir mais amplamente a respeito desse sentimento tão complexo: o amor. Os diferentes tipos ou naturezas de amor foram discutidas por diferentes filósofos ao longo da história da humanidade, como Sócrates, que se referia ao amor eros, ao amor philia e ao amor ágape para fazer menção, consecutivamente, ao amor da atração sexual, ao amor proveniente de afinidades mentais e culturais e ao amor resultante de afinidades espirituais.

 

Foi inspirada em classificações do amor, como a socrática, que eu me propus a trabalhar artisticamente, em linguagem de dança-teatro, três tipos de amor: o amor erótico; o amor fraternal, que identifico ser um amor que se relaciona com a irmandade espiritual ou amizade, como também com a paternidade/maternidade; e o amor universal, enquanto amor pela própria existência, pelos seres vivos, pela natureza e por aquilo que se considera divino.

 

Eros é a primeira empreitada nessa viagem ao amor. Posteriormente, será criada uma encenação para o amor fraternal e, por último, uma encenação para o amor universal.

 

Meu interesse pelo amor me acompanha desde pequena, tendo sido um marco na minha vida o momento em que, na idade de sete anos, tomei conhecimento de um tipo de amor que pode existir entre mestre espiritual e discípulo. Sentir que o amor também existia nessa circunstância foi algo que me impactou. No início dos vinte anos, conheci a paixão intensa, e reconhecer a presença de um sentimento de fusão visceral com o outro me sensibilizou muito, além de ter me desnorteado também. Quando adentrei a segunda metade dos trinta anos, passei a me impressionar com a delicadeza e profundidade do amor fraternal. Não que eu não houvesse notado a existência desse sentimento antes, mas nessa fase da minha vida ele se revelou mais fortemente. Hoje também sinto de modo mais ampliado o amor universal.

 

Com a trilogia do amor, pretendo colaborar com o crescimento da sensibilidade no mundo.

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