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Espetáculos de Dança em São Paulo

Pó de Nuvens

Bom Retiro 958 Metros

Pó de Nuvens | Foto: divulgação

Por Márcia Marques / Canal Aberto Assessoria de Imprensa

Pó de Nuvens estreia dia 16 de março, sábado, às 20h, no Sesc Pinheiros

Costurando as linguagens da dança contemporânea e da música com a literatura, o espetáculo retrata os hábitos e a poesia do cotidiano mineiro. À convite da diretora do grupo, Suely Machado, a dupla Denise Namura e Michael Bugdahn (da companhia francesa À Fleur de Peau) assina a concepção e coreografia da obra. No palco, nove bailarinos dançam trechos das músicas Caicó, Pablo e Paula e Bebeto, entre outras.
O real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia.” Do escritor mineiro Guimarães Rosa, a frase, mais do que pertencer a sua obra-prima, Grande Sertão: Veredas, se aplica perfeitamente a trajetória de 30 anos do grupo de dança Primeiro Ato e seu novo espetáculo, Pó de Nuvens, que estreia dia 16 de março, sábado, às 20h, no Teatro do Sesc Pinheiros.

Com concepção e coreografia da paulistana Denise Namura e do alemão Michael Bugdahn (que vivem em Paris há mais de 30 anos e dirigem a companhia francesa À Fleur de Peau), Pó de Nuvens tem a proposta de retratar por meio da dança contemporânea as particularidades, a leveza, a poesia e a universalidade da cultura mineira. Para isso, o grupo se valeu das obras e do universo do cantor e compositor Milton Nascimento e do romancista e poeta Guimarães Rosa, expoentes da cultura mineira e nacional.

O trabalho marca as comemorações de 30 anos de carreira do grupo mineiro Primeiro Ato que, com mais de 17 espetáculos em sua história, tornou-se notório pela multidisciplinaridade de suas montagens e pela intersecção entre a dança e diversas linguagens artísticas como o teatro, a mímica, as artes plásticas e a poesia. Em Pó de Nuvens, o diálogo é entre dança, literatura e música. Em cena, os bailarinos Ana Virginia Guimarães, Alex Dias, Danny Maia, Jonatas Raine, Lucas Resende, Marcela Rosa, Pablo Ramon, Vanessa Liga, Verbena Cartaxo.

Composta principalmente por fragmentos de canções de Milton Nascimento e composições originais de Michael Bugdahn, a trilha sonora se une aos elementos de cena e carrega os movimentos da coreografia, estabelecendo os temas e o ambiente da “mineiridade”.

Entre as composições de Milton Nascimento, a trilha destaca Pablo (do álbum Milagre dos Peixes, 1973, parceria com Ronaldo Bastos), a cantiga Caicó (gravada em Sentinela, 1980) e Paula e Bebeto (de 1975, parceria com Caetano Veloso). “A trilha sonora vai em conjunto com os movimentos, as luzes e os vídeos – é um todo. Como uma máquina onde cada parafuso tem uma função e tudo funciona junto”, afirma a coreógrafa Denise Namura.

Organizado como um livro – com cenas representando capa, prefácio e capítulos –, o espetáculo busca na literatura referências não só estruturais como de significado. “Nos inspiramos tanto na vida quanto na obra de Milton e Guimarães, buscando imagens ligadas a eles, emoções sentidas a seu contato, frases e personagens de suas obras e de Minas em geral”, comenta Michael.

Cores de Minas
Composto por roupas do dia a dia e inspiradas nas cores de Minas, o figurino “é simples e sofisticado. Buscamos a gama de cores da terra, do minério, do pôr do sol, das árvores, das montanhas, de todas aquelas imagens do imaginário mineiro”, segundo Suely Machado, diretora do grupo.

Em contraste ao tom da terra e da flora, entra a iluminação, de autoria do próprio coreógrafo Michael. “Buscamos trazer o azulado do céu de Minas por meio de tons de lilás e azul. A ideia é fazer o público sentir como se estivesse no alto da montanha, um belo horizonte, em um tempo que parece flutuar”, afirma Suely.

A performance utiliza objetos em cena para construir situações do cotidiano mineiro, como banquinhos que representam tanto os “cantinhos de prosa” dos mineiros como o “sobe e desce” das montanhas de Minas, além de folhas de papel espalhadas pelo chão de onde os bailarinos “se extraem” por meio de movimentos – como personagens saídos da obra de Guimarães. O palco ainda abriga escada e escrivaninha com cadeira e livros.

O ambiente familiar – muito presente no universo de Guimarães e representado em uma dança interpretativa da música Cálice (de Chico Buarque e Gilberto Gil) –, os trejeitos do mineiro, seus costumes e sua poética dos detalhes são capturados por um olhar plural e colaborativo, composto pelas experiências do grupo no interior e fora de Minas.

Ficha Técnica: Direção Geral e Artística: Suely Machado. Assistente de Direção: Marcela Rosa. Concepção e Coreografia: Denise Namura e Michael Bugdahn. Elenco: Ana Virginia Guimarães, Alex Dias, Danny Maia, Jonatas Raine, Lucas Resende, Marcela Rosa, Pablo Ramon, Vanessa Liga, Verbena Cartaxo. Bailarina estagiária: Cecília Cherem. Maitre de Dança: Betinna Belomo. Pianistas: Imaculada.

INFORMAÇÕES
Data: 16 e 17 de março de 2013
Horário: sábado às 20h e domingo às 18h. Ingressos R$ 20,00 (Inteira), R$ 10,00 (usuário matriculado no SESC e dependentes), R$ 5,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes).
Duração: 90 Minutos.
Classificação indicativa: livre

LOCAL - SESC Pinheiros - (Capacidade – 1010 lugares)
Paes Leme, 195 - Pinheiros
Telefone 11 3095-9400 fax: 11 3095-9402. www.sescsp.org.br
Mais+ informações: Agenda Cultural São Paulo