TEATRO - SÃO PAULO

Estação Paraíso/12

Estação Paraíso/12

Foto: João Caldas

Por Douglas Picchetti / Arteplural

Com texto e direção de Celso Frateschi, Estação Paraíso/12

16 de março a 06 de maio de 2012 - Teatro Ágora

Sentado, frente ao palco, Celso Frateschi olha atentamente seus atores na construção de uma mise-en-scène de um novo espetáculo. Em seu caderno, faz algumas anotações e passa cada orientação atentamente. Da mesma maneira que expõe suas reflexões, escuta os atores e os auxilia na criação da verdade no momento da interpretação. É o responsável pela direção e texto de Estação Paraíso/12, que estreia sexta-feira, dia 16 de março, às 21 horas, no Teatro Ágora. A montagem conta com os atores Fernando Nitsch e Tayrone Porto, cenografia e figurinos de Sylvia Moreira e iluminação de Wagner Freire.

Estação Paraíso/12 traz um embate entre dois personagens que se encontram em um buraco do metrô. O Branco é um homem cheio de desilusões, por isso decide dar um fim na própria vida. Já o Negro é uma espécie de anjo da morte. Um encontro que trará questões envolvendo intolerância e preconceito, uma metáfora para a crise social contemporânea.

A trama se passa em um tempo e espaço ficcional, não realista. O Branco perambula com uma bíblia em punho, recitando o apocalipse, enquanto o Negro aparece de forma silenciosa, gerando um choque entre ambos. Com o decorrer da história, eles passam por reviravoltas, as situações se invertem, uma sombra se rebela e cria vida própria como nos tempos de Abaddon - termo em hebraico que significa destruição e é citado nos livros de Jó e Apocalipse.

A dramaturgia toca em questões envolvendo filosofia, intolerância, preconceito, o buraco onde se encontram é uma metáfora para uma crise social no mundo contemporâneo. “Venho escrevendo a história há mais de 10 anos, passou por várias camadas, tem uma vida longa, trabalhado de forma cuidadosa. Os personagens entram em uma jornada de entendimento e desentendimento, são vítimas e responsáveis pelos próprios atos”, diz Celso Frateschi.

Fernando Nitsch interpreta o Branco. “Homem que está cheio de desilusões, por isso decide ir para o buraco do metrô e acabar com a própria vida”, explica o ator. “Porém, encontra o Negro e decide expurgar todos suas intolerâncias antes de fechar a última etapa.” Fernando comenta que o texto aborda assuntos atuais e questiona o estilo de vida de pessoas que dão valor a banalidades. “Celso disse uma frase que contribuiu para pensar mais sobre a trama durante o processo: ‘A desimportância liberta’.”

Já Tayrone Porto faz o contraponto ao viver o Negro. “É um anjo da morte, uma sombra do Branco. Quando os dois se encontram, existe um embate violento, um tempo que se dilata e faz uma reflexão antes de encerrar um ciclo. A peça trabalha mais com o preconceito racial, todavia existe uma abordagem sobre o tema de maneira ampla e social.”

O movimento dos atores utiliza todos os espaços do palco - que foi ampliado para a temporada de 2012 no Teatro Ágora. A encenação exibe uma linha tênue entre a ancestralidade animal e a sensibilidade dos personagens. As palavras funcionam como guia para trilhar o caminho entre os dilemas a cada frase.

Texto e Direção: Celso Frateschi. Elenco: Fernando Nitsch e Tayrone Porto.

INFORMAÇÕES  - Estação Paraíso/12
Datas: 16 de março a 06 de maio de 2012
Horários: Sextas e Sábados, às 21h e Domingos, às 19h
Preços: R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia). 
Classificação etária: 18 anos
Duração: 60 minutos.

LOCAL - TEATRO ÀGORA (Sala Giani Ratto)
Rua Rui Barbosa, 672 – Bela Vista. Telefone – (11) 3284-0290. Bilheteria – de segunda a domingo das 14 às 20 horas. Não aceita cartão. Tem ar condicionado. Tem acesso para deficientes físicos.