
Por Décio Hernandez Di Giorgi
Solar é a terceira do ciclo de exposições temporárias que teve início em julho de 2010 com Glossário, de Regina Silveira, e seguiu com Fundo, de Sonia Guggisberg, inaugurada no último mês de outubro. Nesta instalação, Sandra faz uso do desenho, de sua experiência emocional com cores e formas para transformar “espera em esperança”, suspendendo no tempo no e espaço a percepção do hall de convivência do hospital.
Na primeira parte da obra, Sandra propõe uma experiência cromática. Recobre a totalidade dos vidros do salão com tiras adesivas em amarelo, cinza e azul, criando uma escala tonal que remete ao nascer e também ao pôr-do-sol, “momentos do dia em que tudo é mais tranqüilo e nos convida à reflexão”, assinala.
É nesse ambiente de vibração cromática que é apresentada uma escultura ao mesmo tempo lúdica e nostálgica, um cavalo de carrossel azulado, a que se mimetizam outros dois brinquedos: um bambolê e um peão sonoro. “A forma circular do aro, o movimento do carrossel e o giro do peão são cíclicos como a vida”, atesta.
Ainda no salão, encontram-se uma esfera azul e uma coluna agigantada. Segundo a artista, o simbolismo da forma arredondada e a falta de proporção à la Magrittte da coluna contribuem para que o visitante se deixe enlevar pelo ambiente enquanto faz associações livres, criando novas relações entre elas.
A grande instalação Solar conta ainda com um convite ao desenho, técnica predileta da artista. Uma mesa, que acompanha a curva do edifício projetado por Oscar Niemeyer, além de cadeira, papel, lápis e envelopes selados chamam a atenção do visitante, que ali tem a oportunidade de desenhar e, em seguida, enviar uma correspondência para seus queridos. “Com essa parte da instalação, divido a autoria do meu trabalho com esse visitante, convidando-o a se expressar por um meio de comunicação já não tão usado nos dias de hoje: a carta. Este desvio no tempo corrobora um dos objetivos da obra”, declara Sandra.
Curadoria de arte contemporânea para um novo espaço
Idealizada pela curadora independente Rejane Cintrão, a série de exposições organizadas para o Espaço Cultural do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos tem seu ponto de partida na apropriação do espaço de convivência do hospital. Cada um dos artistas convidados foi instado a recriar a área de uma grande sala envidraçada por onde passam pacientes, médicos, visitantes e prestadores de serviço. Nesse sentido, a proposta é um desafio para aplicação de materiais e de procedimentos não apenas aos metros cúbicos de uma sala, mas a um dado ambiente sem, contudo, interferir em sua utilização, já que por ali circulam diuturnamente distintos públicos. A realização das exposições se inscreve no Programa Bem Viver do hospital, que visa promover uma convivência mais próxima e afetiva entre os mais de oito mil usuários diários da instituição, localizada na Vila Clementino, zona sul de São Paulo.
Sandra Cinto nasceu em Santo Andre, SP, em 1968. Vive e trabalha em São Paulo. É escultora, desenhista, gravadora, professora e orientadora do grupo de estudos de arte Ateliê Fidalga. Iniciou sua trajetória na década de 1990 e já participou de importantes mostras no mundo todo. Cria imagens fantásticas, que apresentam afinidade com o trabalho do pintor belga René Magritte (1898-1967). Em sua produção, há obras em que sonho e realidade parecem coexistir em silenciosa e contraditória harmonia.
Serviço:
Evento: Exposição site specific Solar, de Sandra Cinto
Abertura: 1º de março, terça-feira, das 19 às 22 horas
Período expositivo: 2 de março a 29 de maio de 2011
Local: Espaço Cultural do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos
Endereço: Rua Borges Lagoa, 1450 – Vila Clementino - São Paulo/SP
Horário de funcionamento: 24 horas
Telefones: (11) 5080 4000
Entrada livre e gratuita
www.hpev.com.br
Copyright © 2007 • Nossadica • Todos os direitos reservados • Mapa do site • WebMaster • HostDica Serviço de Internet