Teatro Rio

TEATRO RIO DE JANEIRO

Farsa da Boa Preguiça

Teatro - Farsa da Boa Preguiça

Foto: Silvana Marques

Teatro Carlos Gomes

Da obra de Ariano Suassuna

Por Daniella Cavalcanti Assessoria de Imprensa

De volta ao Rio Farsa da Boa Preguiça Teatro Carlos Gomes

Direção de João da Neves

Com Guilherme Piva, Bianca Byington, Ernani Moraes, Daniela Fontan e grande elenco

4 Indicações ao Prêmio Shell de Teatro RJ (melhor direção, atriz – Bianca Byington, figurino e música)

“Ô mulher, traz meu lençol, Que eu estou na rede deitado!” Joaquim Simão

Temporada: de 01 de outubro a 20 de dezembro

Depois do sucesso de público e crítica em São Paulo, a comédia musical Farsa da Boa Preguiça, de Ariano Suassuna, está volta ao Rio de Janeiro e inicia, no dia 01 de outubro, no Teatro Carlos Gomes, no Centro. O espetáculo conta com a direção de João das Neves, um dos fundadores do “Grupo Opinião” e que esse ano completa 50 anos de carreira. No elenco de protagonistas, Guilherme Piva, Bianca Byington e Ernani Moraes. Juntam-se a eles os atores Daniela Fontan, Leandro Castilho, Vilma Melo, Fábio Pardal e Francisco Salgado.

“Acho meio desonesto aceitar um trabalho que não sei fazer!”, Joaquim Simão

A peça, indicada para todas as idades, inclusive jovens e adolescentes, narra a história de Joaquim Simão (Guilherme Piva), poeta de cordel, pobre e "preguiçoso", que só pensa em dormir. Joaquim é casado com Nevinha (Daniela Fontan), mulher religiosa e dedicada ao marido e aos filhos. O casal mais rico da cidade, Aderaldo Catacão (Ernani Moraes) e Clarabela (Bianca Byington), possui um relacionamento aberto. Aderaldo é apaixonado por Nevinha e Clarabela quer conquistar Joaquim Simão. Três demônios fazem de tudo para que o pobre casal se renda a tentação e caia no pecado, enquanto dois santos tentam intervir. Jesus observa e avalia tudo. A partir daí, situações inusitadas e muito divertidas fazem deste texto uma das peças mais divertidas do teatro brasileiro.

“Ao encenar esse texto queremos reverenciar o mestre Ariano Suassuna e sua obra. Queremos celebrar, com carinho e alegria, aquilo que somos: artistas do povo brasileiro”, resume João das Neves, diretor do espetáculo.

O evento promove ainda o lançamento oficial do “Museu Digital Ariano Suassuna” www.arianosuassuna.com.br, que apresenta todo o acervo do artista, distribuído em coleções e sub-coleções, como bibliografia, exposições, manuscritos, entrevistas, correspondências, obras de arte, fotografias etc. Esse acervo, uma vez convertido em imagens digitais, amplia enormemente seu potencial de fruição, numa proporção impossível de ser atingida pelas visitas locais ao acervo físico. Um presente para os admiradores desse grande mestre e homem.

O elenco divide o palco com mamulengos

Durante os ensaios, por sugestão do diretor, os atores fizeram oficinas de mamulengos - tipo de fantoche típico do Nordeste, especialmente em Pernambuco - com o artista plástico Gil Conti. O grupo se saiu tão bem, que o diretor resolveu utilizá-los em cena. Os mamulengos representam cada personagem e trazem as características físicas de cada ator. Durante o espetáculo os personagens são representados também pelos bonecos.

A música está presente em todo espetáculo

Com um texto rimado, característica muito presente nas obras de Ariano, Alexandre Elias, diretor musical da montagem, musicou vários momentos do espetáculo. Entre eles a música de abertura, composta pelo próprio João das Neves. Segundo Alexandre, são 15 músicas no total. “A sonoridade que estou construindo para o espetáculo é a que encontramos no universo do Ariano, uma mistura de musica nordestina de raiz, música folclórica, e, como não poderia deixar de faltar, música armorial. Essa música armorial é uma mistura da música nordestina de raiz com música medieval e clássica”, explica Elias.

A partir disso, o diretor pediu para que os próprios atores cantassem, dançassem e tocassem diversos instrumentos, como violão, cavaquinho, percussão, entre outros. Leandro Castilho e Flavio Pardal, inclusive, aprenderam a tocar rabeca com o mestre Daniel Bitter. E tiveram o privilegio de terem seus instrumentos construídos pelo famoso Nelson da Rabeca.

“Mesmo quando o ator vem me dizer que não sabe cantar nem tocar nada eu o coloco pra ralar e, no final, todos viram músicos. Porque, ao meu ver, a música está dentro de todas as pessoas, todos nós somos seres musicais e podemos fazer música e cantar. O canto é nosso instrumento musical natural e orgânico”, acrescenta.

Nordeste de Ariano inspira cenário e nos figurinos

Outro destaque da montagem, o cenário de Ney Madeira, contará com detalhes de algumas iluminugravuras do Ariano Suassuna e xilogravuras de Jota Borges, este, considerado pelo autor o maior artista popular de todos os tempos.

Completando a ficha técnica, Rodrigo Cohen criou figurinos super coloridos, inspirados nos festa populares da região.

Depois da temporada no SESC, o espetáculo entrará em cartaz, em maio, em um teatro da Zona Sul.

Sobre Ariano Suassuna

Ariano Suassuna dispensa apresentação, mas nunca é demais ressaltar que o trabalho do romancista e dramaturgo é uma dos mais importantes referências da literatura brasileira. Fundador do “Movimento Armorial”, Ariano tem sua obra permeada por valores e personagens da cultura popular nordestina e de clássicos da literatura universal. O autor dos célebres “O Auto da Compadecida” e “A Pedra do Reino”, é o poeta das raízes mais fundas da nacionalidade, um defensor militante da cultura do Nordeste, tendo sido comparado a Dante e Cervantes.

A realização do projeto “Ariano Suassuna 80”, em curso, tem o objetivo maior de valorizar a obra de Ariano Suassuna, organizando-a e divulgando-a, através da realização de diversas ações multimídia (literatura, internet, teatro, cinema, palestras etc.), direcionadas para todos os públicos, com a finalidade de perpetuar sua memória. O programa de ações tem abrangência nacional.

Sobre João da Neves

João das Neves (Rio de Janeiro, 1935). Diretor e autor.

Iniciou sua carreira profissional em 1959 com os espetáculos “O Noviço”, de Martins Pena; “A Grande Estiagem”, de Isaac Gondim; e “Caminho da Cruz”, de Paul Claudel. Ambos com o grupo “Os Duendes”.

Em 1964, funda, ao lado de por Ferreira Gullar, Oduvaldo Vianna Filho, Teresa Aragão, Paulo Pontes, Pichin Plá, Armando Costa e Denoy de Oliveira, o Grupo Opinião, um dos principais focos de resistência político-cultural das décadas de 1960 e 1970, que esse ano completa 45 anos de estrada.

Durante doze anos cria espetáculos para o grupo. Seu primeiro texto montado, “O Último Carro”, metáfora do Brasil em um trem desgovernado, ficou quatorze meses em cartaz no Rio de Janeiro e depois foi para São Paulo.

Afinado com as propostas artísticas e ideológicas desse grupo, o diretor sempre privilegiou montagens de textos, tanto nacionais quanto estrangeiros, que poderiam servir de enfoque para a situação política do Brasil nos anos da ditadura militar, tais como: “A Saída, Onde Fica a Saída?” (1967), de Armando Costa, Antônio Carlos Fontoura e Ferreira Gullar; “Jornada de Um Imbecil até o Entendimento” (1968), de Plínio Marcos; “Antígone” (1969), de Sófocles, numa tradução de Ferreira Gullar; “A Ponte sobre o Pântano” (1971), de Aldomar Conrado; e “O Homem é Um Homem”, de Bertolt Brecht, tradução de Aldomar Conrado.

João das Neves recebeu o prêmio Molière de melhor direção, o prêmio Brasília de melhor autor, ambos em 1976, e o prêmio Mambembe de melhor diretor, em 1977.

No fim da década de 1980, mudou-se para Rio Branco, onde, com atores amadores vindos de grupos de periferia, funda o Grupo Poronga. Com eles realizou o “Tributo a Chico Mendes”, peça baseada na história do líder dos seringueiros, assassinado por fazendeiros do Acre, em 1988, espetáculo apresentado nas principais capitais do Brasil.

Na década de 90 se estabeleceu em Belo Horizonte, onde, em 1992, adaptou e encenou o espetáculo “Primeiras Estórias”, baseado no livro de homônimo de Guimarães Rosa, que também foi remontado com formandos da Universidade Estadual de Campinas - Unicamp.

A carreira de João das Neves revela um diretor que busca, por meio do teatro, a reflexão sobre as contradições da sociedade brasileira. A crítica e ensaísta Ilka Marinho Zanotto traça um perfil do artista: “João das Neves é um homem de teatro total”.

Ficha Técnica
Autor - Ariano Suassuna
Direção cênica - João das Neves
Direção musical - Alexandr e Elias
Figurinos - Rodrigo Cohen Cenógrafo - Ney Madeira
Iluminação - Paulinho Medeiros
Direção de produção - Andréa Alves
Realização - Sarau Agência de Cultura Brasileira

Elenco
Guilherme Piva, Joaquim Simão
Bianca Byington, Dona Clarabela
Ernani Moraes, Aderaldo Catacão
Daniela Fontan, Nevinha
Flavio Pardal, Miguel Arcanjo e Quebra-Pedra (o Cão Caolho)
Francisco Salgado, Simão Pedro
Leandro Castilho, Fedegoso (o Cão Coxo) e Manuel Carpinteiro
Vilma Melo, Andreza, a Cancachorra

FARSA DA BOA PREGUIÇA
Estreia: dia 01 de outubro
Não haverá apresentações: de 29/10 a 15/11
Local: Teatro Carlos Gomes (Praça Tiradentes s/n – Centro – Rio de Janeiro).
Horário: Quinta a sábado, 19h30; domingo, 19h. Até 20 de dezembro.
Preço: R$30,00.
Temporada: de 01 de outubro a 20 de dezembro.
Duração: 120 minutos.
Classificação indicativa: Livre.
Capacidade do Teatro: 677 lugares.
Horário da bilheteria: de 13h até a hora do espetáculo.