TEATRO - RIO DE JANEIRO

Farnese de Saudade

Fotos: Rodrigo Castro

Por Astrolábio Comunicação / Sabrina Schemberg

‘Farnese de Saudade’, monólogo sobre o artista plástico Farnese de Andrade

10 de março a 29 de abril de 2012 - Espaço Cultural Sergio Porto

Em 2008, Vandré esteve em Paris onde visitou a exposição de Louise Bourgeois. “Quando avistei a obra PASSAGE DANGEREUX (1997) fiquei em choque”, lembra o ator. “Era como se outra pessoa no mundo tivesse feito a obra de Farnese num outro suporte, numa outra linguagem”. Em 2010, tendo como inspiração a obra de Louise, Vandré projetou a instalação de “Farnese de Saudade”,uma gaiola de ferro, no formato de uma cruz, em referência à religiosidade mineira, que é também uma delimitação do espaço da encenação. Para montá-la e ensaiar, ele precisava de um galpão, com pé direito alto. Após uma intensa busca, encontrou há um ano, uma garagem em Santa Teresa, no Rio de Janeiro, onde o cenário foi instalado para que pudesse ensaiar.

A instalação é uma obra à parte. A partir de peças e símbolos do universo farnesiano,Vandré garimpou durante dois anos objetos nas areias das praias de Botafogo e do Flamengo, em antiquários e na feira da Praça XV no Rio de Janeiro, locais que fizeram parte da trajetória do artista plástico, que morou no Rio de Janeiro. “Saí à procura de cabeças de bonecas, ex-votos, imagens de gesso de santos, oratórios, gamelas, caixas”, lembra Vandré, que continua frequentando a feira da Praça XV, que era a segunda casa de Farnese. “Comprei apenas elementos que ele usaria em suas montagens. As cabeças de bonecas utilizadas são francesas e alemãs de porcelana. O oratório é mineiro, do século XIX”. São objetos caros que se misturam com outros, mais simples, como madeiras desgastadas pela ação do tempo.

Vandré, que atuou nos espetáculos “TransTchecov” e “Dois Jogos: Sete Jogadores”, do Studio Stanislavski, convidou Celina Sodré para dirigir a montagem. “É uma diretora com grande apuro estético, o que torna a identificação ainda maior. Todos os trabalhos dela tem estreita relação com as artes plásticas e desta forma foi natural a continuidade de trabalharmos juntos”, conta. “O olhar dela foi fundamental no direcionamento de tanto material coletado”.

Durante cinco anos, buscou incentivo fiscal através de editais e, após diversas negativas,também de pautas nos teatros no Rio, decidiu fazer a montagem sem investimento. Finalmente, em 2011, foi contemplado com o Prêmio de Montagem Cênica da Secretaria do Estado da Cultura, que viabilizou a estreia do projeto.Leia mais - Farnese de Saudade

Texto: Texto: Dramaturgia coletiva, a partir de fragmentos de manuscritos, deentrevistas e do filme “Farnese”, de Olívio Tavares de Araújo.
Direção:Celina Sodré | Com Vandré Silveira

INFORMAÇÕES
Datas: 10 de março a 29 de abril de 2012
Horários: sexta a sábado, às 20h e domingo, às 19h
Preço: R$ 20,00 (inteira) R$ 10,00 (meia)
Classificação etária: 16 anos
Duração: 45 minutos

LOCAL- Espaço Cultural Sergio Porto
Galeria Marcantonio Vilaça (45 pessoas)
Rua Visconde Silva s/n - Humaitá - Informações: (21) 2535-3846

SOBRE FARNESE DE ANDRADE

Farnese nasceu em Araguari, cidade do Triângulo Mineiro, e posteriormente mudou-se para Belo Horizonte. Estudou na Escola do Parque, com o mestre Alberto da Veiga Guignard. Devido às crises de tuberculose, ficou quase dois anos internado em um sanatório, em Correias, no estado do Rio de Janeiro. A mãe mudou-se para o Rio, com o objetivo de acompanhar o tratamento do filho. Farnese estabelece uma forte ligação com o mar, a ponto de lhe atribuir sua cura. Desse contato, o artista experimenta um sentimento “oceânico” que influenciou profundamente sua obra.