Artes e Teatro

ARTES: teatro, música e projeções em vídeo

“FESTA DE SEPARAÇÃO: UM DOCUMENTÁRIO CÊNICO”

FESTA DE SEPARAÇÃO

Foto: divulgação / Marilia Vasconcellos

Mezanino do Espaço SESC 

Artes Cênicas

Rompimento Amoroso é Levado aos Palcos em “Festa de Separação: Um Documentário Cênico

28 de maio a 20 de junho de 2010

28 de maio a de junho de 2010

Experiências pessoais da atriz Janaína Leite (Grupo XIX de Teatro) e do músico e filósofo Fepa foram usadas na composição da peça que mescla teatro, música e projeções em vídeo

Um casal de artistas decide se separar. Ela, atriz. Ele, músico, com formação também em filosofia. Juntos, enquanto casados, fizeram músicas, criaram roteiros de curtas-metragens, pensaram arte. Na hora da separação, não poderia ser diferente. Para contar esta história, Janaína e Felipe organizaram festas para amigos e parentes que deram depoimentos sobre suas próprias experiências – registrados em vídeo pelo documentarista e jornalista Evaldo Mocarzel.  As edições somadas a diversas referências à literatura e filosofia trazem uma reflexão sobre o amor contemporâneo e estão na peça Festa de Separação: Um Documentário Cênico. Com direção de Luiz Fernando Marques, a montagem estreia no Rio, no dia 28 de maio, no Mezanino do Espaço SESC, em Copacabana. A temporada será de sexta a domingo, até 20 de junho.

Mobilizados por questões como a crise do casamento enquanto instituição e a manutenção do modelo romântico como única perspectiva para a vida de um casal, sobretudo para essa geração – Janaína Leite, integrante do Grupo XIX de Teatro, e o músico e filósofo Fepa decidiram elaborar um projeto. “Já tínhamos uma parceria artística que se estabeleceu durante nosso relacionamento. As músicas, utilizadas na peça, foram compostas por nós enquanto estávamos juntos”, explica Fepa. “Pensamos em usar essa experiência como instrumento para a nossa própria reflexão e entendimento como casal e, depois, queríamos que essa discussão transbordasse os limites da esfera privada para ganhar status de discussão pública por meio da arte", completa Janaína. 

A narrativa da montagem é costurada pelas canções compostas pela dupla, textos de Platão e Paulo Mendes Campos. Uma palestra do professor e pesquisador Julio Groppa Aquino, que destrincha a lógica romântica do amor e propõe novas práticas no campo das relações, também serviu de inspiração. As reflexões foram determinantes para o casal: “Só podemos transformar uma experiência privada em arte porque entendemos que essas questões não dizem respeito somente a nós, são também um impasse do nosso tempo”, contam.

As festas de separação fizeram parte do processo criativo, onde articulavam material documental e ficcional. A maior parte dos vídeos é autêntica, a partir da vida de casal: em casa, em viagens e também nas festas com depoimentos e situações. Contudo, durante a edição, o real foi manipulado como cênico: “uma fala que foi dita num contexto, por exemplo, dentro da peça, pode estar sendo usada em outro completamente diferente”, explica Janaína. E também tem a presença da ficção em vídeos que foram produzidos exclusivamente para a peça. Ou seja, faz parte do jogo permitir que o público remonte este quebra-cabeças, a partir de suas próprias referências.

O diretor Luiz Fernando Marques, que organizou todo material junto com o casal, foi fundamental para a construção da montagem, especialmente na transição entre as esferas do público e do privado. Segundo ele, a grande questão do projeto é ser um híbrido entre o documentário e o teatro. “De cara, o que temos em cena não são propriamente personagens, já que Fepa não é ator e ambos assumem suas próprias identidades”, analisa. Uma questão importante para o trabalho de direção foi encontrar a comunhão entre a palavra, a música e o vídeo. “Estas três linguagens se casam e separam durante a peça, foi muito gostoso e divertido brincar e perceber as possibilidades destas intercessões”, diz Marques. A experiência com trabalhos em vídeo do músico Felipe Teixeira Pinto contribuiu para que todas as linguagens tivessem o mesmo peso em cena. 

A projeção dos vídeos ocupa todo o fundo da cena e o cenário é composto por pequenos adereços dos próprios artistas como livros, instrumentos musicais e alguns presentes que o casal ganhou durante as festas. A música é executada ao vivo por Felipe.

O jornalista Evaldo Mocarzel, convidado para registrar as festas, propôs a criação de material em vídeo para um documentário cinematográfico, uma obra independente da peça, que será lançado por ele, sobre o processo de criação do espetáculo. A equipe gravou cenas em estúdio e em espaços de memória do casal – como casas, lugares e ruas do bairro onde viveram. Essa parte do projeto foi proposta e dirigida por Mocarzel em parceria com Luiz Fernando Marques. A participação do documentarista no processo de criação foi fundamental para os intérpretes. “Ele foi um observador e um crítico presente e provocador. Esteve em todas as festas, registrando esses acontecimentos com olhar atento e generoso, e soube entender a delicadeza dessa experiência”.

A peça estreou em setembro de 2008 no projeto Vitrine Cultural, do Centro Cultural Grupo Silvio Santos (SP). Com curadoria de Kil Abreu e Valmir Santos, apenas 12 montagens foram selecionadas entre mais de 400 inscritos. Sucesso de público e crítica, “Festa de Separação: um documentário cênico” esteve entre as 10 melhores peças em cartaz na cotação da Veja São Paulo e também na Revista Bravo, em outubro de 2009, e teve temporada prorrogada por três vezes consecutivas. Em maio, completa sete meses em cartaz.

Concepção, Execução e Músicas: Janaína Leite e Fepa | Direção: Luiz Fernando Marques | Colaborador Teórico: Júlio Groppa Aquino | Colaborador Audiovisual e Documentário: Evaldo Mocarzel | Consultoria Vocal: Lú Horta | Consultoria Corporal: Paulo Azevedo | Fotografia e Câmera: Fepa, Felipe Bentivegna, Danilo Dilletoso e Fabiano Pierri | Edição: Fepa, Felipe Bentivegna e Danilo Dilletoso | Arte Gráfica: Oga Mendonça.

Local: Mezanino do Espaço SESC  (100 lugares)
Endereço: Rua Domingos Ferreira 60, Copacabana - Telefone (21) 2547-0156
Horário(s): Sexta e sábado, às 21h30. Domingo, às 20h
Data(s): Estreia 28 de maio, às 21h30. Até 20 de junho
Preço(s): R$16 (inteira) R$8 (meia) R$4 (comerciários)
Bilheteria: terça a domingo, a partir das 15h
Classificação: 14 anos | Duração: 75 minutos
Acesse o blog da peça: www.festadeseparacao.blogspot.com