Comentários de filmes

FILMES

"A Noiva Perfeita" de Eric Largau

A Noiva Perfeita

Foto: divulgação

Um jeito gracioso de falar das neuroses familiares

Filme

A Noiva Perfeita

Por Luiz Felipe Nogueira de Faria

• O convite apresentado nesta comédia romântica de Eric Largau se materializa logo nas primeiras cenas quando vemos o personagem principal Luis Costa (Alain Chabat) contar de maneira sucinta sua trajetória de solteirão convicto: transitar de maneira bem humorada pelas sendas de uma típica família burguesa moderna (pós anos70), com todas as suas estranhezas e, ao mesmo tempo, acompanhar as circunstâncias um tanto bizarras que fazem deste renifleur, figura máxima de uma fábrica de perfumes, um candidato a experimentar as surpresas do amor - enquanto busca se livrar do assédio das irmãs/mãe. Simples assim. Mas o principal não está exatamente na estória, igual a muitas outras, e sim no andamento dos diálogos e situações, marcadas pela agilidade e leveza.

A bem dizer, é na velocidade com que as cenas se concatenam que se desenha a peculiaridade dos personagens bem como a caracterização do hilário das varias situações, de um modo tal que a inteligência das tiradas exige muita atenção às nuances e sutilezas da trama. Nada que se pareça com um vídeoclipe, claro. O estilo francês permanece afirmado. Contudo, as passagens e alusões têm um lugar importante: quando Costa encontra pela primeira vez Emmanuelle (Charlotte Gainsbourg) num restaurante – ela, uma candidata a se fazer passar por noiva para aliviar o furor histérico da família, o diálogo (sexual) provocativo e algo inóspito que iniciam é mediado por referências irônicas aos fatos que povoam o imaginário social quanto à liberdade sexual e a ousadia feminina. E é exatamente no clímax da situação que surge Pierre-Ives, irmão de Emma, nada menos do que um grande amigo e companheiro de trabalho de Costa... Os dois não se dão por vencidos e continuam a se provocar, apoiando-se nas hipocrisias do bom comportamento social. Mas a afetação que os (des) une permanece em primeiro plano.

Este humor não se esgota em nenhum momento. Ele conduz a trama em vários momentos evitando que os clichês clássicos tornem o filme maçante. Além disso, é digno de nota o papel dado às mulheres e aos homens durante a maior parte da estória. Estes com uma óbvia fraqueza, assumida diga-se, e aquelas representando a força maior uns e outros se enganando (lembremos que o mote principal da comédia é uma mentira que Costa precisa contar para se ver livre das muitas mulheres que o pressionam e das quais depende, de maneira infantil) e com isto embaralhando sua força e lugares de poder. Nisto não há o recurso aos clichês tradicionais. Ao contrário, esses clichês são tratados como mais uma matéria para rir. (As cenas com a matriarca, Geneviéne interpretada por Bernardette Lafont são ótimas).

Desnecessário dizer que o roteiro (do qual participa o próprio Chabat) é um dos pontos altos do filme, assim como as interpretações, especialmente a da já citada Bernardette Lafont. Chabat e Gainsbourg –ele com uma expressão cínica que dá o tom do enredo e ela com sua beleza exótica, expressiva nos movimentos e no olhar-conduzem bem seus personagens, emprestando a malícia necessária aos desdobramentos de um romance que se inicia de maneira nada convencional. Destaque também para Gregoire Oesterman como Pierre-Ives, engraçadíssimo.

Resta dizer que “Prête-moi ta main” é agradável e faz o tempo passar rápido. Além de nos convidar a rir com Luis Costa, que se entrega ao ato de cheirar/ fazer os perfumes que encantam as mulheres, fazem-no muito sedutor e (quase) bem-sucedido até as últimas cenas, quando uma outra disposição dos lugares acontecerá.

O “perfume” que exala deste filme é gostoso e divertido. Vale a pena experimentá-lo.

Luiz Felipe Nogueira de Faria : contato

Poste um comentário

Navegue por NossaDica

Copyright © 2007 • Nossadica • Todos os direitos reservados • Mapa do siteWebMasterHostDica Serviço de Internet