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Festival e Música - Brasília

Filosofia do Rock - Ano II - Zelia Duncan (foto)

Filosofia do Rock - Ano II

Foto: Emmanuelle Bernard

Por Rodrigo Machado / Assessoria de Imprensa

Música

O CCBB traz para Brasília a série de encontros para desvendar as afinidades entre a cultura do Rock e correntes filosóficas contemporâneas.

Abrindo a programação, dia 25 de abril, Marcia Tiburi e Zelia Duncan fazem uma homenagem a Cassia Eller

Filosofia do Rock é a série de apresentações que o Centro Cultural Banco do Brasil Brasilia promoverá de abril a novembro. A intenção é buscar um diálogo entre o rock e a filosofia, traçando afinidades entre obras de nomes importantes do rock e a poética encontrada em suas canções com as principais correntes filosóficas do século XX.

Mestre e Doutora em Filosofia, Marcia Tiburi está à frente dos encontros que terão como convidados alguns destaques do cenário da cultura nacional como Zélia Duncan, Nelson Motta, Thedy Corrêa, Leoni, Wander Wildner e Elisa Gargiulo, que durante os encontros farão a plateia refletir sobre as questões antropológicas e históricas que definem o rock como fenômeno cultural.

“A filosofia é sempre crítica. Sua tarefa é pensar e a ideia destes encontros é pensar o rock, entender a história da juventude, ver em que sentido os jovens de ontem e de hoje se relacionam com o rock, tentar descobrir se o rock ainda tem algo a nos dizer”, informa Marcia Tiburi.

Marcia diz ainda que o objetivo é provocar pensamentos sobre o que se ouve, percebendo o que há além de sons e letras, quais as conexões com o estado da cultura, com as questões que se tornaram decisivas enquanto apareciam apenas como mero entretenimento da juventude.

Para o primeiro encontro, a convidada é Zélia Duncan, que abordará o tema “Cássia Eller, filosofia da performance da voz”. Uma das figuras mais importantes do rock nacional, Cássia Eller marcou um lugar no cenário musical destoando das cantoras brasileiras de sua geração, com suas interpretações marcantes e inesquecíveis.

O projeto teve sua primeira edição ao longo de 2011 nos CCBB’s do Rio de Janeiro e de São Paulo. Neste ano, acontece concomitantemente aqui em Brasília e no CCBB São Paulo.

INFORMAÇÕES
Datas: 25 de abril a 21 de novembro de 2012
Horário: Sempre das 20h às 22h
Ingressos: Entrada gratuita, mediante retirada de senha, distribuída uma hora antes do início do evento.
Classificação indicativa: 10 anos

LOCAL - Teatro I do Centro Cultural Banco do Brasil Brasília (SCES Trecho 2, lote 22)
Informações: (61) 3108.7600. O CCBB disponibiliza ônibus gratuito, identificado com a marca do Centro Cultural. O transporte funciona de terça a domingo, saindo do Teatro Nacional a partir das 11h. Confira o itinerário no site: www.bb.com.br/cultura

Programação em Brasília

Quem vai abrir a nova programação de Filosofia do Rock é a cantora e compositora Zélia Duncan, no dia 25 de abril, sob o tema ‘Cássia Eller, Filosofia da Performance e da Voz’. Zélia e Cássia começaram praticamente ao mesmo tempo e fizeram parte, juntas, do elenco de ‘Veja Você Brasília’, sucesso dos anos 80. Dos Mutantes e Raul Seixas, aos Titãs e ao Barão Vermelho, a história do rock nacional é o rio no qual não nos banharemos duas vezes. Cássia Eller é uma de suas figuras mais inesquecíveis ao assumir-se como intérprete do rock nacional. Só que Cássia fazia rock com qualquer canção. Destoando da cena mais habitual das cantoras brasileiras, Cássia perturbou os protocolos musicais com uma voz expressiva e uma performance de anti-diva. Seu modo antiperformático de ser e de cantar, confundiu o papel da voz  feminina na canção brasileira como um todo. Como cantora ela marca um lugar tão pós-feminista quanto pós-feminino nessa história. Quem somos hoje, depois de Cássia Eller? Um  tema que nos remete a obra de Paul Zumthor e com uns poucos filósofos que trataram da questão política da voz: Aristóteles e Agamben. Esse encontro é também uma homenagem à amizade e a admiração de Zélia Duncan – ela mesma parte da história do rock brasileiro - por Cássia Eller.

No dia 23 de maioNelson Motta fala sobre ‘Rolling Stones e as filosofias malditas’. Certas bandas de rock atingem o cérebro e o coração, outras os pés. Rolling Stones talvez seja a banda mais representativa da cênica rock and roll como afronta à moral, como deboche. Ao mesmo tempo, é uma banda antiga e seus músicos permanecem unidos trabalhando até os dias de hoje. É uma das bandas mais importantes da história do rock e de seu tempo presente e a aparentemente mais esvaziada de significados conceituais. Encenação de certa mística negativa, da profanação da metafísica por meio da liberdade do gozo corporal, ela dialoga com a obra de Georges Bataille e de toda a crítica da moral que entendeu o prazer como meio da emancipação humana.

Tendo ‘Paul Simon, Música e Incomunicabilidade’ como ponto de partida, no dia 27 de junho, o convidado Leoni, cantor e compositor, ajudará a refletir sobre a obra do compositor americano, que ficou famoso com Art Garfunkel com a canção ‘The Sounds of Silence’ nos anos 60. Nome importante do chamado folk rock, Paul Simon, assim como Dylan, foi porta-voz de sua geração, mas, oposto ao outro, não cantou o protesto ou a revolta, mas, sim, fez da canção do rock um instrumento de introspecção. Cantor da melancolia e a da fragilidade subjetiva, da solidão e da delicadeza, Simon é um dos artistas mais sofisticados musicalmente da história do rock. Os filósofos da confissão, de Rousseau a Benjamin, são os convidados para esta conversa sobre a descoberta de si.

Conhecido por fazer parte da banda Os Replicantes, que teve grande importância no punk rock nacional dos anos 80, o cantor e compositor Wander Wildner é convidado de 4 de julho, dia voltado a ‘Sex Pistols, Nietzsche, Música e Filosofia a Golpes de Martelo’. Contra tudo e contra todos, e, sobretudo, contra o poder e sua persona, Sex Pistols é a banda com a carreira mais curta e mais inesquecível na história do rock. Nietzsche, filósofo da provocação, da filosofia a golpes de martelo, poderia ter tocado com o grupo punk.

‘Madonna e Os Paradoxos do Pós-Feminino’ é tema da discussão do dia 22 de agosto, que conta com a presença de Carol Teixeira, escritora, filósofa, compositora e vocalista do Brollies & Apples. Madonna tornou-se uma artista pop, mas sua origem está no rock. Mais precisamente no punk rock que ela entendeu como uma saída da norma, um modo de se desencaixar do sistema. Afinal, Madonna conseguiu ou não contribuir para a evolução da emancipação feminina?

No dia 26 de setembroThedy Côrrea, da Banda Nenhum de Nós, volta a participar do projeto, em ‘Rock, Filosofia, Indústria Cultural e Juventude’. O nascimento do rock está ligado ao avanço das tecnologias sonoras, à questão da gravação e da reprodução técnica, mas também da indústria cultural. Música da juventude, mas não simplesmente de pessoas de pouca idade, o rock é a configuração performática de um estilo de vida que envolve um modo de vestir-se, de comportar-se, de ser e de pensar.

A programação avança para o dia 24 de outubro, com o filósofo, sociólogo, psicanalista e escritor Daniel Lins à frente do debate ‘Para Uma Metafísica do Rock: Bob Dylan e Gilles Deleuze’. A canção elevada à suporte para a poesia moderna de Bob Dylan encontra a filosofia do desejo de Gilles Deleuze. Enquanto Deleuze afirma sua filosofia como “criação de conceitos”, Dylan assume-se como “ladrão de pensamento” ou “ladrão de almas”.

Encerrando esta edição do projeto, no dia 21 de novembroElisa Gargiulo provoca a todos com o tema ‘O Segundo Sexo de Simone de Beauvoir e a história do Rock’. As mulheres não participam da história política, da arte ou da história do conhecimento senão como sujeitos esquecidos ou dominados em um cenário patriarcal. A história do rock participa dessa história. Ao mesmo tempo, o nascimento do rock é contemporâneo da intensificação do feminismo na segunda metade do século XX a partir da reflexão de Simone de Beauvoir. A ausência e a chegada das mulheres ao rock e do rock às mulheres é uma questão tensa. Embora autorizadas pela contracultura, as mulheres raramente ocuparam o espaço de expressão musical popular que foi o rock. As bandas de mulheres da virada do século nos fazem questionar os motivos desta presença quase rara.

CCBB Brasília
Aberto de terça-feira a domingo das 9h às 21h
SCES Trecho 2, conjunto 22 – Brasília/DF Tel: 61 3310-7087