
Por Heloisa Castilho / Arteplural
Após 60 apresentações pela Capital e Interior do Estado, atingindo a marca de 14 mil espectadores, espetáculo - que homenageia compositores como Benedito Lacerda, Billy Blanc, Dorival Caymmi, Carlos Gardel e Edith Piaf - faz temporada popular em teatro na zona Sul, a R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia)
Mira Haar e Carlos Moreno voltam a apresentar o show Florilégio Musical, no Teatro Paulo Eiró, no bairro de Santo Amaro. A montagem, dirigida por Elias Andreato, traz 40 músicas no repertório e prioriza o lado cômico das canções. Impossível não dar boas risadas com as performances divertidas dos dois atores.
Ao fundo, uma cortina de seda. Sobre um palco com arranjo de flores artificiais, Mira Haar e Carlos Moreno - com figurino nos mesmos tons de vinho do cenário, ela de vestido de baile, ele de smoking e sapato de verniz grená – apresentam o que definem como o espetáculo teatral musical Florilégio. Os arranjos e direção musical são do tecladista Jonatan Harold (também em cena).
Os dois atores-cantores na maior estica - ele de gravata borboleta, ela com taça de champanhe nas mãos -, o show intercala números musicais e trechos de poesia. Taça de vinho tinto nas mãos, Mira Haar e Carlos Moreno dançam, cantam e convidam a plateia a entrar no clima romântico de Besame Mucho (de Consuelo Velazquez). Em outro momento, mais modernos, de óculos escuros, mandam ver na versão em rap da cantiga O Cravo Brigou a Rosa, apresentando assim um bem-humorado coquetel de músicas.
De chapéu, Moreno imita Frank Sinatra em Strangers In The Night (Bert Kampfert, Charlie Singleton e Eddie Snyder), enquanto Mira arranca gargalhadas do público com suas caras e bocas na introdução de Nel Blu Dipinto Di Blu - Volare, de Mitchell Parish. No final do show, o público, de bom grado, aplaude este Florilégio – no dicionário, seleção de coisas notáveis, coleção de flores, coletânea de trechos literários.
A peça agrada por onde passa. “As apresentações de Florilégio foram ótimas, sempre com casa cheia, o público ficava tão animado que vinha falar conosco ao final do espetáculo”, comenta Mira Haar. Sobre o segredo deste sucesso Carlos Moreno acrescenta: “Imagino que o que tem atraído as pessoas seja, em primeiro lugar, o repertório. Ele conquista a todos porque atinge a memória afetiva e musical de cada pessoa, de diferentes formas para cada geração, mas sempre despertando lembranças que remetem, subjetiva e carinhosamente, aos bons tempos já vividos. Depois, o humor e a comunicação direta que estabelecemos com a platéia, que se sente convidada a participar do espetáculo. E, por último, mas talvez o mais importante, a amizade que Mira e eu temos, que é verdadeira, não está sendo representada por uma atriz e um ator.”
Humor e Poesia
Fermentado com poesia e humor, brindando a amizade que une os dois amigos e atores há mais de 40 anos, o show marca o reencontro dos dois artistas juntos novamente no palco depois de 25 anos. Mira e Carlos interpretam clássicos de grandes compositores nacionais e internacionais dos anos 50, como Lupicínio Rodrigues, Herivelto Martins, Billy Blanco, Carlos Gardel e Edith Piaf. A entrada é franca.
São 40 músicas no repertório, divididas em sete blocos (abertura, internacional, ufanista, natureza e sertão, flores, humor e celebração final). O set list vai do instrumental Abismo de Rosas, de Dilermando Reis (imortalizado no violão de Toquinho), passa por Onde Anda Você e Samba Em Prelúdio, de Vinicius de Morais; Asa Branca, de Luiz Gonzaga.
Na abertura, entram No Dia Que Me Queiras, Carlos Gardel; Onde Anda Você, Vinicius de Moraes e Hermano Silva; Alô Dolly (Hello Dolly), Jerry Herman e Michael Stewart (letra e música) ; versão Victor Barbera, Haroldo Barbosa e Max Nunes; Amigos para Sempre, música Andrew Lloyd Webber, letra Don Black. No segundo bloco abre espaço para um pot-pourri Internacional com Champagne, Di Francia e Depsa & Jodice; Só Nós Dois J. Pimentel.
Na seção Natureza e Sertão vem Luar do Sertão, Catulo da Paixão Cearense e João Pernambuco; Azulão, Jayme Ovalle e Manuel Bandeira; Uirapuru, Jacobina e Murilo Latini; Sabiá Lá Na Gaiola, Hervé Cordovil e Mário Vieira; Andorinha Preta, Breno Ferreira. Na parte entitulada Flores, o repertório reúne La Violetera, Jose Padilla Sanchez e E. Montesinos Lopes; A Jardineira, Benedito Lacerda e Humberto Porto; Rosas Vermelhas Para Uma Dama Triste, Roy C. Bennett e Sid Tepper; versão João Marques Negrão; A Namorada Que Sonhei, Nilton César; Das Rosas, Dorival Caymmi; Um Pouco de Perfume, Judith Junqueira Vilella e Irene Gomes.
O toque de bom humor fica por conta de Feiúra não é Nada, Billy Blanc, e Velho Enferrujado, Walfrido Silva e Cadê. No encerramento, Hino ao Amor, Edith Piaf e Marguerite Mannot, versão Odair Marsano; Começaria Tudo Outra Vez, Gonzaga Jr; Estão Voltando As Flores, Paulo Soledade, e Carinhoso, Pixinguinha e João de Barro.
"A proposta do espetáculo é fazer com que os jovens conheçam as antigas canções e os mais velhos possam reviver o encanto e a emoção das memórias dos bailes e festivais das décadas de 50 e 60. Uma época que, até hoje, é considerada como os Anos Dourados e o grande ápice da música popular brasileira e internacional", contam os Mira Haar e Carlos Moreno.
Sobre Carlos Moreno
Começou a carreira de ator nos anos 70, como co-fundador do grupo experimental Pod Minoga Studio. Com linguagem inovadora, o grupo deixou importantes influências nas artes cênicas e plásticas desse período. É ator exclusivo das campanhas publicitárias da Bombril há mais de 30 anos. Entre seus últimos trabalhos como ator em teatro destacam-se: Turistas & Refugiados, direção de Renata Melo; Quixote, com direção de Fabio Namatame; Fica Comigo Esta Noite e Sexo dos Anjos, ambos com autoria e direção de Flávio de Souza; Futebol, de Bia Lessa; Guerreiras do Amor, adaptado de Lisístrata por Domingos de Oliveira e dirigido por Celso Frateschi; Arte Oculta, dirigido por Elias Andreato; História do Homem, direção de Roberto Lage; e, Senhora Lenin e Pesadelo do Ator, ambas dirigidas por Márcia Abujamra. Em cinema, participou do longa-metragem Fogo e Paixão, de Isay Weinfeld e Marcio Kogan, e de vários curtas-metragens. Em televisão, participou do programa infantil Rá Tim Bum, da TV Cultura.
Sobre Mira Haar
É atriz, diretora, figurinista e artista plástica. Integrante do Pod Minoga Studio nos anos 1970, onde desenvolveu trabalhos coletivos de criação de textos, interpretação, confecção de figurinos e cenários etc. Em seu mais recente trabalho em teatro, escreveu e atuou em Mammy vai à Lua, com direção de Elias Andreato e Patrícia Gaspar. Em cinema, atuou em Asa Branca, um sonho brasileiro e Brasa adormecida, ambos de Djalma Baptista; Das tripas coração, de Ana Carolina; Fogo e Paixão, de Isay Weinfeld e Marcio Kogan; Anjos da noite, de Wilson Batista, entre outros. Na TV, participou das minisséries Máfia no Brasil e Abolição, na TV Globo; e no seriado Mundo da lua, na TV Cultura. Dirigiu, entre outros, os espetáculos: Cabine do Destino, com a Cia. Delas de Teatro; Onde está Nino? – Teatro do Castelo Rá Tim Bum; e Filho de Artista (Prêmio Mambembe de Melhor Direção). Entre suas últimas criações como figurinista destacam-se: Aqui quase longe, Uma mulher vestida de preto, Victor ou Vitória, Burundanga, Cabine do Destino. E as óperas: Il Pagliaci, Madame Butterfly, La Traviata, Contos de Hoffmann, com direção de Jorge Takla; e Pelleas et Melisande, dirigida por Marcio Aurelio.
Direção – Elias Andreato. Elenco – Carlos Moreno e Mira Haar. Roteiro - Mira Haar, Carlos Moreno e Elias Andreato. Arranjos e Direção Musical - Jonatan Harold.
Fotos - Ronaldo Aguiar.
Local: Teatro Paulo Eiró (600 lugares)
Av. Adolfo Pinheiro, 765 - Santo Amaro - São Paulo/SP - Tel: 5546.0449 e 5686.8440.
Temporada: a partir de 27 de maio, sextas e sábados às 21h e domingos às 19h.
Preços populares - R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia). Duração: 70min.
Temporada:
Até 19 de julho de 2011
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