Teatro São Paulo

TEATRO SÃO PAULO

MARÍLIA PÊRA EM GLORIOSA, ENTREVISTA COLETIVA

Marília Pêra em Gloriosa

Foto: Wilson Melo

Teatro Procópio Ferreira - Até 02 de agosto de 2009

Teatro

MARÍLIA PÊRA - GLORIOSA

Por Nanda Rovere

Certamente uma das estréias mais esperadas do momento é Gloriosa, musical com direção dos experientes Charles Möeller e Cláudio Botelho. No elenco, Marília Pêra, como a americana Florence Jenkins - “a pior cantora do mundo", Guida Viana e Eduardo Galvão. Depois de temporada de sucesso no Rio e passagem por cidades como Brasília e Porto Alegre, estréia em São Paulo, no teatro Procópio Ferreira.

Em Gloriosa, Marília Pêra interpreta uma cantora de ópera que não acertava uma nota musical e ficou famosa pela desafinação e mau gosto quanto às roupas que vestia.

Marília se considera uma atriz intuitiva e faz aula de canto e dança porque gosta de aprender novas técnicas. Não se considera boa cantora e estuda para suprir as deficiências e o medo de entrar em cena. A atriz precisou aprender as árias e os agudos, para depois desconstruir a voz. De acordo com a reação do público, Marília muda o tom da desafinação e exagera para que o público não tenha dúvida quanto à falta de ritmo de Florence.

Segundo Marília, é muito gratificante e engraçado interpretar a personagem. "Viver Florence está sendo um desafio e aprendizado diário, porque tive que desaprender a cantar corretamente e esquecer os ensinamentos que recebi durante anos de estudos", destaca.

Florence foi muito rica (filha de banqueiro) e começou a estudar piano desde criança, com o apoio dos pais. Quando começou a apresentar o desejo de viver profissionalmente da música, no entanto, não obteve apoio da família. Viveu momentos financeiros difíceis, já que abandonou a família até herdar a fortuna de seu pai.

Como tinha muito dinheiro, a milionária Florence produzia concertos beneficientes e saraus, que eram freqüentados pela alta sociedade. As pessoas pagavam para assisti-la porque se divertiam com os seus erros. Teve fãs famosos, como Cole Porter, e acreditava que o rebuliço nos seus shows acontecia pela sua potência vocal.

Florence tinha vocação, mas não talento. A sua biografia sugere que a "artista" nunca percebeu que não nascera para a carreira musical. Somente quando cantou no Carnegie Hall e recebeu críticas ferrenhas, aos 76 anos, é que se deu conta das suas limitações. Poucos dias após, morreu de enfarto, o que leva a crer que foi o resultado de uma decepção muito grande, porque a chamavam de viúva alegre e ridícula.

O texto, que fala dos dez anos finais da vida da soprano, prima pela leveza e é muito engraçado no primeiro ato, tanto que espectadores cariocas frisaram para Marília Pêra que o musical é uma mistura de chanchada, alta comédia e comédia popular. No segundo ato, o público encontra momentos de humor com pitadas dramáticas. O foco é o amor da artista pelo seu pianista, Cosme McMoo (interpretado por Eduardo Galvão).

Num primeiro momento, este se sente ridículo por acompanhar uma cantora sem nenhuma afinação, mas depois ela o cativa e a amizade impera. O pianista Silas Barbosa toca na coxia e Galvão dubla o músico em cena.

Para completar o elenco de Gloriosa, a atriz Guida Viana vive três papéis – Maria, a empregada; Dorothy - a amiga que contribui para que Florence viva num mundo de ilusões, e Verinda - a mulher que humilha Florence durante um recital.

Para Marília, o maior desafio do espetáculo é ter que esquecer o aprendizado nas aulas de voz na maior parte da apresentação e, no final do espetáculo, voltar cantando de modo impecável a Ave Maria, de Gounod. A volta triunfante é sugestão dos diretores e funciona como um alívio para o coração de quem assiste a história dessa figura emblemática.

O figurino, de Kalma Murtinho, acentua o modo kitchie da milionária se vestir e expressa a sua personalidade.

O cenário, de Rogério Falcão, ambienta a ação em quatro lugares: o Hotel Saymor, onde ela morava, a gravadora, o Hotel Ritz e o Carneggie Hall.

Gloriosa teve sua estréia mundial em agosto de 2005, no Birmingham Repertory Theatre e foi encenada em mais de 20 países. No Brasil, a peça ainda permanecia inédita.

Entre as críticas, merece destaque a de Macksen Luiz, do Jornal do Brasil: "Marília Pêra exercita, uma vez mais, a extensão de seu virtuosismo como intérprete. Adotando uma linha de comédia, que remete à tradição dos atores populares, depurando com meios sofisticados o humor mais sutil, dominando com segurança as possibilidades da voz e atuando com a vitalidade da sua maturidade de atriz, Marília Pêra oferece um grande prazer em assisti-la".

Teatro Procópio Ferreira (670 lugares)
Rua Augusta, 2823, Jardim Paulista.
Informações: 11 3083-4475
Quintas e sábados às 21h; sextas às 21h30; domingos às 18h. R$ 70,00
(qui.); R$ 80,00 (sex. e dom.); R$ 90,00 (sáb.).
Até 2 de agosto. www.moellerbotelho.com.br/acervo/gloriosa