Teatro - Rio de Janeiro

Grupo Galpão - Eclipse

Grupo Galpão - Eclipse

Foto: divulgação

Por Ney Motta - Assessoria de imprensa

Teatro

Grupo Galpão traz ao Rio sua nova montagem, Eclipse, com direção do russo Jurij Alschitz

20 de abril até 6 de maio de 2012 - Teatro SESC Ginástico

Após estreia nacional em Belo Horizonte e passagem pelo Festival de Teatro de Curitiba 2012, onde apresentou-se para 2.500 pessoas, o Grupo Galpão segue turnê com o novo espetáculo “Eclipse”, livre adaptação da obra de Anton Tchékhov, chegando ao Rio no dia 20 de abril, sexta-feira. O espetáculo possui direção do russo Jurij Alschitz e assistência da lituana Olga Lapina e do mineiro Diego Bagagal. A temporada carioca segue até 6 de maio, de quinta a domingo, no Teatro SESC Ginástico.

Projeto “Viagem a Tchékhov”

“Eclipse” completa o projeto “Viagem a Tchékhov”, lançado pelo Grupo Galpão em 2011. O Grupo propôs um mergulho, durante um ano, na obra do autor russo, com o objetivo de montar dois espetáculos. Para embarcar nesse desafio, pela primeira vez, a trupe se dividiu: em abril do ano passado, Antonio Edson, Arildo de Barros, Eduardo Moreira, Fernanda Vianna, Paulo André, Teuda Bara e a atriz convidada Mariana Muniz, participaram da primeira montagem, “Tio Vânia (aos que vierem depois de nós)”, que teve estreia nacional em Curitiba e depois seguiu em turnê pelo país. O clássico de Anton Tchékhov esteve sob direção da mineira Yara de Novaes.
Alguns meses mais tarde, Chico Pelúcio, Inês Peixoto, Júlio Maciel, Lydia Del Picchia e Simone Ordones lançaram a segunda montagem do projeto, “Eclipse”, que propõe uma livre visitação à obra do escritor russo. Para o ator Chico Pelúcio, “montar Tchékhov expressa as aspirações individuais e coletivas do grupo e, ao mesmo tempo, retrata a fase de maturidade do Galpão, que completa 30 anos de existência em 2012”, diz.

O espetáculo surgiu de um encontro com o diretor e professor russo, residente em Berlim, Jurij Alschitz, que, em 2006, veio ao Galpão Cine Horto para ministrar uma oficina e dar palestra. Em 2010, o Grupo voltou a encontrá-lo no ECUM (Encontro Mundial de Artes Cênicas), quando três atrizes do Galpão participaram de sua oficina. “O convite veio naturalmente. Estávamos empolgados com sua visão de teatro e seu trabalho de treinamento de atores, desenvolvido no Akt-zent International Theater Centre que Jurij coordena em Berlim”, conta Chico Pelúcio.

Desde o início do processo, Jurij Alschitz apostou no risco de buscar um teatro que Tchékhov estaria fazendo, caso ainda fosse vivo. Segundo o diretor russo, não é possível tentar reproduzir princípios do drama psicológico ou tão pouco beber na commedia dell’arte. “Não posso querer trabalhar dessa forma com um grupo que, há 30 anos, possui na sua genética e no seu instinto de atuação o teatro de rua, popular, e que, ao mesmo tempo, é sempre tão disponível e aberto a pesquisar algo novo. Talvez não reproduzir algo seja o caminho mais longo, mas preserva princípios que podem me trazer elementos potentes para a criação”, explica.

Para a construção do espetáculo “Eclipse”, os atores do Galpão se envolveram com a leitura de peças e contos de Anton Tchékhov. Buscavam na obra do grande autor russo, referências e reflexões filosóficas sobre temas universais que continuam a atravessar o homem de hoje. Nas primeiras conversas, os contos foram selecionados à distância, via Skype. Depois, em workshops internos, as cenas eram gravadas e enviadas ao diretor. Posteriormente, vieram os encontros presenciais nos meses de junho (em Belo Horizonte), setembro (em Berlim) e novembro (em Belo Horizonte). Nos períodos de ausência do diretor, os atores trabalharam sob a coordenação do assistente de direção Diego Bagagal e do diretor musical Ernani Maletta, preparando canções populares românticas da Rússia e cenas e estudos sobre a “virada russa” do começo do século XX.

Os ensaios práticos consistiram em duas tarefas complementares. A primeira, um treinamento de atores, com o objetivo de preparar um trabalho coletivo de jogo, unidade, escuta, atenção e energia, sempre em diálogo com a criação. Os exercícios de voz e texto foram propostos pela assistente de Jurij, a lituana Olga Lapina. A segunda tarefa foi levantar temas fundamentais na obra de Tchékhov, a partir da análise de cerca de 150 contos.

Dramaturgia

Jurij Alschitz assina também a dramaturgia. A partir de tudo que foi trabalhado, o diretor criou uma estrutura dramatúrgica centrada na ocorrência de um eclipse. O fenômeno vem como uma metáfora para os atores trazerem ao palco as palavras do autor. Os textos, recortes de vários contos de Tchékhov, não possuem uma abordagem formal e psicológica. Eles são reunidos em episódios independentes, que expressam pensamentos sobre o destino do homem, da humanidade e do próprio teatro. Segundo Jurij essa é a forma de escrever de Tchékhov, um autor livre de modelos hierárquicos com uma maneira de pensar definida pelo acaso. “Chegamos à conclusão que o ponto de vista filosófico de Tchékhov muda constantemente, assim como nosso percurso artístico. E essa inconstância é exatamente seu ponto de vista contra dogmas, contra unilateralidade, contra autoridades ditatoriais e contra opiniões convencionais”, explica Jurij.

Linguagem

A linguagem estética que permeia os elementos da encenação, como o cenário, o figurino, a luz e a sonoplastia, é inspirada na vanguarda russa do início do século XX, o suprematismo. Criada por volta de 1913 por Kazimir Malevicht, a corrente vai defender uma arte livre de finalidades práticas e comprometida com a pura visualidade plástica. Trata-se de romper com a ideia de imitação da natureza, com as formas ilusionistas, com a luz e a cor naturalistas, com referências ao mundo objetivo. Nesta corrente predominam as cores primárias como o azul, o vermelho, o amarelo, as oposições de claro e escuro e as formas geométricas. Existe uma inclinação pelo resgate das origens e raízes. O suprematismo possui anseios de ruptura semelhantes aos que provocariam a realização da Semana de Arte Moderna, no Brasil, em 1922. O estilo avant-garde russo se manifestou também nas obras do pintor Kandinsky, do compositor Schostakovich, do poeta Maiakovisky e do diretor de cena Meyerhold. “Decidimos nos distanciar dos clichês teatrais usualmente empregados em montagens de textos do Tchékhov e atuar em cena utilizando um estilo que, de muitas maneiras, determinou as formas de se repensar a arte, ao longo da história”, explica Jurij.

Ficha Técnica: Direção, Dramaturgia, Cenografia, Figurino e Treinamento: Jurij Alschitz | Elenco: Chico Pelúcio, Inês Peixoto, Julio Maciel, Lydia Del Picchia e Simone Ordones | | Patrocínio: Petrobras

INFORMAÇÕES - Eclipse
Datas: 20 de abril até 6 de maio de 2012
Horários: Quinta a domingo, às 19h
Preços: Quinta, sexta e domingo - R$20,00 (inteira) | R$5,00 (comerciários), R$10,00 (jovens de até 21 anos, estudantes, maiores de 60 anos); Sábado: R$30,00 (inteira), R$7,50 (comerciários), R$15 (jovens de até 21 anos, estudantes, maiores de 60 anos).
Duração: 100 minutoa
Classicação etária: 12 anos.

LOCAL - Teatro SESC Ginástico – A (Capacidade: 513 pessoas)
Av. Graça Aranha 187, Centro (tel.: 2279-4027)

Navegue por NossaDica

Copyright © 2007 • Nossadica • Todos os direitos reservados • Mapa do siteWebMasterHostDica Serviço de Internet