Artes e Teatro

TEATRO - SÃO PAULO

Helena Pede Perdão e é Esbofeteada

Foto: divulgação / Cris Lyra

Praça da Liberdade (atrás do metrô Liberdade)

Artes Cênicas

Por Douglas Picchetti / Arteplural Comunicação

Tablado de Arruar volta com Helena Pede Perdão... nas ruas do Centro e lança dois livros sobre teatro

21 de outubro a 10 de dezembro de 2010

O grupo Tablado de Arruar volta em temporada com a peça Helena Pede Perdão e é Esbofeteada. As sessões da nova temporada acontecem na Praça da Liberdade, às quintas-feiras a partir de 21 de outubro, às 16 horas, e na Rua Vieira de Carvalho (esquina com Praça da República), às sextas-feiras a partir do dia 22 de outubro, à meia-noite. O grupo explica que a escolha de realizar a apresentação num local como a Vieira de Carvalho se deve “ao caráter de intervenção da peça, que a distancia do teatro de rua convencional, e se aproxima de espaços e horários alternativos”. 

Na mesma semana, o grupo lança o livro São Paulo-Berlim em Cena (Ed. Hedra) no dia 19 de outubro, às 19h30, no Goethe-Institute. O lançamento conta com a palestra do jornalista e critico teatral Valmir Santos. O livro contém entrevistas do Tablado de Arruar com diretores, cenógrafos e outros profissionais do teatro (brasileiros e alemães), que estiveram envolvidos em trabalhos de intercâmbio teatral entre as cidades de São Paulo e Berlim.

Entre os entrevistados estão Frank Castorf, Dimiter Gotscheff, Armin Petras e Renato Bolleli Rebouças, entre outros. Também constam da publicação dois textos para o teatro, um de Tine Rahel Völcker, integrante do grupo de teatro da cidade de Dresden, do diretor Tillman Köhler, atuante também em Berlim, e o outro, de Alexandre Dal Farra, dramaturgo do Tablado de Arruar. Os textos refletem a parceria dos dois coletivos, que resultou na montagem da peça  Novos Argonautas - Pele de Ouro, apresentada em Berlim, em 2009, e em São Paulo, em 2010.

O lançamento do livro dá início a uma série de eventos que o Tablado de Arruar prevê até o final do ano. Entre eles, o lançamento de mais uma publicação, a abertura da nova pesquisa do grupo: Trilogia da Destruição – Teatro de Intervenção e Cinema Marginal e a participação na 29ª Bienal de Artes de São Paulo, com a leitura cênica de uma obra inédita de José Agripino de Paula e a apresentação do espetáculo Helena Pede Perdão e é Esbofeteada.

Helena Pede Perdão e é Esbofeteada
Com texto de Alexandre Dal Farra e direção de João Otávio, o espetáculo bebe na fonte de melodrama e das telenovelas com pitadas de filmes de Pedro Almodóvar e Rainer Werner Fassbinder, passando pelo dramaturgo Bertold Brecht. "Um melodrama de aprendizado, que une Brecht e Manoel Carlos", como define o grupo. A peça conta a história de Helena e seu marido, Augusto, que têm a casa invadida pela dupla Mary e Jack. Os invasores posteriormente se revelam ativistas políticos e convencem o casal a fazer parte de suas ações pseudo-terroristas.

A vida dos quatro (interpretados pelos atores Alexandra Tavares, Clayton Mariano, Ligia Oliveira e Vitor Vieira) sofrerá transformações irreversíveis no desenrolar da trama, permeada por conflitos amorosos e ideológicos. Trata-se de um teatro de intervenção que utiliza também espaços
privados como bares, bancas e outros locais da cidade como se fossem locações para as cenas.

Numa encenação calcada na sobreposição de linguagens, uma televisão instalada na rua permite um recorte de telenovela para o espetáculo, ao mesmo tempo em que a cena ocorre ao vivo na rua, estabelecendo uma relação imediata com o público. O sarcasmo e a paródia marcam o tom das personagens, inspiradas em filmes hollywoodianos e em telenovelas brasileiras.

‘’No Brasil, os fatos se sucedem diante dos nossos olhos e nós os vemos passar como se não pudéssemos interferir”, diz o dramaturgo do grupo, Alexande Dal Farra, lembrando, ainda, a influência do estilo do novelista Manoel Carlos em seu texto. "Nosso desejo é estabelecer uma comunicação direta com as pessoas que vivem seu melodrama de cada dia. Por outro lado, existe o intuito de apresentar uma discussão politizante para o espectador, e o melodrama nos serve muito bem neste propósito, como terreno comum a partir do qual o diálogo se estabelece", completa Dal Farra sobre sua quarta peça.

A primeira parte da peça se passa na casa de Helena: um sofá branco de dois lugares, colocado na rua. São oito m² de cenário, delimitados por um círculo de carvão. Na rua, ao lado do sofá, o público pode ver a cena também por uma televisão, que transmite imagens (captadas ao vivo pela videomaker Leila Bana). Para retratar o lado de fora da casa, são utilizados espaços do entorno, como bares, bancos, morros, lagos, na busca de um teatro de rua que lide também com a intervenção e com a utilização de espaços alternativos em geral.

‘‘Todos os elementos utilizados na montagem funcionam como camadas sobrepostas que propiciam um diálogo criativo, contribuindo na discussão poética da peça e traduzindo uma estética final. Por exemplo, o vídeo - que é normalmente usado para trazer elementos externos - aqui filma a própria peça, dando ao espectador a opção de um novo ponto de vista, um novo recorte da própria cena que está acontecendo”, explica o diretor João Otávio.

A cidade de São Paulo está presente no espetáculo de várias formas. A direção de arte, assinada pelo artista plástico Eduardo Climachauska, propõe um diálogo entre as artes plásticas contemporâneas e o teatro de rua. Climachauska empresta a violência de sua obra ao espetáculo, trabalhando com tons metálicos e torrados (que contribuem para a estética destrutiva, de atmosfera caótica), além de 100 quilos de carvão demarcando o espaço cênico. Estas marcas contrapõem-se a um único sofá branco que dá o signo da mansão hipotecada de Helena e Augusto.

A direção musical, por sua vez, opta por canções populares do universo cafona, com novos arranjos, que buscam realçar a atmosfera melodramática do espetáculo. Na pele de uma cantora romântica e piegas, caracterizada como um motoboy, Joana Flor acompanha a peça com músicas bregas dos anos 80.

HELENA PEDE PERDÃO E É ESBOFETEADA
Reestreia dia 21 de outubro, quinta-feira, às 16h na Praça da Liberdade
(atrás do metrô Liberdade).
Dia 22 de outubro, sexta-feira, meia-noite
, na Rua Vieira de Carvalho
(esquina com Praça da República).
Temporada - Sextas, na Praça da Liberdade, às 16h, sábados, meia noite, na Rua Vieira de Carvalho (esquina com Praça da República).
Até 10 de dezembro
. Duração – 60 minutos.
Classificação Etária - 14 anos. Telefone para informações: (11) 7363 6226.

Assessoria de Imprensa / Arteplural Comunicação www.artepluralweb.com.br