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FILME

“Herbert de perto” de Roberto Berliner e Pedro Bronz

“Herbert de perto” de Roberto Berliner e Pedro Bronz

Foto: divulgação

Para nunca desprezar o poder da “lanterna dos afogados”

Comentário do filme

Por Luiz Felipe Nogueira de Faria

Filme “Herbert de perto” de Roberto Berliner e Pedro Bronz

Respeitoso e sóbrio. Assim pode ser definido o trabalho de Roberto Berliner e Pedro Bronz sobre a trajetória de um dos mais consagrados músicos da geração surgida no rock dos anos 80 e que não se contentou em repetir os ritmos e as falas iniciais, buscando a interlocução e o enriquecimento rítmico e melódico com outros campos musicais. Sempre (bem) amparado pelos velhos companheiros do Paralamas do Sucesso, Bi Ribeiro e João Barone, Herbert Viana, com sua inquietação criativa e ousada, se faz presente há mais de 25 anos no cenário da música brasileira de maneira potente e mesmo o grave acidente ocorrido em 2001 – com as graves perdas que acarretou – não foi capaz de enfraquecer sua paixão pela música, sendo esta uma das principais âncoras de sua recuperação.

Aliás, um dos pontos interessantes do filme é não exagerar o impacto negativo do acidente com ultraleve que deixou o músico tetraplégico e matou sua mulher. Não há o recurso ao melodrama, mas uma mensagem positiva sobre o esforço e a luta pela vida e a importância da solidariedade e amizade, quando se trata de criar as condições que não se reduzem à mera sobrevivência física. Além disso, uma história de música, muita música, música de qualidade, permitindo boas recordações daqueles que viveram e acompanharam o nascimento do Paralamas (e outros conjuntos e roqueiros, como Cazuza e Renato Russo) e informando aos mais jovens sobre um período interessante do cenário cultural brasileiro (especialmente quando se trata dos anos 80).

Em relação a este aspecto há menções breves às questões digamos mais políticas, dadas pelo destaque em algumas letras e na leitura sobre os costumes e estilos que alguns detalhes dos shows e entrevistas permitem. No entanto, a direção prima pela abordagem carinhosa nos flashbacks que são testemunhados pelo próprio Herbert, nos depoimentos dos amigos e companheiros de trabalho, nas imagens de algumas intimidades que flagram seu encontro intenso com a música e seu instrumento. Tudo isso com cortes e um andamento que permitem reconhecer um roteiro ágil, entremeando informação e discussão (inteligente).

Um ponto digno de elogios é a fotografia de Paulo Violeta, bem como o trabalho de câmera, ambos delicados e muito bem sintonizados com a proposta do filme. Com isso, várias tomadas de cena podem manter sua alta carga emocional sem perderem seu valor descritivo.

Assim, palmas para a iniciativa e para a realização de Roberto e Pedro. “Herbert de perto” alcança a intenção de nos fazer próximos das alegrias e dores que atravessam a vida do ídolo, sem deixar de lembrar que as argúrias da vida são condição dos humanos e que enfrenta-las com dignidade é tarefa para todos. Quer sejam artistas como Herbert, ou não.

Luiz Felipe Nogueira de Faria : contato

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