Dicas de Viagem

DICAS DE VAIGEM

Londres 2008

Encenação de um torneio medieval junto à Torre de Londres

Por Myrthes Lima

Encenação de um torneio medieval junto à Torre de Londres

Por Myrthes Lima
site
www.myrtheslima.com

Londres

Desde que lá fui pela primeira vez, e da cidade me enamorei, nunca havia se passado um espaço de tempo tão grande sem voltar – 11 anos! Estava morrendo de saudades...

12/08/2008 – 3ª feira

Chegada às 7h20m no Terminal 4 de Heathrow Airport.

Pegamos um taxi. Infelizmente, não dá mais para vir pelo underground, embora a estação do aeroporto fique na mesma linha da do nosso studio. Já foi o tempo em que pegávamos o trem com as malas. Agora, nem meus braços nem meus joelhos permitem. Quanto ao Cardoso, não vale a pena arriscar.

Nosso antigo studio em Harrington Gardens, onde fiquei tantas vezes, não existe mais. A casa foi vendida já faz alguns anos e nossa antiga landlady, Mrs. Gordon, faleceu. Também já faz alguns anos. Começaram por aí as muitas mudanças que senti em Londres.

Ficamos, então, num em Emperor’s Gate, pertencente à mesma firma. Onde fiquei da segunda vez que vim a Londres, em 1987. Apesar do saudosismo, gostamos da nossa acomodação: quarto, pequena cozinha, banheiro e varandinha. De frente pra rua, com uma vista agradável, dos prédios brancos, de poucos andares, característicos desse nobre bairro – Kensington. É certo que agora estão cercados por edifícios mais altos, mas ainda são maioria e não perderam seu charme.

Estávamos cansadíssimos. A viagem foi penosa – parada em S. Paulo, 1 hora e meia dentro do avião – e mais 11 horas de vôo. Nas poltronas de agora, apertadíssimas, sem espaço nem mesmo para a gente se mexer, é massacrante. Jet lag de 4 horas. Por mais vontade que eu tivesse de rever Londres, foi preciso descansar um pouco.

Saímos para almoçar, perto do studio, num Café em Gloucester Road. O que Cardoso pediu? Fish and chips, of course. E aderi. Estava bem bom. Decidi não pensar em regime aqui.

Final de tarde – London Eye. Eu estava doida para ver. E, depois, Royal Festival Hall, Cardoso estava doido para rever. Sol e chuva o tempo todo.

Nos detivemos no meio da ponte de Westminter, cercados de turistas por todos os lados, provavelmente tão encantados quanto nós, admirando o novo visual de Londres nesta margem do Thames onde se destaca a ousada roda gigante. Passamos por ela mas achamos que não era o momento para entrar na fila. Nem para fotografar. Depois me arrependi porque não surgiu outra oportunidade. Ficamos sem esta foto emblemática.

Entramos no Royal Festival Hall, cheio de gente, animado, porém nenhum grupo tocava música no hall, conforme nos lembrávamos. Talvez noutro horário...

Começou a chover forte e decidimos ir embora. Não estávamos preparados para a fria chuva londrina.

Comprinhas de primeiro dia no Sainsbury’s, só o essencial: uma sopa, uma garrafa de vinho, um Boursin e bolachinhas d’água. Simples, delicioso.

13/08/08 – 4ª feira

Café da manhã na Epicerie de Paul

Na véspera, quando fomos pegar o trem na estação Gloucester Road, a mais próxima do studio, vimos ali bem em frente um lugar que me atraiu: L’Epicerie de Paul. Fui logo investigar. Pra quê?

Foi responsável por algumas gramas, ou terá sido quilos, que ganhei logo de cara.

Num balcão comprido, estão expostos vários tipos de guloseimas, desde croissants e brioches até as mais diversas tortas e no fundo da loja a máquina de expresso. Um francês de boa aparência, cercado de auxiliares, prepara os diferentes tipos de café e o cliente escolhe no balcão o que vai comer. Não há como resistir. Os folhados são crocantes, derretem na boca, e o caffe late encorpado, saboroso. Todos os nossos propósitos de preparar o café-da-manhã no studio, numa linha light como fazemos em casa, foram por água abaixo. Todos os dias marcamos ponto no Paul. Essa confeitaria, para nós uma novidade, faz parte de uma rede com lojas por toda Paris e agora Londres.

Na minha relação de lugares para ver/rever em Londres estava assinalada como prioridade uma ida à igreja de St Martin-in-the-Fields, na hora do almoço, para assistir a um concerto de música clássica. Lá chegando, encontramos a igreja toda restaurada, que beleza! No entanto, uma decepção. Os concertos habituais à tarde não mais acontecem com a mesma freqüência. Existe agora uma programação mais elaborada, inclusive com concertos de jazz à noite, e um Café na Cripta, mas é necessário tomar conhecimento antes.

Atravessamos, então, a rua e tivemos grata surpresa. Em Trafalgar Square, um enorme telão onde os transeuntes podiam acompanhar os jogos e tudo que estava acontecendo na China durante as Olimpíadas. Como não podia deixar de ser, a praça estava fervilhando, uma festa. Achei a idéia sensacional, de proporcionar a todos a possibilidade de acompanhar tal acontecimento.

Na National Gallery matei a saudade dos Impressionistas e almoçamos no Café da Galeria. Muito bem freqüentado, homens e mulheres bem vestidos, comida saborosa, serviço correto. Eu degustei um linguine com salmão e Cardoso... um hamburguer incrementado.

Porém, o que mais me empolgou desta vez aí pelas bandas de Trafalgar Square foi o magnífico telão congregando londrinos e turistas.

Compras no Marks&Spencer para enfrentar a chuva e o frio que não davam trégua: um guarda-chuva inglês protetor e elegante para o Cardoso e um trench-coat britânico e protetor para mim.

À noite demos uma volta pelo West End até Piccadilly. Animadíssimo, apesar da chuva e do frio. Ha! Ha! Ha! Não nos afetou...

14/08/08 – 5ª feira

Fomos ao centro trocar o voucher do teatro e depois ao Tourist Information pegar o London Planner.

Tínhamos adquirido os tíquetes para ver Mamma Mia, o famoso musical que, embora há dez anos em cartaz, continua lotado, antes da viagem pela Internet. Foi o melhor que fizemos, pois conseguimos bons lugares e pagamos um preço justo. Eu queria assistir a mais um musical e nos encaminhamos para o ticket booth da Leicester Square, porém encontramos a praça em obras e o quiosque desativado. Tentamos, então, uma das agências próximas mas desistimos: lugares ruins e preço muito alto. Ainda mais, pagamento cash, nada de cartão de crédito. Seja para um musical, um concerto ou um ballet importante, reforço: a melhor estratégia é comprar antes da viagem, pela internet.

Endereço do site: www.1st4londontheatre.co.uk/musicals

Ida a Waterloo a fim de comprar as passagens de trem para Southampton, onde iríamos pegar o navio. Estávamos próximos da Royal Academy of Arts e Cardoso quis almoçar lá. O restaurante fica no primeiro andar, com vista para o Thames, bastante sofisticado. Comi de novo linguine, desta vez com salmão e caviar. Cardoso ... hamburguer. Pode parecer falta de imaginação, mas a escolha foi acertada. Pedi uma cerveja para share. O garçon trouxe duas. Tomei a minha com gosto – Heineken, minha favorita. Afinal, tinha decidido esquecer do regime. Este almoço foi um trato!

Depois, para desgastar, andamos pela margem do rio até a Tate Modern. Está cheio de novidades este trecho do South Bank.

Me diverti correndo pra dentro e pra fora dos “Appearing Rooms”, um conjunto de fontes onde as águas sobem e descem, abrindo espaço para crianças, e adultos metidos como eu, entrar e sair. É um barato! Corre-se o risco de ficar molhado caso esteja ventando, mas já que estava chovendo, não fazia muita diferença. Apreciamos logo em seguida meninos e rapazes fazendo piruetas na pista de skate ornamentada com grafites decorativos. Na Oxo Tower, uma interessante estrutura de tijolo à vista, percorremos as galerias e lojas de designers contemporâneos. Gostaria de ter me detido por ali pois havia muitos objetos atraentes, porém estava ansiosa para ver a Tate Modern.

Fui recompensada! É um cenário de filme a fachada da nova Tate, onde antes funcionava uma usina de força. O antigo galpão foi escolhido por sua localização privilegiada e pelo amplo espaço interno e os arquitetos holandeses encarregados da reforma se empenharam em aproveitar ao máximo a construção original. As paredes externas de tijolos foram pintadas de cinza-claro. Usou-se bastante vidro, entremeado com a estrutura em aço e foi mantida a imponente torre-chaminé no centro da edificação. Uma exposição de Street Art trouxe para a fachada enormes painéis muito coloridos, criando contraste e chamando a atenção. Na frente, um imenso gramado, verde, verde e algumas árvores esparsas. Encantou-me este conjunto! Tiramos muitas fotos, principalmente de dois painéis que nos agradaram mais. Depois fiquei sabendo que são de artistas brasileiros. (Os paulistas Nunca e Os Gêmeos) Como já era tarde, deixamos para visitar as coleções num outro dia. Queria ver tudo com calma.

Uma hora de descanso no apartamento a fim de nos prepararmos para o teatro às 7:30.

Assitimos ao musical Mamma Mia. Espetacular!!! Cenários, músicas, atores cantores-dançarinos, tudo nota dez. A platéia vibrou o tempo todo, pulando e cantando junto com os atores as músicas do Abba. Na nossa frente duas jovens pulavam tanto que Cardoso chegou a ficar preocupado. Afinal de contas, estes teatros em Londres são bem antigos... Em todos os musicais que vi em Londres, nunca senti tamanha empolgação. Eu, também, A DO REI! No final, fui ao toalete e até lá ainda se ouviam as músicas. O CD estava sendo tocado.

15/08/08 – 6ª feira

O tempo está voando em Londres e ainda há tanta coisa que quero fazer!

Manhã – passeio por algumas ruas de Londres que eu queria rever. Cardoso queria ir a um parque.

Tive vontade de repetir o que fazia todos os dias quando estava freqüentando o curso na International House. Pegamos o trem e saltamos na estação Green Park. Entramos no parque para dar uma volta e quando saímos me dei conta de que não me lembrava mais daquelas ruas antes tão familiares. Com muita relutância comprei um mapa no jornaleiro e, como turistas de primeira viagem, saímos por ali. Fizemos este trajeto: Piccadilly (a International House não está mais lá), St. James’s St, Pall Mall, Bury St, Ryder St. Nesta região, ao sul de Picadilly, fica um labirinto de ruas do sec. XVIII. Pall Mall é a rua dos clubes masculinos e espalhadas pelas outras várias lojas de antiguidades e galerias de arte. Não tinha a menor intenção de comprar, mas curti ver quadros e objetos muito bonitos. Aí perto, na King St, encontram-se os principais salões da Christie’s, a famosa casa de leilões, onde quadros de mestres famosos mudam de mão por milhões. Voltamos a Piccadilly, tornamos a passar pelo Ritz e procurei a entrada para o Shepherd Market. Encontrei logo. Afinal de contas, não estava assim tão esquecida. Era por aí que almoçava quando estava fazendo o curso na International House e senti saudades.

Almoçamos no The Old Express, bem no centro deste largo. Comi chicken, leek and mushroom pie e tomei um copo de vinho branco. Tudo muito saboroso. Estamos notando nesta viagem que a comida em Londres está bastante melhorada. Ouvi dizer que houve um movimento entre os pubs e os restaurantes menores com vistas a isso. Uma novidade são os gastro pubs, que oferecem comida criativa, bem preparada, a preços razoáveis, além de vinhos e cervejas, no ambiente descontraído e tradicional dos pubs londrinos.

Voltamos ao studio para uma breve pausa e nos preparamos para visitar a Tate Modern. Como já tínhamos feito a caminhada pela margem do Thames e queríamos poupar as pernas para a visita, fomos de underground. Saltamos na estação Blackfriars e atravessamos a elegante e arrojada Millenium Bridge, a mais longa ponte suspensa para pedestres do mundo.

A ponte, que combina o conjunto de estrutura em aço, corrimãos em aço inox e plataformas em alumínio sustentado por apenas dois elementos verticais, tem a leveza de uma fita de metal durante o dia, e de uma lâmina de luz durante a noite. O arrojado design da ponte é o resultado da colaboração entre a Foster & Partners, responsável pela arquitetura, associados ao escultor Sir Anthony Caro, e a Oven Arup & Partners responsáveis pela engenharia e aplicação das tecnologias de ponta nos cálculos de estrutura, vento, iluminação, impacto ambiental, e segurança, assim como dos estudos geotécnicos e marítimos.

Em poucos minutos fomos transportados da barroca St. Paul’s à contemporânea Tate. Senti-me como protagonista de um filme de ficção científica e cheguei toda empolgada para iniciar a visita.

As coleções de Arte Moderna e Contemporânea aí expostas se colocam entre as mais premiadas e a maneira como estão dispostas ajuda o visitante a percorrê-las e melhor apreciá-las. Estão distribuídas em quatro alas. Em cada ala se encontra um painel com uma explicação muito clara dos períodos-chave no desenvolvimento da Arte no século XX: Surrealismo; Minimalismo e Arte Conceitual; Abstracionismo Pós-Guerra; e os três movimentos vinculados Cubismo, Vorticismo e Futurismo. Embora já tenha feito cursos de Arte Moderna e Contemporânea não sou grande entendedora, mas auxiliada pelas explicações nos painéis aproveitei imensamente a visita. Localizei sem dificuldade os artistas que mais aprecio e encontrei vários trabalhos que me impressionaram. Considero essa visita à Tate um curso express de História da Arte. Além disso, fiquei muito orgulhosa por encontrar uma sala dedicada ao nosso importante artista Hélio Oiticica, com um painel onde se lia:

"Helio Oiticica was perhaps the most influential artist of the Brazilian avant garde of the 1960s and 1970s."

E muito mais que não deu para copiar. Aliás, lamentei não ter tempo para copiar todas as explicações dos painéis. Poderia acrescentá-las ao meu caderno de notas.

Jantar num restaurante italiano em Notting Hill

Ficamos surpresos por encontrar as ruas quase vazias e a maioria dos restaurantes fechados nesta noite de sexta-feira num bairro tão badalado. Fomos atraídos por um pub mas ao nos aproximarmos do balcão para fazer o pedido, o barman avisou que a cozinha já não estava mais funcionando. Serviam apenas bebidas. Já pensávamos em voltar ao nosso bairro quando, oh ainda bem! vimos um pequeno restaurante aberto. Poucas mesas ocupadas, ambiente acolhedor, o dono, italiano of course, presente, veio nos cumprimentar. Senti que a comida ia ser gostosa, o cheiro estava muito bom. Não me enganei. Só estranhamos a pouca freqüência, afinal ainda nem eram dez horas. Conversando depois com o garçom, um português radicado em Londres, ele nos explicou que já há algum tempo, ainda nem se falava na crise financeira americana, o movimento vinha caindo. Ares preocupantes de recessão...

16/08/08 – sábado

Este foi o dia em que várias coisas não saíram como eu desejava e me deixaram irritada.

Eu queria ir a Borough Market, indicado por duas amigas grandes conhecedoras da cidade como sendo um lugar super interessante para se degustar comidinhas e bebidinhas de várias partes do mundo. Não fazia a menor idéia de onde é, nunca estive lá, mas tinha a indicação da estação de underground mais próxima: Tower Hill. Achei muito conveniente, íamos matar dois coelhos com uma só cajadada: rever a Torre de Londres e almoçar no mercado.

Tomamos o trem e nos preparamos para um trajeto longo – 11 estações. Fomos nos entretendo com os avisos, escritos e até poemas. Pedimos a uma passageira para tirar uma foto nossa. Afinal de contas, os trens são novos e as estações foram reformadas. Tudo uma beleza, merecem fotos!

Ao chegarmos, uma surpresa. Estava sendo encenado um torneio medieval num gramado fronteiro à Torre. Tudo muito bem montado, colorido, só não conseguimos saber com que finalidade. Cardoso achou um barato e tirou fotos para mostrar aos netos.

Depois de olhar um pouco resolvemos procurar Borough Market. Não vimos nenhuma indicação. Perguntamos aqui e ali. Ninguém conhecia. Saímos em busca, nem sinal. Inacreditável, mas não tínhamos levado o mapa, aquele que compramos na véspera. Fiquei furiosa, que idiotice! Caminhamos pela margem do rio, quase deserta, até um trecho fechado para obras. Entramos numa rua transversal e vimos alguns operários. Perguntamos novamente. Um deles conhecia Borough. Explicou que estávamos um pouco longe, fica do outro lado do rio. Andar até lá? Nem pensar. Por ali tudo em obras, trânsito, barulho, calçada interrompida, difícil de caminhar. Nem sabia onde estávamos. Perdi a vontade de provar as comidinhas. Irritada, decepcionada, quis voltar para o studio. Almoçamos num restaurante indiano próximo. Vazio. O dono só faltou nos pegar no colo. Confirmou o que o garçom português nos tinha dito.

Depois do almoço, resolvi ir ao centro da cidade. Cardoso, nem pensar, com certa razão. Sábado é dia de comércio aberto à tarde, quando todo mundo que trabalha durante a semana vai fazer compras. São multidões, entrando e saindo das lojas. Me dispus a enfrentar tudo isso e fazer as minhas.

Iniciei na Fortnum&Mason, minha loja favorita em Londres. Da última vez que lá estive, cheia de japoneses. Agora, substituídos por árabes. Quase que só mulheres, vestidas com burcas de seda coloridas e luxuosas, cheias de jóias e perfumadas. Vi muitas assim também nas proximidades da Harrods. Sempre carregando sacolas de grifes. Comprei modestamente meu chá, geléias e temperos. Experimentei a água de toalete da Floris, mas não comprei. Depois me arrependi. Em compensação, comprei um estojo pra óculos super charmoso e outras coisitas mais. Saí de lá mais animada. Entrei na Royal Academy of Arts. Não visitei a exposição, mas passeei pelo pátio. Entrei depois na Burlington Arcade e vi algumas novidades, inclusive uma lojinha só de macarrones, coloridos, tentadores. Provei alguns, deliciosos. Namorei os cashmeres, absurdamente caros. Passei pelas chiquérrimas butiques masculinas em Jermyn St, uma das mais elegantes ruas de Londres.

Estava tão confiante, me encontrando, que decidi ir andando até Charing Cross Road para comprar um livro que ainda não havia encontrado. Fui muito otimista. Me perdi no emaranhado de ruas que fazem esta ligação e rodei à beça para chegar lá. No entanto, fiz algumas descobertas interessantes, inclusive uma papelaria super bem sortida, daquelas que adoro. Não anotei o nome, mas sei que fica em frente à estação de trem de Charing Cross. Encontrei meu livro e um mais raro, encomenda de uma amiga, e fiquei realizada. Tomei um café, imaginem aonde? No Starbuck’s, que conquistou Londres. Voltando no trem para o studio, cheguei a uma conclusão: não dá pra passar tanto tempo sem vir a Londres. Planejo voltar logo.

17/08/08 – domingo

Com o intuito de me consolar do insucesso da véspera, Cardoso propôs irmos a Borough Market, uma vez que já sabíamos aonde é. Nada feito. Este mercado só funciona de quinta a sábado. Ainda bem que soube antes... Cardoso propôs, então, irmos a Camden Town Market, que fica próximo ao Regent’s Canal.
Os mercados de rua em Londres constituem uma das atrações da cidade e em todas as minhas idas gostei sempre de visitar pelo menos um. Aceitei, pois, a sugestão e lá fomos nós, com planos de não demorar muito. Atenção aos preparativos, dia de arrumar malas. Nosso cruzeiro começava no dia seguinte.

Foi a única manhã de sol em Londres e fazia calor. As ruas estavam apinhadas, com toda a razão. Tanto as lojas quanto as barracas exibiam mercadorias interessantes. Compramos dois xales lindos para presentear e achei um brinco de prata perfeito pra minha neta – com pérolas lilás, sua cor de preferência. Coincidência que a designer é casada com um brasileiro, já morou no Rio e fala português correntemente. Batemos o maior papo. Se estivéssemos com mais tempo, teríamos enchido as malas. Felizmente tivemos juízo, afinal de contas estávamos no início da viagem.

Havia uma enorme variedade de barracas exibindo todos os tipos de comida. Ofereciam até uma prova pra quem quisesse experimentar. Resolvemos almoçar por ali e escolhemos uma chinesa. Estava bem razoável.

Para fazer a digestão, demos uma volta pela beira do canal. É um passeio pitoresco pois aí ficam as eclusas e, atracados, muitos barcos pintados de cores variadas. Na volta tivemos que pegar o trem na estação anterior devido ao grande número de pessoas que estavam chegando. A sorte é que nós já estávamos nos retirando...

Aconselho a quem estiver pensando em ir a Londres, e quiser visitar um dos mercados de rua, optar por Borough Market. É atualmente considerado o mais charmoso. E o mais saboroso...

Pegue o trem certo, da Linha Jubilee, a mais recente, e salte na estação certa: London Bridge. Aproveite para conhecer a Southwark Cathedral e tomar uma cerveja no George Inn, um pub cujas origens remontam ao sec. XVII e que já foi mencionado num livro de Charles Dickens. São meus planos para a próxima vinda. Até já anotei no caderno.

Também próximo fica o Globe, uma reprodução do teatro onde estrearam muitas peças de Shakespeare. Esta visita já tínhamos feito, na viagem anterior. É imperdível!

Fim de tarde – malas prontas, expectativa em relação ao cruzeiro, mas uma certa melancolia por deixar Londres sem ter feito tudo que eu havia planejado.

Pra despedir, demos uma volta por St. James’s Park, os canteiros todos floridos, e chegamos até Buckingham Palace. Continuamos contornando o parque e nos embrenhamos depois pelas ruazinhas deliciosas que levam a Westminster Cathedral. Lembrei-me de Mrs Dalloway, a heroína do famoso livro de Virginia Woolf, que morava próximo a Westminster e saía andando pelas ruas da redondeza. Fui até reler, mas não são as mesmas pelas quais passamos. Infelizmente a catedral estava fechando, não deu para entrar.

Pretendíamos ir até o rio, dar bye bye ao Big Ben e Casas do Parlamento, mas começou a chover, uma chuva fininha, gelada. Senti frio e achei melhor tomar um conhaque. Só pra não me resfriar... Encontramos um pub e entramos. Estava tão agradável dentro que fomos ficando e acabamos jantando. Foi ótimo! Uma inesperada e simpática despedida.

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