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TEATRO

INVERNO DA LUZ VERMELHA

INVERNO DA LUZ VERMELHA

Foto: Andre Gardenberg

Teatro I do Centro Cultural Banco do Brasil (327 lugares) - Brasília

Por Rodrigo Machado

Teatro

Inverno da Luz Vermelha

Temporada de 25 de novembro
a 19 de dezembro de 2010

O Centro Cultural Banco do Brasil Brasília apresenta temporada de ‘Inverno da Luz Vermelha’, texto do premiado autor off-Broadway Adam Rapp, com direção de Monique Gardenberg, depois de consagrada temporada em São Paulo.

Com André Frateschi, Marjorie Estiano e Rafael Primot no elenco. Teatro I do CCBB Brasília. Indicado ao Prêmio Pulitzer em 2006, o texto é responsável pela volta de Monique Gardenberg à direção teatral depois de três anos.

O amor e a obsessão são sentimentos que nem sempre possuem uma fronteira bem definida, ainda mais quando se convergem sobre um triângulo amoroso, levando a um resultado que costuma ser devastador. Em ‘Inverno da Luz Vermelha’, o americano Adam Rapp construiu uma delicada trama sobre o assunto, centrada em contrastes psicológicos de personagens com falas de expressão realista, que tornam verossímeis as suas ações e de forma que tudo se encaixe.

Em uma noite no Red Light District, o ‘Bairro da Luz Vermelha’, em Amsterdã, os amigos David, machão impulsivo e, ao mesmo tempo, intimidador, interpretado por André Frateschi, e o acanhado e de bom coração Matheus, interpretado por Rafael Primot, têm contato com uma mesma mulher, Cristina, com traços de personalidade perdida, porém, romântica, desempenhada com exatidão por Marjorie Estiano. Um ano depois deste encontro, já de volta ao seu país de origem, ela os reencontra e o público percebe como a experiência mexeu – em graus bem diferentes – com cada um dos envolvidos, uma juventude transviada driblando suas carências.

A trama bem urdida apresenta aos poucos a complexa personalidade de cada um dos três personagens. ‘Fui aos poucos descobrindo as manobras do Adam Rapp, a sensibilidade dele para criar diálogos que soariam perfeitos na boca do elenco, jogos de cena deliciosos e uma qualidade poética que se esconde atrás de situações e falas banais’, conta Monique, que foi apresentada ao texto por Rafael Primot.

Na época, ele estava em busca de uma diretora para a peça, pois acreditava que o tema pedia um olhar feminino. Ainda suspeitando da força do texto, mas movida por sua admiração por Rafael, ela aceitou o convite e também assumiu a adaptação do original. Adam Rapp – assim como Robert Lepage, Neil LaBute e Jon Fosse – é mais um autor que tem sua obra encenada pela primeira vez em palcos brasileiros sob o olhar da diretora.

Com três longas no currículo (‘Jenipapo’, ‘Benjamim’ e ‘Ó Paí Ó’), Monique ficou conhecida por imprimir um rigor cinematográfico em suas direções teatrais. Seja pela sucessão de efeitos cênicos no fenômeno ‘Os Sete Afluentes do Rio Ota’ (2002) – montagem de cinco horas de duração que levou mais de 150 mil espectadores ao teatro – ou mesmo pela filigranada direção de atores em ‘Baque’ (2004) ou ‘Um Dia, No Verão’ (2007).

‘São todos autores contemporâneos, e este é o único ponto em comum entre eles. O texto do ‘Rio Ota’ é baseado no poder da síntese.  Lepage faz pouco uso das palavras para contar uma saga de cinco horas. Por isso mesmo ele está muito próximo do cinema. Em ‘Baque’, eu lidava com três monólogos confessionais, eram três contadores de histórias. Enquanto que em ‘Um Dia, No Verão’ me deparei com um texto exaustivamente repetitivo, já que nenhuma personagem ouvia o outro, enquanto tentava ser compreendido. Era uma peça sobre a incomunicabilidade. Agora não, tudo é muito realista, as pessoas falam o tempo todo, outras escutam, retrucam, discutem, brigam, brincam. O jogo é intenso, compara Monique.

Para dar vida a esta ‘partida’, o foco da direção recaiu sobre as atuações. Apesar da pouca idade, o trio de atores tem vasto currículo nos palcos e em outras áreas. Marjorie acumula elogiados trabalhos na televisão (as novelas ‘Páginas da Vida’ e ‘Duas Caras’) e uma carreira de sucesso como cantora, assim como André, ator de dezenas de minisséries, filmes, novelas e peças e vocalista da banda Heroes, dona de um público fiel na noite paulista. Ao longo da temporada, cada um lançará seu próprio CD. Os dois, inclusive, mostrarão os dotes musicais em cena.

Rafael também possui um talento multidisciplinar. Paralelamente ao trabalho de ator – acaba de rodar o seriado ‘As Cariocas’, com direção de Daniel Filho – Rafael desenvolve sólida carreira como escritor. Vencedor do último Prêmio Shell de Melhor Autor (pelo espetáculo ‘O Livro dos Monstros Guardados’), ele se prepara para rodar seu primeiro longa como diretor, ‘Dois Macacos Mais Um’, cujo roteiro também será assinado por ele.

‘Inverno da Luz Vermelha’ conta novamente com a parceria de Michele Matalon, que assina a co-direção com Monique. Elemento sempre destacado nos trabalhos da dupla, a trilha sonora mescla nomes como Tom Waits, Leonard Cohen, Radiohead, Alizee, Renato Russo e Bloc Party. A ficha técnica se completa com Daniela Thomas (cenografia), Cássio Brasil (figurinos) e Maneco Quinderé (iluminação).

Para realizar esta produção marcada por atores jovens, Monique convidou a Nós Outros Produções, de Beto Amaral e Pedro Igor Alcântara, dupla responsável por viabilizar o longa ‘Insolação’, de Felipe Hirsch e Daniela Thomas.

Sobre Adam Rapp
Nascido em Illinois, Chicago, em 1968, Adam Rapp começou a escrever romances e contos nos anos 90 e intensificou seu trabalho como dramaturgo na última década. Ao todo, já contabiliza 17 textos para teatro e uma série de prêmios. A montagem de ‘Inverno da Luz Vermelha’ (2005), também dirigida por ele, recebeu dois Obie Award e a indicação ao Pulitzer.

Com esta peça, ele despertou a atenção no circuito off-Broadway e ainda recebeu uma menção da American Theatre Critics Association. Ainda em 2005, finalizou seu primeiro longa-metragem como diretor: ‘Estranha Família’ (‘Winter Passing’), com Ed Harris, Zooey Deschanel e Darell Larson no elenco. Altamente produtivo, Rapp é consultor e assinou roteiros para séries de TV (‘The L World’), além de ter rodado um novo longa, ‘Blackbirds’ (2007).

INVERNO DA LUZ VERMELHA

De Adam Rapp | Direção: Monique Gardenberg | Co-direção: Michele Matalon

Com André Frateschi, Marjorie Estiano e Rafael Primot

Teatro I do Centro Cultural Banco do Brasil (327 lugares) - Brasília SCES Trecho 2, lote 22.
Temporada: de 25 de novembro a 19 de dezembro de 2010.
Dias e horários: de quinta a sábado, às 21h, e domingo, às 20h. Duração: 110 minutos.
Ingressos: R$ 15,00 e R$ 7,50 (meia-entrada para estudantes, professores, pessoas com mais de 60 anos e clientes BB). Classificação: 16 anos.

A venda antecipada de ingressos para cada semana da temporada inicia-se no domingo da semana anterior, restrita a quatro bilhetes por pessoa. Informações: 61 3310-7087.

O CCBB disponibiliza ônibus gratuito, identificado com a marca do Centro Cultural. O transporte funciona de terça a domingo, saindo do Teatro Nacional a partir das 11h.

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