TEATRO - RIO DE JANEIRO

MODÉSTIA

Centro Cultural Correios, a comédia dramática Modéstia

Fotos: Ana Alexandrino

Por Bruna Amorim / Daniella Cavalcanti

MODÉSTIA

02 de março a 29 de abril de 2012

No dia 02 de março, estreia, no Centro Cultural Correios, a comédia dramática Modéstia, do argentino Rafael Spregelburd, com direção de Pedro Brício, que também assina, junto com as atrizes Leticia Isnard e Isabel Cavalcanti, a tradução do texto. No elenco, Bel Garcia, Fernando Alves Pinto, Gilberto Gawronski e Isabel Cavalcanti, todos em duplos papéis.

Em “Modéstia”, Spregelburd trata de temas importantes no mundo atual, como a imigração, o preconceito racial e o caos provocado pela globalização. Sempre com um humor refinado e uma originalidade formal ímpares, a peça funciona como uma “comédia de portas”, contando duas estórias paralelas: uma se passa na Argentina contemporânea e a outra numa Rússia ‘tchecoviana’ em guerra. Os atores se dobram em papéis, ora interpretando o personagem de uma história, ora de outra, no incessante abrir e fechar das portas do cenário. Aparentemente, as histórias não têm relação, mas aos poucos suas conexões temáticas, suas complementaridades e contradições, aparecem num brilhante jogo dialético. A elaborada dramaturgia de “Modéstia” expõe uma consistente discussão sobre as fronteiras nos dias de hoje – fronteiras políticas, culturais e de linguagem. E versa também sobre as incertezas do mal, e sobre a modéstia como pecado: “Esse prazer soberbo e culposo de se sentir um pouco menos do que se é, com o objetivo íntimo, talvez, de pagar em cotas cômodas uma dívida infinita”, resume o autor.

Inédito no Brasil, o texto faz parte de uma heptologia escrito por Spregelburd. Inspirado pela pintura “A Roda dos Pecados Capitais”, de Hieronymus Bosch, o autor decidiu escrever peças sobre o que para ele seriam os sete pecados contemporâneos. A primeira foi ‘A Inapetência’, seguida de ‘A Extravagância’ (ambas de 1996); ‘A Modéstia’ (1999), encenada agora no Rio de Janeiro e em seguida em Brasília. Depois vieram ‘A Estupidez’, montada no Brasil em abril de 2011 pela Cia Os Dezequilibrados, com direção de Ivan Sugahara; ‘O Pânico’ (2002); ‘A Paranóia’ (2008); e ‘A Teimosia’ (2009).

Segundo Pedro Brício, a vontade de montar esse texto vem da relevância e originalidade que a obra tem, além de uma enorme identificação com a linguagem do autor. “A pesquisa de uma dramaturgia atual, a valorização da palavra em cena e o uso de uma comicidade que dialoga com o drama, a poesia e o absurdo, são qualidades do texto de Rafael Spregelburg e também elementos fundamentais da minha pesquisa”, afirma do diretor.

Este espetáculo tem patrocínio do Centro Cultural Correios, do Ministério da Cultura, da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e da Secretaria Municipal de Cultura, através do FATE (Fundo de Apoio ao Teatro).

Após a temporada no Rio de Janeiro, o espetáculo segue para o Centro Cultural Banco do Brasil, de Brasília.



Sobre a peça

“Modéstia” é uma obra contundente, de franca comunicação com o público. Desde a sua primeira montagem na Argentina, ganhou inúmeros prêmios de melhor texto, entre eles o Prêmio Teatro XXI (GETEA), Prêmio María Guerrero, Prêmio Trinidad Guevara, Prêmio Diario Clarín (1999), Prêmio Teatro del Mundo, Prêmio Florencio Sánchez (2000) e Prêmio Ciudad de Almagro, Espanha: melhor obra dramática, Festival de Teatro Contemporâneo (2005).

A estória que se passa em Buenos Aires coloca em cena quatro personagens, no apartamento de um condomínio de classe média. Arturo (Gilberto Gawronski), Angeles (Isabel Cavalcanti), Maria Fernanda (Bel Garcia) e San Javier (Fernando Alves Pinto) se envolvem numa rede de confusão de identidades, de apartamentos, traição amorosa, obsessão com a imigração coreana e uma trama de suspense, a partir do desaparecimento de fitas cassetes. A crise dos personagens é um espelho do caos social em que eles vivem. Já a estória que se passa na Rússia tem como tema a criação artística e a luta pela sobrevivência. Forçado pela esposa, Anja Terezovna (Isabel), Terzov (Fernando), um escritor turbeculoso tenta vender os direitos de um livro que não é seu. O comprador, Smeredovo (Gilberto), um médico imigrante, casado com Leandra (Bel), que troca o tratamento pelos direitos do livro. A trama fala sobre a crise do escritor, o valor da arte e a modéstia como pecado.

Texto: Rafael Spregelburd
Tradução: Pedro Brício, Isabel Cavalcanti e Letícia Isnard
Direção: Pedro Brício
Elenco: Bel Garcia, Fernando Alves Pinto, Gilberto Gawronski e Isabel Cavalcanti

INFORMAÇÕES
Datas: 02 de março a 15 de abril de 2012
Horários: quinta a domingo,  às 19h
Preços: R$ 20,00
Classificação etária: 14 anos
Duração: 90 minutos

LOCAL
Centro Cultural Correios (200 lugares)
Rua Visconde de Itaboraí,  20 - Centro
Informações:  21 - 2253-1580
Bilheteria:  2219-5165. Quarta a domingo, das 15h às 19h