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MOSTRA DE FILMES

AS MUITAS FACES DE UM CAFAJESTE JECE VALADÃO E OS FILMES DA MAGNUS

Por Assessoria de Imprensa CAIXA Cultural Rio de Janeiro

Mostra na CAIXA Cultural vai reunir 18 filmes da era industrial do cinema brasileiro

29 de março a 10 de abril de 2011

Há 50 anos, o filme Os Cafajestes, estrelado e produzido por Jece Valadão, e dirigido por Ruy Guerra, começou a ser rodado. Sucesso de bilheteria, o longa-metragem marcou o início da Magnus Filmes, criada por Jece, empresa que produziu mais de 30 longas-metragens, dos quais 15 rodados em apenas cinco anos. Talvez o mais frenético ritmo industrial experimentado pelo cinema brasileiro.

Para comemorar o cinquentenário e resgatar a memória desta importante produtora nacional, a CAIXA Cultural Rio de Janeiro recebe a mostra “As muitas faces de um cafajeste – Jece Valadão e os filmes da Magnus”, com exibição de 18 filmes, de 29 de março a 10 de abril (de terça a domingo). A mostra é realizada pela Franco Produções, com patrocínio da Caixa Econômica Federal.

Os 18 filmes selecionados para a mostra são: A Deusa negra; A navalha na carne; As sete faces de um cafajeste; Bonitinha, mas ordinária; Dois perdidos numa noite; Engraçadinha depois dos trinta; Eu matei Lúcio Flávio; Mãos vazias; Memórias de um gigolô; Mineirinho vivo ou morto; Nós os canalhas; O escolhido e iemanjá; O torturador; Obsessão; Os amores da pantera; Os cafajestes; Paraíba, vida e morte de um bandido; e O Matador Profissional.

“Parte dessa importante fase da produção cinematográfica nacional vem se perdendo e por isso muitos filmes da Magnus não fazem parte da mostra, que foi montada a partir do material ainda existente no acervo da extinta produtora. Além dos filmes, vamos exibir os cartazes promocionais, com arrojado tratamento gráfico para a época”, diz Ailton Franco, produtor da mostra.  

Magnus Filmes em história

Há exatos 50 anos, iniciavam-se as filmagens de Os Cafajestes. Nesta época, Jece Valadão já era um ator conhecido no teatro e no cinema, onde estrelou Rio, 40 Graus, de Nelson Pereira dos Santos. No início da década de 1960, Jece vendeu o seu teatro no Catete para se dedicar à produção de longas-metragens. Começava assim a história da Magnus Filmes.

Com apenas quatro personagens e um roteiro com cenas polêmicas, Os Cafajestes foi um enorme escândalo e sucesso de bilheteria. Apresentado no Festival de Berlim no mesmo ano de sua estreia no Brasil (1952), o filme – que incorporava elementos da Nouvelle Vague e pavimentava o caminho para um embrionário Cinema Novo – recebeu aplausos da crítica internacional, e Jece, montanhas de dinheiro.

A história escolhida para o longa-metragem seguinte seria Boca de Ouro, obra polêmica de seu cunhado Nelson Rodrigues. Concluído o filme, Jece – que novamente sob a direção de Nelson Pereira dos Santos interpretava o papel principal – venderia sua participação nos lucros para apostar em novos filmes. Bonitinha, mas Ordinária, também de Nelson Rodrigues, levou mais de dois milhões de espectadores brasileiros às salas de cinema.

Em 1964, o ator/produtor já assumia também a direção de seus filmes. Insatisfeito com os rumos tomados pelo Cinema Novo optou por filmes que fossem mais rentáveis e dialogassem com maior público, o que não o impediu de produzir Mãos Vazias, dirigido por Luiz Carlos Lacerda, tendo Leila Diniz naquele que seria o seu último filme. Atento a modismos apostou em musicais da “jovem guarda” com o astro Jerry Adriani. Jece ousou ao levar para as telas a obra de outro autor de teatro, o não menos polêmico Plínio Marcos. Inicialmente interditado pela censura, Navalha na Carne tornou-se mais um grande sucesso da Magnus. Essa atração por uma dramaturgia “maldita”, não impediu que logo após trafegasse pela margem oposta, desenvolvendo o longa Obsessão a partir de um original da aclamada autora de telenovelas Janete Clair.

Em constante adequação ao mercado e às exigências da indústria, a Magnus Filmes realizaria ainda comédias eróticas, dramas biográficos, westerns e produções de ficção científica, mas Jece não se furtava a chance de se arriscar em projetos improváveis, como A Deusa Negra, uma co-produção Brasil-Nigéria estrelada por um elenco constituído quase que unicamente de atores negros.

Em Eu Matei Lúcio Flávio, produção de 1979, Jece, no papel do policial/bandido Mariel Maryscott, arrastou multidões para as salas de exibição, mas no início da década de1980, a Magnus Filmes perdeu o fôlego.

As muitas faces de um cafajeste

Por uma única vez, no filme Obsessão, o ator Jece Valadão tentou se livrar de uma personagem mau caráter. Fracassou ao não encontrar qualquer empatia junto ao público. “A figura do homem já caminhava presa à sombra do cafajeste, e essa fama conquistada nas telas e a gigantesca dimensão que assumira no imaginário nacional para sempre viriam a obscurecer a face empreendedora e visionária do produtor e impedir o reconhecimento pleno de um autêntico homem de cinema”, diz Alfeu França, curador da mostra.

Mesmo com o fim da Magnus Filmes, Jece Valadão, um anti-herói nacional tão rejeitado quanto amado, o machão que já mal cabia em um mundo politicamente correto, prosseguiu atuando em teatro, telenovelas, programas de auditório e em obras de diretores como Glauber Rocha, Júlio Bressane e José Mojica Marins para o cinema. Para o espanto de toda uma nação, Jece Valadão viria a tornar-se ainda pastor evangélico. Em novembro de 2006, com problemas de saúde, faleceu em São Paulo.

SERVIÇO:
Mostra de cinema
“As Muitas Faces de um Cafajeste – Jece Valadão e os Filmes da Magnus”
Local: CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Cinema 1
Endereço: Av. Almirante Barroso, 25, Centro (Metrô: Estação Carioca)
Telefones: (21) 2544 4080
Datas: De 29 de março a 10 de abril de 2011 (De terça-feira a domingo)
Horários: Três sessões diárias – às 15h, 17h e 19h
Lotação: 83 lugares, sendo 2 (dois) para cadeirantes
Entrada: R$ 4,00 (inteira) e R$ 2,00 (meia entrada)
Classificação: Consultar programação no local.
Acesso para portadores de necessidades especiais.
Programação completa: www.caixa.gov.br/caixacultural

PROGRAMAÇÃO DA MOSTRA:

Terça Feira, Dia 29/03 – Cinema 1
15h - Engraçadinha depois dos Trinta, de J. B. Tanko (1967) 
17h - Os Cafajestes, de Ruy Guerra (1962)
19h - Nós, os Canalhas, de Jece Valadão (1975)
Quarta Feira, Dia 30/03 – Cinema 1
15h - Bonitinha mas Ordinária, de J. P. De Carvalho (1963) 
17h - Os Amores da Pantera, de Jece Valadão (1973)
19h - As Sete Faces de um Cafajeste, de Jece Valadão (1968)

Quinta Feira, Dia 31/03 – Cinema 1
15h - A Navalha na Carne, de Braz Chediak (1970) 
17h - O Torturador, de Antonio Calmon (1980)
19h - Memórias de um Gigolô, de Alberto Pieralisi (1970)

Sexta Feira, Dia 01/04 – Cinema 1
15h - Mãos Vazias, Luis Carlos Lacerda de Freitas (1971)
17h - Obsessão - de Jece Valadão (1977)
19h - Eu matei Lucio Flavio, de Antonio Calmon (1979)

Sábado, Dia 02/04 – Cinema 1
15h - Dois Perdidos Numa Noite Suja, de Braz Chediak (1970)
16h - O Escolhido de Iemanjá, de Jorge Durán (1978)
17h - Mineirinho Vivo ou Morto, de Aurélio Teixeira (1967)
Domingo, Dia 03/04 – Cinema 1
15h - A Deusa Negra, de Ola Balogun (1978)
17h - O Matador Profissional, de Jece Valadão (1969)
19h - Paraíba, Vida e Morte de um Bandido, de Victor Lima (1966)

Terça Feira, Dia 05/04 – Cinema 1
15h - O Torturador, de Antonio Calmon (1980)
17h - Memórias de um Gigolô, de Alberto Pieralisi (1970)
19h - A Navalha na Carne, de Braz Chediak (1970) 

Quarta Feira, Dia 06/04 – Cinema 1
15h - Os Cafajestes, de Ruy Guerra (1962)
17h - Nós, os Canalhas, de Jece Valadão (1975)
19h - Engraçadinha depois dos Trinta, de J. B. Tanko (1967)
Quinta Feira, Dia 07/04 – Cinema 1
15h - Os Amores da Pantera, de Jece Valadão (1973)
17h - As Sete Faces de um Cafajeste, de Jece Valadão (1968) 
19h - Bonitinha mas Ordinária, de J. P. De Carvalho (1963)

Sexta Feira, Dia 08/04 – Cinema 1
15h - O Matador Profissional, de Jece Valadão (1969)
17h - Paraíba, Vida e Morte de um Bandido, de Victor Lima (1966)
19h - A Deusa Negra, de Ola Balogun (1978)

Sábado, Dia 09/04 – Cinema 1
15h - Obsessão - de Jece Valadão (1977)
17h - Eu matei Lucio Flavio, de Antonio Calmon (1979)
19h - Mãos Vazias, Luis Carlos Lacerda de Freitas (1971)

Domingo, Dia 10/04 – Cinema 1
15h - Mineirinho Vivo ou Morto, de Aurélio Teixeira (1967)
17h - Dois Perdidos Numa Noite Suja, de Braz Chediak (1970)
19h - O Escolhido de Iemanjá, de Jorge Durán (1978)

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