Teatro - Rio

TEATRO - RIO DE JANEIRO

Ana Baird em "Chave de Cadeia"

Ana Baird em "Chave de Cadeia"

Foto: divulgação / Andrea Rocha

Teatro Leblon – Sala Tônia Carreiro

Por Ivone Kassu / Leandro Gomes

Uma Comédia Musical de Bolso

21 de setembro a 15 de dezembro de 2010

Ah, o amor!

Séculos após séculos, este sentimento tem se reinventado e resistido a todas as tentativas de explicação. A valorização da paixão, influência do Romantismo do século XVIII, ainda hoje domina a música popular, o cinema e as telenovelas. Em pleno século XXI, persiste o imaginário de um amor excessivo, impossível e a transcendente.  Ana Baird chega para encenar e cantar o amor escancarado às terças e quartas na Sala Tônia Carreiro do Teatro do Leblon de 21 de setembro a 15 de dezembro de 2010. ao lado do violonista Rene Rossano para encenar o que define como "uma comédia musical de bolso". O repertório inclui canções  definidas há alguns anos como "de cortar os pulsos!". Encantada com o talento de Ana Baird, a atriz Louise Cardoso, que contracena com ela em "Velha é a mãe", resolveu produzir e está investindo na estreia da temporada no teatro, já que, até então, o espetáculo só tinha sido apresentado em ambientes mais informais.

Chave de Cadeia é um espetáculo musical sobre a paixão, sobre a insatisfação, o exagero amoroso e sua conexão inevitável com o sofrimento. O termo que dá título ao espetáculo refere-se a perigo iminente, complicação, baixaria. O amor, inspiração primeira para obras-primas da música popular brasileira, será cantado com humor, sensibilidade e sofisticação.

Em cena, a atriz e cantora Ana Baird e Rene Rossano contam a história de uma crooner decadente, uma apaixonada terminal. Uma amante descontrolada, submissa, escandalosa e por isso mesmo risível. Uma abordagem irônica e refinada sobre a compulsão amorosa e o desequilíbrio emocional a que estamos todos expostos, em maior ou menor grau, pelo exercício da arte do amor.

O espetáculo é uma comédia musical de bolso. Sua estrutura cênica enxuta utiliza a dramaturgia de teatro musical, geralmente relacionada ao virtuosismo cênico, para criar uma performance minimalista, autoral, concentrada na interpretação e na qualidade musical. Pretende-se emocionar através da simplicidade e da relação direta com o público. Ao invés de coro e orquestra, apenas uma cantora e um violão. A força do espetáculo reside no valor de seu repertório e na excelência de sua intérprete.

O repertório reúne o fino da fossa, o melhor da dor de cotovelo. De Alexandre Pires a Tom Jobim, de Vanusa a Ella Fitzgerald. Uma homenagem as grandes cantoras do gênero, como Maysa e Dolores Duran. No roteiro: “Balada da Arrasada” de Angela Ro Ro, “Alguém me disse” de Lupicínio Rodrigues,   “Pode esperar”, do repertório de Alcione, além dos standarts “Cry me a river” e “The Lady is a tramp”.

Celebrar o amor romântico é também, uma celebração da subjetividade e da imensa capacidade afetiva feminina.  A mulher é, ao mesmo tempo, o tema preferido dos poetas e a maior consumidora da produção de conteúdo relacionada ao amor. A subjetividade feminina foi e é determinante na significação e valorização deste sentimento.

O espetáculo Chave de Cadeia resulta em um espelho bem humorado e crítico das portas falsas de nossos corações e mentes, uma oportunidade leve e divertida de discutir o conceito de amor/paixão, talvez o sentimento mais valorizado da cultura ocidental.  

Chave de Cadeia - Uma comédia musical de bolso
Teatro Leblon - Sala Tônia Carreiro. Tels.: 21 25297700 . Terças e quartas às 21h. Ingresso: R$ 40,00 (inteira) Estreia dia 21 de setembro. Classificação etária: 12 anos. 21 de setembro a 15 de dezembro de 2010