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Nós do Morro no Teatro Serrador

Foto: by Diego Najurieta

Nós do Morro segue comemoração de seus 30 anos de carreira com grande ocupação no Teatro Serrador

Projeto dá continuidade à celebração de três décadas do grupo Nós do Morro com três espetáculos em cartaz “Bataclã”, texto inédito de Luiz Paulo Corrêa e Castro, relembra o encontro de intelectuais e artistas com moradores do Vidigal na década de 70. Oficinas e debates também fazem parte da programação

Três décadas atrás, uma turma do Vidigal tinha o sonho conjunto de transformar a vida através da arte. Foi desse desejo comunitário que nasceu o bem-sucedido Grupo Nós do Morro, hoje referência de trabalho cultural e social na cidade. Depois de ocupar o Sesc Copacabana por um mês, o grupo dá continuidade às atividades que celebram essa trajetória, no Teatro Municipal Serrador, no Centro, até 20 de novembro.

O projeto Nós do Morro 30 anos de Arte reúne dois espetáculos autorais – o inédito Bataclã, dirigido por Fernando Mello da Costa, e Abalou, um musical funk, com direção de Guti Fraga, ambos com dramaturgia de Luís Paulo Corrêa e Castro, e o solo Serve-se, no qual o ator Marcello Melo propõe que o público, a partir de uma espécie de “cardápio”, escolha o repertório de músicas, poesias e histórias que serão apresentadas na noite. O grupo também leva ao espaço oficinas de teatro com Guti Fraga, de dança com Eliete Miranda e o debate Teatro e Movimento para o Futuro. Em 30 anos de atividades ininterruptas, o Grupo Nós do Morro comemora diversas conquistas. O cunho artístico-social, que deu origem à fundação, permanece forte e atuante – seja pelo atendimento à comunidade, com sua política de transformação da vida através da arte, seja pelas campanhas sociais que desenvolve no Vidigal (conscientização sobre o lixo, prevenção da dengue, da gripe etc.) –, mas hoje ele também é reconhecido como polo de referência em formação e realização artística.

Uma trajetória premiada

O Grupo Nós do Morro já montou 32 espetáculos profissionais e mais de 100 espetáculos experimentais. Recebeu inúmeros prêmios, dentre eles: IX Prêmio Shell de Teatro (1996); Prêmio Coca-Cola de Teatro Jovem (1997); e Prêmio Shell de Direção Musical com o espetáculo “Noites do Vidigal” (2002). Seu derradeiro espetáculo, “Domando a Megera” (2015) comprovou, mais uma vez, a excelência artística do Grupo.

Na área audiovisual, a companhia produziu seis curtas-metragens em película, um longa-metragem digital, além de ter formado profissionais como os cineastas Gustavo Melo, Luciana Bezerra e Luciano Vidigal, que têm em seu currículo participação nos Festivais de Cannes e Berlim.

O Nós do Morro permite aos jovens da comunidade o desenvolvimento de seus talentos artísticos, atuando pela formação de plateia local e, sobretudo, formando atores, técnicos e agentes multiplicadores que, ultrapassando os limites do Vidigal, possam apresentar a magia do teatro ao Rio de Janeiro e ao mundo. Do sonho à realidade. Hoje o Nós do Morro atende, anualmente, 200 alunos – entre crianças, jovens e adultos – que participam, de forma inteiramente gratuita, de suas oficinas de formação artística.

Transformar a vida através da arte requer mais do que aulas técnicas e teóricas. Por isso, além das oficinas de formação artística em interpretação, técnica vocal, canto, expressão corporal, técnica circense e instrumentos percussivos – que ocupam de 12 a 40 horas semanais de cada integrante – o Grupo ensina noções de ética, cidadania e educação, pontos imprescindíveis ao desenvolvimento de um artista-cidadão. A metodologia é democrática e parte do diálogo: todas as ações do Grupo são discutidas entre diretores, professores e alunos e, de seis em seis meses, as metas e objetivos são analisados de forma coletiva e individual, possibilitando, além do autoconhecimento, um cotidiano em que todos trabalham em função da arte, e não de si próprios.

BATACLÃ
Estreia: 2 de novembro
Terças e quartas, até 16 de novembro.

Com direção de Fernando Mello da Costa, a montagem relembra o clima do Vidigal no final dos anos 70, quando o morro recebeu diversos artistas e intelectuais que subiram suas ladeiras para morar num conjunto de prédios recém-construídos. Atores, cantores, artistas plásticos, produtores e realizadores de cinema, universitários e outras tribos da classe média – que atravessavam o período da desilusão da luta contra a ditadura militar –, se encontraram com sambistas, mulatas e demais moradores da comunidade, que ainda não tinha sido atingida pelo crescimento desordenado e pelos problemas sociais, que se agravariam nas décadas seguintes. Os dois grupos se encontravam em bares e biroscas localizados no alto do morro.

Um dos pontos de encontro, que ficou marcado na memória das novas gerações formadas a partir dessa mistura de culturas, era uma casa, localizada na parte alta da favela. No espaço, eram realizadas grandes festas, frequentadas por integrantes destas duas tribos, onde as informações e experiências eram trocadas e se experimentava uma vivência comunitária, com uma circulação intensa de jovens e adultos. Como uma república, a casa reunia moradores da favela e os artistas e intelectuais e recebeu o nome de Bataclã. Nesse lugar, romances se iniciaram e terminaram; jovens tiveram suas primeiras experiências sexuais e com um mundo que até então só conheciam no cinema e na televisão.

Personagens que entraram para a história do Vidigal e que foram a base para a formação intelectual de toda uma geração de moradores do morro passaram pelas portas do Bataclã.
“Ali vivenciamos histórias que ficaram guardadas na memória, um tempo que não volta mais. Só quem viveu é que pode falar. Só quem experimentou é que pode explicar”, lembra Luiz Paulo, que assina o texto. “Depois desta história, o Vidigal nunca mais foi o mesmo e virou um lugar de cultura, onde a vida artística floresce de todos os cantos, becos e vielas. O Grupo Nós do Morro é fruto desse contexto e essa é a nossa história”, destaca Guti Fraga, que, ao lado de Luiz Paulo e Fernando Mello da Costa, fundaram o grupo na década de 70.

FICHA TÉCNICA
Texto: Luiz Paulo Corrêa e Castro
Direção: Fernando Mello da Costa
Elenco: Eduardo Bastos, Hélio Rodrigues, Hugo Alves, Juliana Melo, Lorena Baesso, Luís Delfino, Melissa Arievo, Marcello Melo, Renan Monteiro, Sabrina Rosa, Sandro Mattos e Wendel Barros.
Direção Musical e Trilha Sonora: José Luiz Rinaldi
Figurinos: Kika de Medina
Cenografia: Fernando Mello da Costa
Designer de luz: Renato Machado
Direção de Movimento: Marcia Rubim
Preparação Corporal: Vanessa Garcia
Técnica Vocal: Leila Mendes
Instrutora de canto: Gabriela Geluda
Operação de luz: Lívia Ataíde
Costureira: Cláudia Ramos
Produção Executiva: Tatiana Delfina
Direção de Produção: Dani Carvalho

SERVE-SE
Dias 3 e 10 de novembro (quintas)

O ator Marcello Melo propõe que o público, a partir de uma espécie de “cardápio”, escolha o repertório de músicas, poesias e histórias que serão apresentadas na noite. Artistas convidados participarão do espetáculo como Gabriel Moura, Babu Santana, Elisa Lucinda entre outros.

FICHA TÉCNICA
Texto, direção e atuação: Marcello Melo
Produção: Dani Carvalho
Realização: Grupo Nós do Morro

ABALOU, UM MUSICAL FUNK
Estreia: 11 de novembro.
Sextas, sábados e domingos, até 20 de novembro.

Maestro, estudante secundarista, fica impressionado com a efervescência do mundo do rap e do funk, em meados da década de 90, no Rio de Janeiro. Pressionado pela necessidade de ascensão social dos jovens moradores de favela e bairros da periferia da cidade, resolve criar um novo estilo de rap, com bases sonoras inspiradas nas composições de Beethoven e letras inspiradas nas composições de Caetano Veloso. Certo de que sua ideia seria um sucesso imediato e o ajudaria a conquistar um lugar de destaque como MCs do bairro, Maestro leva sua ideia para o grande empresário Big Ben, que, de imediato, rejeita a novidade.

Maestro conta com alguns apoios inesperados. Três fantasmas, ex-moradores do Vidigal que, incomodados no céu com o barulho dos bailes funk, resolvem voltar à Terra para descobrir a origem daquela bagunça e vão parar no baile do Vidigal. Lá, aparece Tininha, líder de um grupo de meninas que frequentam o baile e têm nela a sua fonte inspiradora, mas não compreendem suas esquisitices. Tininha sonha em deixar a favela para morar em Copacabana e, secretamente, alimenta uma paixão não correspondida por Maestro.

O grupo de Tininha tem por antagonista a turma da Martinha, que são seguidoras fiéis dos MCs Pilantra e Lagartão, empresariados por Big Ben e antagonistas de Maestro. Os fantasmas Ricardo, um dono de equipes de soul dos anos 70; Eládio, frequentador assíduo das gafieiras na década de 60; e Waldemar, um dançarino e admirador dos bailes das grandes orquestras americanas das décadas de 40 e 50, começam, então, a manobrar para juntar Maestro e Tininha e, desta forma, influenciam a vida dos demais personagens do espetáculo.

A peça estreou em 1997, na Casa de Cultura Laura Alvim, e recebeu seis indicações ao Prêmio Coca-Cola de Teatro Jovem (melhor atriz, espetáculo, coreografia e categoria especial), das quais ganhou coreografia, cenário e categoria especial. Na montagem atual, o texto foi reescrito, considerando as circunstâncias político-sociais do Brasil, o crescimento e as novas formas de conflito e conciliação no espaço da favela.

FICHA TÉCNICA
Texto: Luís Paulo Corrêa e Castro
Direção: Guti Fraga
Assistente de Direção: Sabrina Isnard
Elenco: Alexandre Cipriano, Alice Coelho, Bruno Borges, Camila Monteiro, Clara Nery, Danilo Martins, Danilo Martins, Deivison Santos, Dhonata Augusto, Flavio Mariano, Iohanna Carvalho, João Gago, João Okame, Leilane Pinheiro, Mariana Alves, Marília Coelho, Murilo Sampaio, Nathalia Altenbernd, Ramon Francisco, Sonia Magalhães, Taiana Bastos, Thais Dutra, Thiago Vicente e Vandinho Ribeiro.
Cenografia: Fernando Mello da Costa
Iluminação: Márcia Francisco
Figurinos: Gorette Bezerra
Direção Musical e músicas originais: João Gurgel e Júnior & Leonardo
Direção de Movimento e Coreografias: Johayne Hildefonso
Preparação Corporal: Vanessa Soares
Técnica Vocal: Isabel Schumann
Instrutora de canto: Letícia Vasconcellos
Operação de som: Danilo Martins
Operação de luz: Lívia Ataíde
Visagismo: Angélica Ribeiro
Camareiras: Cláudia Ramos
Costureira: Cláudia Ramos
Assistentes de Produção: Tatiana Delfina e Kiko de Moraes
Produção Executiva: Márcio Lopes
Direção de Produção: Dani Carvalho

DEBATE
Teatro e Movimento para o Futuro
Quinta, dia 17 de novembro, às 19h30.

OFICINAS NÓS DO MORRO
Teatro para adolescentes
Sexta, dia 12 de novembro.
Horário: de 15h às 18h
Inscrições pelo e-mail nosdomorro.producao@yahoo.com.br
Título do e-mail: Oficina de Teatro

Sobre a oficina: O objetivo é realizar uma oficina de teatro para adolescentes, com ou sem experiência, como forma de dividir e multiplicar a metodologia do aprendizado teatral desenvolvida pelo Grupo. A oficina será ministrada pelo diretor Guti Fraga e será oferecida para um grupo de 20 pessoas.

Oficina A Arte de Dançar Afro com Eliete Miranda
Sexta, dia 19 de novembro.
Horário: De 11h às 16h

Inscrições pelo e-mail nosdomorro.producao@yahoo.com.br
Título do e-mail: Oficina de Dança

Sobre a oficina: Com objetivo de despertar nos alunos o conhecimento do próprio corpo através de diversas vivências – música, dança e movimentação cênica, ligadas ao imaginário e à cultura afro brasileira. A oficina busca valorizar a autoestima e também formar cidadãos e multiplicadores.

Eliete Miranda é professora, coordenadora e educadora social, desenvolve seu trabalho ligado à dança há 20 anos. Em Salvador, coordenou o grupo de dança das Yaôs, uma das percussoras do Bando de Teatro Olodum. É diretora artística da Escola de Música e Percussão Didá, coreógrafa dos blocos afros de Salvador e vice coordenadora da pastoral da mulher marginalizada.

SERVIÇO NÓS DO MORRO 30 ANOS DE ARTE
Temporada: de 2 a 20 de novembro de 2016.
Local: Teatro Municipal Serrador
Endereço: Rua Senador Dantas, 13, Centro
Informações: (21) 2220-5033
Bilheteria: de terça-feira a sábado, das 15h às 18h.
Ingressos para o espetáculo do dia: das 15h às 20h.

BATACLÃ
2 a 16 de novembro de 2016.
Dias e horários: Terças e quartas, às 19h30.
Capacidade: 276 lugares
Ingressos: R$ 20
Duração: 96 minutos
Classificação indicativa: 14 anos
Gênero: Musical

SERVE-SE
Dias 3 e 10 novembro de 2016.
Dias e horários: Quintas, às 19h30
Capacidade: 276 lugares
Ingressos: R$ 20
Duração: 90 minutos
Classificação indicativa: livre.
Gênero: performance

DEBATE
Teatro e movimento para o futuro
Quinta, dia 17 de novembro, às 16h.
Capacidade: 276 lugares
Entrada gratuita.

ABALOU, UM MUSICAL FUNK
De 11 a 20 de novembro de 2016.
Dias e horários: Sextas, sábados e domingos, às 19h30
Capacidade: 276 lugares
Ingressos: R$20
Duração: 80 minutos
Classificação indicativa: 12 anos
Gênero: Musical

Informações para imprensa:
Bianca Senna | Paula Catunda | Rachel Almeida

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