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TEATRO - SÃO PAULO

O Inspetor

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Roteiro de teatro

Por Tiago Santos / TSantos Assessoria de Comunicação

Comédia “O Inspetor” traz uma mulher no poder

Clássico russo sobre corrupção ganha releitura e estréia em 07 de setembro,
dia da Independência do Brasil, no Teatro Nair Bello, em São Paulo

País do futuro ou do faturo? A corrupção generalizada é o tema da peça “O Inspetor”, que estréia neste feriado (07/09), no Teatro Nair Bello em São Paulo. Baseada em “O Inspetor Geral”, de Nikolai Gogol (1809-1852), a montagem de Hudson Glauber propõe uma releitura moderna e multimídia para o clássico russo. Uma nova forma de contar e produzir. Dentre as inovações, retratando a presença feminina nas altas esferas do poder, destaca-se uma mulher como governante de um vilarejo corrupto.

A comédia – escrita em 1836 – mostra o pânico que se instaurou numa cidade após a notícia da chegada de um inspetor vindo da capital, São Petersburgo, a mando do czar. O objetivo é averiguar as condições dos órgãos públicos locais. Os políticos da cidade acabam confundindo Ivan Aleksándrovitch Khlestakov (interpretado por Tiago Luchi) com o temido funcionário. Khlestakov está de passagem pela cidade, sem dinheiro, passando fome e resolve tirar proveito da situação. Nessa divertida troca de identidade, o público vislumbra os bastidores do poder, a rotina das propinas e subornos.

A governadora (Juçara Morais) sugere uma faxina na cidade, para disfarçar o caos e a má administração. Os médicos escondem os doentes e tentam melhorar o visual do hospital, o juiz manda tirar a criação de gansos do tribunal, a diretora das escolas pede para os professores pararem de bater nos alunos. Todas as autoridades, da governadora ao chefe dos correios, bajulam e subornam o inspetor até descobrirem que se trata de um vigarista.

“Gogol faz uma sátira dos costumes e da moral da elite russa no século XIX, mas poderia estar falando perfeitamente do Brasil de hoje. A corrupção e os jogos políticos são temas universais e atemporais. Procuramos tirar o histrionismo e fizemos uma montagem mais leve e dinâmica, já que o texto, em si, é forte o suficiente”, explica o diretor Hudson Glauber. Com um mix de atores jovens e experientes como Juçara Morais (esteve em cartaz recentemente com “Pororoca”, de Sergio Ferrara, atuou em “As Turca”, de Andreia Bassit e produção de Irene Ravache) e Josemir Kowalick ( diretor de várias adaptações de dramaturgos russos, dirigiu a comédia “Monólogo da Velha Apresentadora”, em 2009, texto de Marcelo Mirisola e com Alberto Guzik), o diretor também ousou no diálogo entre as artes. Monitores espalhados pelo palco mostram cenas atuais de miséria, impunidade, bueiros de cidades explodindo, sujeira e caos nas grandes metrópoles.

Referências cinematográficas também estão presentes na maquiagem das personagens. Expressionista, ela lembra as caracterizações das figuras dos filmes de Tim Burton, com seus olhos pretos, marcados, que fundem horror e comédia. No figurino, assinado por Aline Leonello e Lígia Cesquini, também há muito contraste.

Looks pomposos, mas com um toque de desconstrução, meio às avessas, do veludo ao jeans, do solene ao rock’n rol, do luxo ao despojamento. Afinal, nem tudo é o que parece ser. Os habitantes do vilarejo entoam cantos gregorianos, mas são acompanhados por uma guitarra. A sala da governadora tenta ser austera, mas mais parece um cabaré. Comédia originalmente farsesca, a proposta, segundo o diretor Hudson Glauber, é torná-la mais comédia e menos cômica. Com um humor sarcástico e personagens patéticas, mais do que criticar determinados partidos ou políticos, a peça mostra como o ser humano corrompe e se deixa corromper. Peça para rir e refletir. www.oinspetor.com.br

Sobre Hudson Glauber:

Diretor artístico da Escola de Atores Wolf Maya desde a sua fundação, em 2001, ele é formado em Artes Cênicas pela Escola de Atores Wolf Maya Ltda e Academia Internacional de Cinema. Como produtor e assistente de direção, trabalhou com Wolf Maya nos espetáculos de teatro “Blue Jeans”, “Garota Glamour” e “O Musical dos Musicais”. Dirigiu e produziu os curta-metragens “O Sexo Oposto” (2005) e “Peter’s Friends” (2008) e os filmes “Comédia da Vida Privada” (2009) e “Curta Comédia” (2010). Dirigiu os espetáculos “Rock Show – O Musical”, “On Broadway”, “Ah, Se Eu Fosse Bob Fosse”, as 03 edições de “Making Musicals”, entre outros.

Texto: Nikolai Gogol | Direção: Hudson Glauber

Elenco: Albenis Amaral, Bruno Fadelli, Caio Gorzoni, Carolina Saru, Hani Hallage, Josemir Kowalick, Ju Andrade, Juçara Morais, Kadu Moreira Lima, Keila Zago, Lígia Breternitz, Marcelo Santiago, Marcelo Thomaz, Maria da Glória Stevam, Melina Menghini, Mondrya Lauend, Paulo Valentim, Pérsio Plensack, Rafael Braga, Tiago Luchi, Walter Della Costa.

Serviço
O Inspetor - Teatro Nair Bello (200 lugares) – Shopping Frei Caneca – Rua Frei Caneca, 569 – 3º Piso.
Tel.: (11) 3472-2414. Temporada: de 07 de setembro a 27 de outubro de 2011. Quartas e quintas, às 21h. Ingressos: R$ 30,00. Duração: 90 minutos. Classificação: 12 anos. Gênero: Comédia. Acessibilidade: rampa de acesso, banheiros e elevadores.