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O APRENDIZADO HUMANO

O conhecer e o processo de aprendizagem

Por Professor Antonio Medina

Professor Antonio Medina O aprendizado humano passa por quatro fases distintas, cada uma com suas características peculiares. A primeira fase é a ignorância absoluta sobre algo, o desconhecimento total da existência ou da possibilidade de algo. É denominada incompetência inconsciente e engloba tudo aquilo que você “não sabe que não sabe”. É um duplo não saber, e tem como resultado imediato o fato de que não podemos fazer nenhum esforço para aprender o que não sabemos que pode ser aprendido. Esta ignorância absoluta é o motivo principal da restrição de muitas possibilidades humanas.

O conhecimento só pode ser alcançado a partir do segundo momento, o da incompetência consciente. Aqui eu já sei que não sei e posso decidir querer aprender ou não. Decidir é a questão, pois o conhecimento precisa ter valor elevado para que eu invista esforço (tempo, dinheiro, persistência) na sua aquisição. Todo aprendizado requer sacrifício, pois temos que abrir mão do lazer e do ócio, ou de um tempo de convivência com pessoas que amamos para investirmos em um aprendizado. Desta maneira é importante avaliar a ecologia do objetivo, ou seja, estimar se realmente vale à pena perdermos o que iremos perder para poder ganhar o que iremos ganhar. Por exemplo, uma pessoa que quer passar num concurso público e se compromete a estudar dez horas por dia certamente sacrificará o tempo de trabalho, e/ou os cuidados pessoais (sono, alimentação, exercícios físicos) e e/ou os relacionamentos pessoais (relacionamento amoroso, amigos, pais, filhos). Tais fatos provocam conseqüências: pode-se passar no concurso e destruir um casamento, por exemplo.

Vivemos na era do conhecimento, mas uma das principais características dos tempos atuais é a dificuldade provocada pelo excesso de informação disponível e a necessidade de sermos criteriosos para escolher aquilo que é o mais importante para cada um de nós a cada momento. É bobagem acumular conhecimentos que não iremos utilizar. Portanto, uma vez decidido como valioso, prioritário, pode se partir para a aquisição. E entramos na terceira etapa: a competência consciente. Nesta instância, antes de executar uma atividade, nós pensamos conscientemente no que fazer e em como faremos, ou seguimos ordens ou instruções orais ou escritas. Utilizamos a mente consciente no processo. Todos que aprenderam a dirigir automóvel lembram das dificuldades da primeira aula, em que tínhamos que executar uma série de ações em seqüência, com o risco de errar e bater o carro: ligar a chave, pisar na embreagem, engatar a primeira marcha, ir apertando o acelerador e soltando a embreagem e ... morre o carro! Começa tudo de novo...

Mas, na medida em que repetimos a atividade, vamos incorporando as habilidades – passando os procedimentos da mente consciente para o corpo. E, passo a passo, ao longo do tempo, notamos que não precisamos mais pensar para fazer, entramos no processo automático. E aqui eu entro no carro e digo: vou dirigir até meu trabalho e não preciso pensar em etapas. Libero meu pensamento para outras atividades como planejar o dia ou trocar idéias com uma pessoa que está me acompanhando no trajeto.

Aqui se chega à última fase do processo: a competência inconsciente. Como não precisamos mais pensar para fazer, podemos relaxar, nos sentimos seguros, nos tornamos mestres daquela habilidade. Tudo flui no automático e só voltamos a utilizar a mente inconsciente numa possível situação de emergência.

Outra coisa importante de se ressaltar é a importância da auto-estima no processo de desenvolvimento de uma habilidade. Existe sempre uma diferença entre a minha expectativa de desempenho de uma nova habilidade e o meu desempenho real. Geralmente desejamos uma apropriação acelerada da habilidade. Por exemplo, se quero aprender a tocar um instrumento musical e entro numa aula de violão espero estar tocando uma música razoavelmente bem depois de um mês. Mas, quando chega este tempo, eu estou apenas arranhando o instrumento e fico frustrado com meu desempenho. A diferença entre a expectativa e a realidade é o tamanho da minha frustração. Quanto maior a frustração, maior deve ser minha auto-estima para suportá-la. As pessoas com baixa auto-estima tendem a desistir logo do aprendizado. E se arrependem depois!

Então, este é mais uma aprendizado fundamental: um aprendizado sobre si mesmo. Se você desistiu de um aprendizado altamente desejado - ou se conhece alguém que o fez - verifique sua auto-estima e fortaleça-a! Você só tem a ganhar!

Antonio Medina é Professor de Pós-graduação, Life Coaching, Arteterapeuta, Economista e Psicólogo Social. Contato: Celular: 21 8877-7774 / e-mail: antonioluizmedina@gmail.com

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