Teatro - São Paulo

TEATRO - SÃO PAULO

O Meu Amigo Pintor

O Meu Amigo Pintor

Foto: divulgação

Centro Cultural Banco do Brasil

Dica de Teatro

Por Nanda Rovere

O Meu Amigo Pintor

Até 15 de agosto de 2010 - Grátis

A perda de um amigo querido muda o cotidiano de um garoto de 12 anos. Com esse amigo, um vizinho pintor, ele conheceu a beleza das cores e estabeleceu uma cumplicidade muito bonita. Claudio é um menino com todas as alegrias, inseguranças e ânsia por descobertas da sua idade. Semanalmente ia ao apartamento do pintor jogar ... e aprender um pouco sobre arte e as emoções que as cores despertam. Inconformado com o suicídio do amigo querido, tenta entender os motivos que o levaram a cometer tal ato e narra fatos marcantes dessa convivência. Com muita poesia e lirismo, a saudade permeia todas as histórias, as quais o público acompanha em cerca de uma hora de espetáculo, algumas em ritmo de flashback, outras resultantes de sonhos cheios de situações inusitadas. Nelas, o menino / narrador acentua o temperamento reservado e meio depressivo do amigo, a sua paixão pela arte e a incerteza do seu talento para a pintura, o relacionamento com Clarisse, uma mulher casada – paixão de infância e seu o envolvimento com a política. Procura as respostas com várias pessoas, sobretudo com Clarisse, mas não consegue descobrir o porquê do ato desesperado. O jeito é tocar a vida. Ele amadurece e apesar da pouca idade, começa a entender que nem sempre a vida nos reserva só felicidade.

Como todo trabalho de Capela, cenário, trilha e figurino são primorosos. O cenário é formado por telas criadas pela artista plástica Tomie Ohtake, que se referem ás pinturas do artista. Os figurinos são belíssimos e dão o tom, sentido, clima e emoção às cenas, assim como a trilha. A luz acentua a emoção dos personagens e cada cor se refere a um sentimento ou a uma ação. Capella usou com competência todo o palco do CCBB, que apesar de pequeno, serviu com perfeição à encenação. As movimentações são criativas e dão dinamismo ao espetáculo. Em alguns momentos, principalmente nas narrações dos sonhos, a peça fica um pouco cansativa, mas a beleza visual prende a atenção do espectador.

Pedro Inoue, que interpreta o menino é esforçado e merece elogios. Kiko Pissolato pintor e demais atores estão adequados aos personagens, Clarisse, tem uma interpretação monocórdia. Um texto que prima pela emoção, num mundo em que quanto mais suscitarmos o encantamento pelo belo e a valorização pelo amor e pela amizade, mais contribuiremos para que haja respeito ao próximo.

A montagem deve ser vista por jovens e adultos, pela qualidade estética e pela maneira criativa em que mistura fatos políticos, suscita reflexões e sentimentos. A autora transita por questões complexas com delicadeza e valorizando na criança e no jovem a capacidade de lidar com problemas, saber superá-los e encará-los como experiência.

Adaptação Cênica e Direção: Vladimir Capella
Texto: Lygia Bojunga
Cenário e figurino: Fábio Namatame
Arte em Telas: inspirado em Tomie Ohtake com desenhos de Mariana Dreyfuss
Direção Musical e Trilha Originalmente Composta: Dyonísio Moreno
Iluminação: Cizo de Souza

Elenco: Cláudio: Pedro Inoue - Pintor: Kiko Pissolato - Clarisse: Samanta Precioso Pai: Marco Furlam - Mãe: Helga Baêta - Rosália: Letícia Tomazella Síndico: Rodolfo Aiello - Músicos: Otávio Colella e Tânia Neiva.

Centro Cultural Banco do Brasil (125 lugares). Rua Álvares Penteado, 112 – Centro
Informações: (11) 3113-3651. Sexta, sábado e domingo, às 16h - Entrada Franca
(Retirada de senha 01 hora antes do início do espetáculo)
Sessões extras nos sábados: 31 de julho, 07 e 14 de agosto, às 19h30.
Duração: 70 minutos. Recomendação: 10 anos