Teatro São Paulo

TEATRO SÃO PULO

OS OSSOS DO BARÃO

OS OSSOS DO BARÃO

Foto: Arnaldo Torres

Teatro Ruth Escobar Sala Dina Sfat

OS OSSOS DO BARÃO

Estreia em 8 janeiro no Teatro Ruth Escobar

Por Douglas Picchetti / Arteplural Comunicação

A comédia - escrita por um dos mais importantes autores de teatro do Brasil -
já teve adaptações para TV e resgata o período de mobilidade social e industrialização, resultado da  grande crise econômica de 1929. Décima terceira montagem da Cia Encena, a peça tem cenário, assinado por Jorge Jacques, ex-integrante dos Satyros e conta com a participação especial de vários atores veteranos  como Débora Muniz, musa do cinema nacional e uma das atrizes do filme Encarnação do Demônio, de Zé do Caixão

Os Ossos do Barão, de Jorge Andrade, estreia em montagem da Cia de Teatro Encena, dirigida por Orias Elias, dia 8 de Janeiro (sexta-feira, às 21 horas) de 2010 na sala Dina Sfat, do Teatro Ruth Escobar. O espetáculo discute os reflexos da crise financeira de 1929 na sociedade paulistana, retratando o desejo pela ascensão social.

Protagonizando a história, o imigrante italiano Egisto Ghirotto, ex-empregado da fazenda do Barão de Jaraguá, que enriqueceu com a Revolução Industrial em São Paulo e tornou-se proprietário de tudo que pertenceu ao Barão no passado (inclusive os ossos e sua cripta mortuária). Apesar de rico e dono de tantos bens, Egisto está descontente, pois não possui qualquer título de nobreza. Seu sonho, portanto, é concretizar o casamento de seu filho Martino com Isabel, bisneta do Barão de Jaraguá. Em busca desse sonho, Egisto põe um plano em prática, visando a atrair a família de Isabel para uma armadilha que envolve os ossos do barão.

A história retrata o contexto das grandes mudanças na ordem social e econômica do país, consequências da crise financeira de 1929, como o processo de industrialização, declínio de poder de muitos fazendeiros e barões de café e a ascensão social dos imigrantes, a exemplo do protagonista da peça. 

Além dos atores da companhia, o elenco conta, ainda, com atores convidados como Débora Muniz, musa da pornochanchada que atuou em dezenas de peças, incluindo O Amor Venceu e Querelle e mais de trinta filmes nacionais. Em 2008, a atriz interpretou Lucrécia em Encarnação do Demônio, último filme de José Mojica Marins, o Zé do Caixão. A montagem conta, ainda, com Roberto Francisco (atuou nas montagens de O Balcão e Cemitério de Automóveis produzidas por Ruth Escobar, e integrou a companhia teatral de Antunes Filho por 2 anos), Sylvia Malena (veterana dos palcos, atuou com diversos diretores, entre eles Sebastião Apolônio, Mário Bortolotto e Fernanda D´Umbra), Dora Coppola (trabalhou durante anos no Projeto Ademar Guerra e ministrou cursos nos CEUS da Prefeitura de São Paulo) e Lourdes Bastos (veterana, também participou, ao lado do cantor Sergio Reis, de diversos comerciais).

O cenário, assinado por Jorge Jacques, ex-integrante dos Satyros, recria uma casa típica do período. Móveis, molduras, porta-retratos e todos os outros objetos que integram o espaço foram construídos especialmente para a peça. O figurino, assinado por Walter Lins, é inspirado em personalidades da década de 60, como Maria Tereza Goulart e Elizabeth Taylor. Para os homens do elenco, Walter Lins pesquisou sobre o estilo de modelos masculinos da época em revistas como Manchete, Cruzeiro e na coleção Nosso Século. Walter Lins também assina a trilha sonora, composta por tarantela, samba e chorinho. O repertório alegre tenta se aproxima ao máximo do contexto de uma casa de família de imigrantes italianos.

Os Ossos do Barão teve montagens antológicas para o teatro e para a TV. Em 1963, recebeu encenação dirigida por Maurice Vaneau com Otelo Zeloni, Rubens de Falco, Cleyde Yáconis e Aracy Balabanian no elenco. Tornou-se telenovela em 1973, pela TV Globo, dirigida por Régis Cardoso e interpretada por Paulo Gracindo, Carmem Silva, Lélia Abramo, Lima Duarte, José Wilker e Dina Sfat. E em 1997, foi regravada pelo SBT, adaptada por Walter George Durst e dirigida por Nilton Travesso, Antonio Abujamra e Luiz Armando Queiroz. Essa versão trouxe, no elenco, atores como Leonardo Villar, Juca de Oliveira, Cleyde Yáconis, Rubens de Falco, Clarisse Abujamra e Ana Paula Arósio. Em 2005, foi adaptado para o programa Senta que lá vem comédia, da TV Cultura, com direção de Willian Pereira.

Sobre o autor

Aluísio Jorge Andrade Franco (21/05/1922 a 13/03/1984) nasceu na cidade paulista de Barretos e morreu, vítima de embolia pulmonar, na cidade de São Paulo. Um dos mais expressivos dramaturgos paulistas e brasileiros, retratou com funda verdade e grande poesia cênica diversos panoramas da vida ligada à herança cafeeira, dedicando-se, posteriormente, a temas contemporâneos à sua época e ligados à vida metropolitana. Jorge Andrade concluiu sua formação como dramaturgo na Escola de Arte Dramática - EAD, em 1954. Seu primeiro texto foi O Faqueiro de Prata, em 1951. No mesmo ano, escreveu O Telescópio, dirigido por Paulo Francis, no Rio de Janeiro. Filho de fazendeiros e tendo vivido a cultura do meio rural, o autor trouxe para a cena profundas observações desse universo, especialmente sua derrocada e adaptação ao meio urbano, fonte dos conflitos que atravessam a maior parte de suas criações, como A Moratória, encenada em 1955 por Gianni Rato. Após A Moratória, Jorge Andrade ganhou do governo norte-americano uma bolsa para estudar teatro nos Estados Unidos. Na volta, escreveu extensa e grandiosa obra. “A Escada”, “Pedreira das Almas”, “Os Ossos do Barão”, “Vereda da Salvação” e “Senhora da Boca do Lixo” estão entre suas mais famosas peças.Também se destacou na televisão, onde escreveu novelas como “O Grito”, “As Gaivotas” e “Ninho da Serpente”.

 Sobre a Cia de Teatro Encena

A Companhia de Teatro ENCENA, sediada no Butantã, foi fundada em 1997. Desde sua fundação, desenvolve um trabalho que visa analisar o Homem dentro dos contextos social e político das diferentes fases da história e estudar o efeito da passagem do tempo sobre a vida das pessoas.  A ENCENA já produziu O Interrogatório, de Peter Weiss (1998); Antibióticos, de Gilberto Amendola (1998), Nossa Cidade, de Thornton Wilder (1999); FiquepauerPopcornShow, de Marco Moreira e Walter Lins (2000); O Grande Amor de Nossas Vidas, de Consuelo de Castro (2001); Espeto de Coração, de Gilberto Amendola (2002); O Mercador de Veneza, de William Shakespeare (2003, remontada em 2005), Sex Shop Café, de Gilberto Amendola (2004), Leonor de Mendonça, de Gonçalves Dias (2006), e Nos 80... , de Gilberto Amendola  (2008). EM 2007, na sede da Cia foi criado um espaço cultural com plateia de 60 lugares. Especialmente para o espaço, foram criadas duas peças infantis: Julia Quer Ser Fada, de Walter Lins (2007) e A Liga Subaquática e O Monstro da Poluição, de Wagner Pereira (2008). Além de apresentação de espetáculos, o espaço é também usado para oficinas, destinadas à comunidade do entorno.

OS OSSOS DO BARÃO de Jorge Andrade
Direção: Orias Elias. Co-Direção: Walter Lins.
Elenco: Cadú Camargo, Daniella Murias, Débora Muniz, Dora Coppola, Jacintho Camarotho, Lourdes Bastos, Orias Elias, Roberto Francisco, Sylvia Malena e Zulhie Vieira.
Figurino e Trilha Sonora: Walter Lins.
Cenografia: Jorge Jacques. Luz: Orias Elias.

Local: Teatro Ruth Escobar Sala Dina Sfat (390 pessoas)
Endereço: Rua dos Ingleses, 209
Bairro: Bela Vista. Telefone: 3289-2358.
Horário(s): Sextas e sábados às 21h e domingos às 19h30
Data(s): 8 de janeiro a 28 de março de 2010.
Preço(s): R$ 30 (sextas e domingos) e R$ 40 (sábados).
Classificação: 12 anos
Duração: 90 Minutos
Possui acesso para deficientes. Estacionamento: Sistema Valet.

Assessoria de Imprensa
Jornalista responsável - Fernanda Teixeira
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