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PEÇAS EM GALERIA - RIO DE JANEIRO

Espetáculos 'Matamoros' e 'Inglaterra - versão brasileira'

Por Bruna Amorim / Daniella Cavalcanti - Assessoria de Imprensa

20 de junho a 26 de agosto 2012, no Centro Cultural
Justiça Federal

Foto: Dalton Valério

Começa, no dia 20 de junho, Peças em Galeria, projeto que reúne dois espetáculos dirigidos por Bel Garcia: “Matamoros”, texto deHilda Hilst dedicado a arquiteta e cenógrafa Gisela Magalhães, que ficará em cartaz de 20 de junho a 22 de julho, e “Inglaterra – versão brasileira”, de Tim Crouch, de 25 de julho a 26 de agosto. O evento, que promove um encontro entre cena, palavra, imagem e espaço, irá ocupar as galerias do Centro Cultural da Justiça Federal.

Além dos espetáculos, o público também poderá conferir a exposição de “Matamoros” criada pelo fotógrafo e artista visual Cafi, que durante mais de 30 anos trabalhou em parceria com Gisela Magalhães na montagem de exposições e em viagens pelo Brasil. A obra ficará em exposição no CCJF e também será palco da peça.

“Não se trata de trocar um espaço pelo outro, no caso o cubo preto pelo cubo branco, mas de estabelecer conexões em que o espaço da galeria se torne fundamental para a cena e vice – versa. É uma tensão entre os limites das linguagens e dos sentidos”, afirma Maíra Gerstner, atriz idealizadora do projeto ao lado de Bel.

A ideia da exposição de “Matamoros”, que estreia no dia 20 de junho, surgiu a partir do desejo de realizar um encontro poético entre Hilda e Gisela para contar a história de Matamoros, uma menina que, desde cedo, descobre os prazeres do corpo e do amor, mas também descobre as incertezas da vida. A peça terá a participação da atriz Luciana Fróes em vídeo, projetados em seis pontos diferentes, utilizado como importante suporte na construção da dramaturgia do trabalho, que também conta com uma sonoridade que atravessa espaço e cena.

Já “Inglaterra – versão brasileira”, de Tim Crouch, inédito no Brasil e com estreia marcada para o mês seguinte, no dia 26 de julho, se passa em uma exposição onde um casal que trabalha em um museu, conta sua história para o público a partir de uma visita guiada pela exposição. A peça acontecerá em uma exposição de fotografia que estará em cartaz no CCJF, escolhida aleatoriamente como cenário, seguindo a instrução dada pelo autor do texto de que exposição não deveria ter relação prévia com a peça.

Sobre os espetáculos

Em “Matamoros”, a autora não apresenta personagens propriamente dramáticos e os acontecimentos não se dão de maneira linear. Suas figuras parecem habitar outro mundo que não este e tangem aspectos tidos como “tabus” em nossa sociedade, tais como incesto, sexualidade, fé, etc. Matamoros é uma menina que desde cedo descobre os prazeres do corpo, descobre o gozo, descobre o amor, mas também se depara com profundos mistérios que não consegue revelar. Um homem surge em uma tarde e Matamoros passa a dividir o amor dele com sua mãe, Haiága.

“Se na volúpia me fiz na meninice, nem na adolescência descansava, teria sido melhor perecer do que levar às costas este mundo manchado de lembranças, teria sido graça não conhecer aquele que me fez conhecer, e de minha mãe Haiága, fez a desgraça.” (trecho de “Matamoros”)

Na cena as atrizes evocam as vozes das personagens de maneira alternada, na medida em que o vídeo toma o espaço e os corpos (físico e virtual) criam sentidos em consonância com música e luz, assumindo a instalação como força motriz do acontecimento cênico. Assim que este termina, o espaço permanece e as temporalidades se confundem, transbordando os sentidos da(s) obra(s).

O texto “Inglaterra – versão brasileira” conta com o ineditismo no Brasil. A atualidade do tema - questões relacionadas a transplante de órgãos e trâmites internacionais desta transação, falando dos abismos culturais e a forte hierarquia econômica entre países do primeiro e terceiro mundo - mostra a extrema relevância da montagem. No texto um homem trabalha em um museu como guia de exposição. Através de sua visita guiada o público tem conhecimento da sua história. Ele é homossexual e tem um namorado colecionador e comerciante de arte bem sucedido. Ele descobre que tem um grave problema no coração e por causa de seu rico namorado, consegue uma doação de um órgão de um homem paquistanês, possibilitando assim sua sobrevivência.

“É uma visita guiada ao fim do mundo”, afirma Tim Crouch.

Depois do transplante ele encontra a viúva de seu doador e descobre que se não fosse o livre comércio internacional de órgãos humanos e a desumana relação comercial ele não estaria ali, vivo. Um conto sobre transações, traduções de cultura e comércio, discutindo o transplante de órgãos e as relações internacionais se opondo às relações humanas.  Nas palavras do autor, “É uma visita guiada ao fim do mundo”.  Tal texto é inédito no Brasil e foi encenado pela primeira vez em 2007 na Fruitmarket Gallery em Endimburgo onde estava acontecendo uma exposição do artista Alex Hartley.

Inglaterra – versão brasileira. Texto: Tim Crouch | Direção e Tradução: Bel Garcia
Matamoros: De Hilda Hist | Direção: Bel Garcia
Adaptação do Texto: Bel Garcia, Luciana Fróes e Maíra Gerstner

INFORMAÇÕES
Data(s): "Matamoros": 20 de junho a 22 de julho de 2012
Horário de visita para a instalação de "Matamoros": terça a domingo, das 12h às 19h
Classificação etária: 16 anos
Gênero: performance poética
"Inglaterra – versão brasileira": 25 de julho a 26 de agosto 2012
Classificação etária: livre | Gênero: drama
Preço(s): R$30,00 (inteira)

LOCAL - Centro Cultural Justiça Federal (Capacidade: 30 pessoas)
Av. Rio Branco, 241 – Centro - Informações: (21) 3261-2550

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