Teatro - São Paulo

TEATRO - SÃO PAULO

"PISCINA (SEM ÁGUA)"

"PISCINA (SEM ÁGUA)"

Foto: divulgação

Teatro Cultura Inglesa

Por Flavia Fusco

"PISCINA (SEM ÁGUA)"

07 de Agosto a 12 de setembro de 2010

Uma artista plástica bem-sucedida convida seus amigos - todos artistas alternativos - para uma festa em sua nova mansão. No auge da celebração, ela sofre um acidente, entra em coma e desperta em seus convidados a ideia de transformar seu corpo em obra de arte. Este é o ponto de partida de "Piscina (sem água)" que estréia dia 7 de agosto Teatro Cultura Inglesa- Pinheiros.

Com uma fluidez hipnótica, o espetáculo questiona os limites da arte, o vazio da sociedade consumista e a fragilidade das relações humanas, corroídas pela inveja e o ressentimento. Calcada em uma narrativa clara e coesa, a peça tem uma estrutura radicalmente livre: não há personagens fixos e as falas podem ser ditas por qualquer um deles.

A diretora Felícia Johansson empresta à montagem uma concepção extremamente plástica e coreográfica. Em cena, os atores vão movimentar painéis que, ora funcionam como biombos para velar os procedimentos médicos, ora delimitam os espaços citados no texto - o hospital, a mansão e a piscina. Sobre esses painéis serão projetadas fotos e imagens, captadas pelos personagens no processo de transformar o corpo da anfitriã e seu sofrimento em arte. Com uma simples mudança de luz, eles vão revelar o que há por trás de tudo: a sombra de cada participante da trama. No elenco: Ester Laccava, Einat Falbel, Renato Caldas e William Amaral.

O texto é assinado por Mark Ravenhill, um dos mais importantes dramaturgos da cena contemporânea internacional, autor de "Shopping and Fucking". "Piscina (sem água)" ganhou primeira montagem em 2006 pelo grupo Frantic Assembly at The Drum, em Plymouth, a sudoeste de Londres.

Texto: Mark Ravenhill direção: Felícia Johansson
Elenco: Ester Laccava, Einat Falbel, Renato Caldas e William Amaral

Local: Teatro Cultura Inglesa - Pinheiros (173 lugares )
Endereço: Rua Deputado Lacerda Franco, 333. Telefone: 3814.0100
Horário(s): Sábados às 21h e Domingos às 18h
Data(s):
07 de Agosto a 12 de setembro de 2010
Ingressos: R$ 30,00 (inteira)
Bilheteria: De quarta a sexta das 14h00 ás 20h00; Sábados e domingos das 14h00 até
inicio do espetáculo.
Classificação: 14 anos | Duração: 75 Minutos
Internet: www.ingresso.com Ou pelo telefone (11) 2122-4001
Site www.culturainglesasp.com.br/festival
Acesso para deficientes físicos, ar-condicionado e estacionamento (R$10,00 o período)

ESPETÁCULO

Coincidentemente, “Piscina (sem água)” foi apresentada pela primeira vez no Reino Unido em 2006 - dez anos após a estréia de “Shopping and Fucking”, peça encenada em mais de 40 países que alçou Mark Ravenhill ao sucesso e ao patamar de jovens dramaturgos britânicos como Sarah Kane, Patrick Marber e Joe Penhall. Na visão do crítico inglês Aleks Siers, esta nova geração criou o “in-yer-face-theatre”, um tipo de teatro “que agarra o público pelo pescoço e o abana até que ele entenda a mensagem”. Com imagens contundentes e uma linguagem cortante, essa corrente dramatúrgica seria um reflexo da Era Thatcher, do neo-liberalismo e do capitalismo selvagem.

Na análise do Guia Britânico de Teatro, “Piscina (sem água)” é uma obra visceral que “amplia as fronteiras do teatro com autoridade e imaginação”. Tal ousadia pode ser atribuída ao fato de a concepção original do espetáculo ter vislumbrado uma montagem pelo grupo de teatro físico Frantic Assembly.

Após assistir a encenação desta companhia em Londres, Felícia Johansson apresenta uma proposta de direção que privilegia o drama de consciência vivenciado pelos personagens ao longo da trama. Ao usar painéis para projetar fotografias e vídeos da anfitriã machucada, a peça mostra como os amigos se deliciam e se culpam por fotografar e expor o que está por trás dos biombos do hospital.

Juntamente com os painéis, a boia traduz tanto o prazer e a liberdade da piscina, quanto a dor e a prisão das camas de hospital. Assim como as telas, a boia tem transparência e leveza necessária para refletir as projeções, os sonhos e as sombras dos personagens, evocando a superficialidade e o peso de suas consciências. Todos esses elementos traduzem essa piscina (sem água) como um símbolo de status, totalmente esvaziado
de sentido.

Cris Fusco / Flavia Fusco www.flaviafusco.com.br