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COLUNA DO LEITOR

Por que meus pais não me entendem?

Por João Pedro Roriz - 27/07/2011

Ser pai ou mãe não é fácil. Se pararmos para pensar, pai e mãe são "profissionais" com carga horária integral e quase exclusiva, que não recebem salários e não possuem quaisquer perspectivas de retorno das aplicações investidas (tempo, dinheiro e cabelos). E para dificultar ainda mais as coisas, filho algum vem com manual de instrução – a cada parto, uma novidade diferente; a cada geração, um choque cultural.

Quando somos crianças, veneramos os adultos, pois são os nossos líderes naturais: a eles devemos obediência e deles dependemos. Pai e mãe são os adultos responsáveis pela educação e segurança de seus filhos e portanto, são as pessoas que dão as primeiras lições de convivência e cidadania às crianças. E pai e mãe falham… são seres humanos passíveis de erros e acertos, de escolhas e desencontros.

Na adolescência, experimentamos pequenas doses de liberdade… algumas nem sempre agradáveis: nossos pais deixam de ser protetores de tempo integral e passam a exigir de seus teens posturas mais responsáveis. Nesse momento da vida, o adolescente passa por uma crise interior mais complexa e tempestuosa do que o conflito entre judeus e palestinos no Oriente Médio. Você ouvirá de sua mãe:

- Arruma a cama, você já tem quinze anos!

Você arrumará a cama e logo em seguida, com muito decoro e simpatia, perguntará para sua querida mãezinha se existe algum problema de ir á festa do Cachorrão – aquele seu amigo mais velho que se gaba por ter repetido o primeiro ano do ensino médio três vezes – e se haveria algum empecilho de retornar “cedo” – lá pelo nascer do sol. Nesse momento, você certamente ouvirá:

- Claro que não, você só tem quinze anos!

É duro né? Ser criança para algumas coisas e adulto para outras dá uma canseira… Ossos do ofício! Mas se pudermos fazer um raio x psicológico desses conflitos, veremos que cada um nessa história está desempenhando muito bem o seu papel e que esse tipo de circunstância é natural e até mesmo saudável.

Os pais têm a obrigação de impor limites para, com isso, oportunizar bem estar e segurança aos seus filhos. O grau de rigidez desses pais estará de acordo com sua filosofia educacional e formação ideológica; sua educação, religião e cultura – por isso, às vezes você poderá se ver impedido de fazer coisas que seus amigos fazem, afinal nem todo mundo pensa da mesma forma (graças a Deus!).

O adolescente, por sua vez, será obrigado a viver de acordo com as regras impostas pelos pais. Ele fatalmente testará esses limites em algum momento, pois inconscientemente desejará saber se são seguros; e assim acontecem os chamados “conflitos de interesse”.

Para que esses conflitos sejam diminutos (ou seja, breves) e menos dolorosos, é obrigação dos pais, explicar o motivo de suas decisões. Dizer “não” apenas e ir embora pode ser muito frustrante e revoltante para o adolescente, pois passa uma sensação de insegurança e injustiça.

- É claro que você não pode ir para a festa do Cachorrão. Ele é muito mais velho do que você, tem amigos mais velhos com hábitos que estão além dos seus, pois você só tem quinze anos. Outras festas certamente acontecerão e poderemos analisar juntos quais delas você poderá ou não participar.

Nesse momento, o adolescente também tem uma obrigação: evitar uma cena de tragédia grega… Dançar xaxado na sala, esfregar a cara na parede, se debulhar em lágrima no travesseiro, ameaçar se atirar da janela do primeiro andar sobre um pilha de colchões que estão secando ao sol, ficar emburrado, xingar a mãe de bruxa não vai adiantar absolutamente NADA. Se você acredita que está com a razão e que seus pais estão errados (isto pode sim acontecer), vale a pena argumentar com calma:

- Mãe, o Cachorrão tem esse nome, mas não é esse pit-bul que a senhora pensa que ele é… tá mais pra “totó da titia”. Todos os meus amigos irão, pois na verdade NÓS somos os amigos “mais velhos” dele… pô, o cara ainda canta “parabéns pra você nessa data querida”, com direito a bolo, chapeuzinho de papel e tudo o mais…

Caso a resposta seja negativa e seus argumentos não tragam o resultado esperado, é melhor recolher o trem de pouso, colocar a viola no saco e se conformar, pois isso contará ponto para você. Ao concordar com seus pais, você ganhará a confiança deles e isso fará com que te escutem em outras ocasiões. É difícil, mas vale a pena tentar. E uma vez que você conquistar essa confiança, não pise na bola, pois confiança de pai e mãe é algo valiosíssimo.

- Tá bom, eu deixo você ir à festa do Cachorrão. Mas quero que você me ligue às oito para dizer se está tudo bem e volte no máximo às onze horas da noite. Entendido?

Ponto pra você! Agora não ultrapasse os limites impostos: se eles mandarem voltar às onze horas da noite, chegue antes do horário combinado. Certamente sua mãe estará te esperando no sofá da sala com um bafômetro na mão, pois te ama muito e se preocupa com você. Acredite em mim: quando você estiver mais velho, sentirá muita falta dessa proteção que hoje chama de “incompreensão”.

Para terminar esse artigo, deixo aqui um texto de uma campanha que vi na Internet e que achei muito linda e verdadeira:

3 anos: mãe eu te amo
11 anos: mãe não me enche
16 anos: minha mãe é tão chata
18 anos: eu quero sair de casa
25 anos: mãe você tinha razão
30 anos: quero voltar para casa da minha mãe
50 anos: eu não quero perder a minha mãe
70 anos: eu abriria mão de qualquer coisa para ter minha mãe aqui comigo.

CAMPANHA: dê valor a sua mãe.

João Pedro Roriz é escritor, jornalista e ator. Autor de diversos livros infanto-juvenis e paradidáticos, realiza palestras em todo o País para estudantes e professores. Saiba mais em www.joaopedrororiz.com.br