Teatro - Rio

TEATRO - RIO JANEIRO

Projeto Puente

Foto: divulgação (O castelo de Holstebro)

Teatro Poeira - Botafogo

Por Ney Motta

Projeto Puente promove encontro de Eugenio Barba e Aderbal Freire-Filho no
Teatro Poeira

29 a 02 de dezembro 2010

Realizado desde 2006, pelo Teatro Poeira, com patrocínio da Petrobras, o Projeto Puente traz ao Rio de Janeiro o mestre da Antropologia Teatral e fundador do Odin Teatret, o diretor Eugenio Barba para o Seminário Cruzamento de Dramaturgias, que dividirá com Aderbal Freire-Filho entre os dias 30 de novembro e 2 de dezembro no Teatro Poeira. Antes, na noite de 29 de novembro, a atriz inglesa Julia Varley apresenta ao público a peça “O castelo de Holstebro” que integra o repertório do Odin Teatret.

Cruzamento de Dramaturgias: Eugenio BARBA x ADERBAL Freire-Filho

Um dos fundamentos da cultura material dos teatros é sem dúvida a rivalidade e a competição entre artistas. Mas, igualmente e ainda mais vital, é o sentimento de pertencer a uma mesma profissão, a uma mesma condição, a uma pátria ideal comum.

Quando dois artistas – diferentes em idade, experiências, propensões criativas e contextos – tem a força de mostrar abertamente a parte do trabalho que em geral permanece secreta; se mostrarem indefesos um ao lado do outro e conseguem não se incomodar com a ânsia de confrontos; se a distância recíproca entre eles não se corrompe pela incompreensão e pelo atrito, o teatro então revela uma de suas faces mais raras e fecundas.

O Seminário Cruzamento de Dramaturgias é baseado no confronto entre dois modos de viver e elaborar o artesanato teatral. Pode ser que por trás da concretude das práticas possa resplandecer o valor e o sentido do oficio. Acontece às vezes, de fato, que o trabalho teatral imprevistamente se revela um artesanato de sonhos com olhos abertos.

Eugenio Barba trabalhará com a atriz Julia Varley em um espetáculo com o título “Minha filha Maria”, inspirado na figura da atriz chilena Maria Cánepa. O texto do espetáculo será elaborado pelo diretor e pela atriz durante o processo de trabalho.

Aderbal Freire-Filho trabalhará com os atores Raquel Iantas, Candido Damm, Gillray Coutinho e Isio Ghelman em um quase-espetáculo com o título “A terceira margem do ator”, explorando os caminhos percorridos em seus romances-em-cena.

Ao longo do dia os dois diretores se alternam trabalhando cada um sobre um espetáculo diferente. Dois trabalhos distintos, mas não separados: Aderbal Freire-Filho será assistente de direção-dramaturgia de Eugenio Barba; depois trocam os papéis e Eugenio Barba colaborará como assistente de direção-dramaturgia de Aderbal Freire-Filho.

Os 50 participantes do seminário (selecionados por seus currículos) vão observar dois modos diversos de se orientar no trabalho criativo. Não dois métodos abstratamente definidos, mas duas personalidades, cada uma com suas experiências, suas luzes e sombras, cada uma das quais se aventura a realizar aquela mente coletiva que é o processo que dá vida ao espetáculo.

Ao fim de cada sessão de trabalho, se abrirá um fórum onde os participantes do seminário poderão discutir com os diretores e atores detalhes e horizontes das experiências práticas a que assistiram.

Projeto Puente

Quando Marieta Severo e Andréa Beltrão construíram o Poeira, queriam que além de uma casa de espetáculos ele fosse também um lugar de encontros de artistas de teatro, de discussões, trocas de experiências e debates. Com esta ideia pediram a Aderbal Freire-Filho para pensar com elas esse projeto, que deveria ter dois princípios: dar liberdade aos convidados para que decidissem os temas dos seus encontros teóricos e/ou práticos e criar uma estrutura fixa para abrigar esses encontros.

O Poeira não pretendia oferecer programas de escolas, como oficinas de interpretação, direção, dramaturgia ou cenografia. Mas sim convidar atores, diretores, cenógrafos, autores e outros criadores, para programas abertos em que escolhessem os temas que queriam abordar e como queriam abordar.

Daí, os dois projetos fundadores, a estrutura simples que abriga uma programação ampla e variada: Artista Residente e Artista Visitante. Com mais tempo, o projeto Artista Residente oferece ao convidado a oportunidade de desenvolver um trabalho em torno de um espetáculo que esteja querendo estudar/realizar, como aconteceu quando os artistas residentes foram Kike Diaz, Christiane Jatahy, Jefferson Miranda e Moacyr Chaves. Ou aprofundar pesquisas, como aconteceu com Amir Haddad, Hamilton Vaz Pereira, Ruy Guerra e Maria Borba. E no projeto Artista Visitante os artistas convidados desenvolvem programas mais pontuais, como aconteceu com Hélio Eichbauer, Adriana Falcão, Ana Kfoury, Kalma Murtinho, Analu Prestes entre outros.

Ao mesmo tempo o Poeira quis no momento da sua abertura, lançar um olhar sobre o conjunto do teatro brasileiro. Assim, ofereceu aos artistas cariocas a oportunidade de conhecer o que faziam no mesmo momento os artistas de outras cidades. Foi criado então o programa Ponte Aérea, que fez um panorama do teatro de norte a sul. Foram dez convidados, de muitos grupos, de distintas partes do país: Zé Celso, Antonio Araújo e Cacá Carvalho, de São Paulo; Chico Pelúcio, do Galpão, de BH; Márcio Meirelles, de Salvador; Luiz Paulo Vasconcelos, do Piolim, de João Pessoa; Paulo Flores, de Porto Alegre; Luis Mello, do Act, de Curitiba; Antonio Nóbrega, de Pernambuco; Carlos Simioni, do Lume, de Campinas.

O Ponte Aérea foi o trampolim para o Projeto Puente. Depois de mostrar a diversidade do teatro brasileiro, o Poeira quis trazer ao Rio artistas de outros países para falar de suas experiências e práticas, em alguns casos trazendo inclusive espetáculos. Daí o nome Puente, uma extensão do Ponte Aérea, o Poeira voando para distância maiores. No começo, a ideia era um primeiro contato com o teatro ibero-americano. Mas já foram ultrapassadas essas fronteiras. Marco Antonio de La Parra, do Chile; José Sanchis Sinisterra, da Espanha; Teresina Bueno, do México; Tadashi Endo, diretor do Mamu-Butoh Center; Eduardo Pavlovsky, da Argentina; Ludwig Flaszen, da Polonia, criador com Grotowski, do Teatro Laboratório; José Manuel Castanheira, de Portugal; Hector Manuel Vidal, do Uruguai; Mario Vedoya, da Argentina; são alguns dos nomes que participaram deste projeto. E agora, em novembro-dezembro deste ano receberemos o italiano Eugenio Barba. Para 2011 os nomes ainda estão sendo definidos.

PROGRAMAÇÃO

DIA 29/11, SEGUNDA-FEIRA
Apresentação da peça “O castelo de Holstebro”

Sinopse: O espetáculo se move na paisagem mutável e repetitiva do tempo, para perder-se num labirinto de personagens e situações em busca de memórias perdidas. O Castelo de Holstebro é um castelo fantasma habitado por produtos da imaginação. Um castelo invisível, que o espetáculo traz à vida através de um processo teatral que segue o caminho de "fluxos de consciência", utilizado na literatura. O Castelo de Holstebro é o mundo que se torna um sonho e o sonho que se torna um mundo. Dentro de suas muralhas uma jovem e seu eterno companheiro estabelecem um diálogo da mesma forma que pensamentos se aventuram na lógica oposta da experiência. Como a borboleta no estado de larva, uma mulher vestida de branco nasce de seu admirador irônico. Fala com ele e em seguida torna-se ele. Ele é seguro de si mesmo, cínico e cheio de vida. Ela vive na água, entre flores e ilusões. Ele é encantador, vivaz; muda dimensões de forma dramática; está interessado no espectador e é curioso. Ela é capaz de viver em um mundo de quimera, onde o amor sorri desde uma imaginação pura e brilhante.

Direção: Eugenio Barba
Interpretação: Julia Varley
Horário: 21h
Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia entrada)
Classificação indicativa: Livre
Duração: 50 minutos

DIA 30/11, TERÇA-FEIRA
Seminário Cruzamento de Dramaturgias (exclusivo aos participantes selecionados):
09:30h às 13h – Eugenio Barba ensaia com Julia Varley.
14:30h às 18h – Aderbal Freire-Filho ensaia com Raquel Iantas, Isio Ghelman, Candido Damm e Gillray Coutinho.
Demonstração de Trabalho (aberta ao público):
18:30h – Demonstração de “O eco do silencio” por Julia Varley.

Sinopse: O eco do silêncio é uma demonstração de trabalho que descreve as vicissitudes da voz de uma atriz e os estratagemas que ela cria para 'interpretar' um texto. A voz da atriz e o texto apresentado aos espectadores compõem a música de um espetáculo. No teatro, que aparentemente é livre dos códigos que conhecemos na música, a atriz precisa criar um labirinto de regras, referências e resistências para seguir ou não, de modo a atingir uma expressão pessoal e reconhecer sua própria voz. O eco do silêncio toca em alguns momentos desse processo permitindo à percepção do espectador deslizar através da disciplina técnica revelando a pessoa por traz do ator e o silêncio por traz da voz.

Ingressos: GRÁTIS, com distribuição de senhas a partir das 15h.
Classificação indicativa: Livre
Duração: 90 minutos

DIA 01/12, QUARTA-FEIRA
Seminário Cruzamento de Dramaturgias (exclusivo aos participantes selecionados):
09:30 às 13h – Eugenio Barba trabalha com Julia Varley
14:30h às 18h – Aderbal Freire ensaia com Raquel Iantas, Isio Ghelman, Candido Damm e Gillray Coutinho
Demonstração de Trabalho (aberta ao público):
18:30h – Demonstração de “O irmão morto” por Julia Varley.

Sinopse: O irmão morto é uma demonstração sobre como os espetáculos são feitos no Odin Teatret. Descreve os estágios do trabalho, que partindo de um texto poético conduzem à 'poesia no espaço': o espetáculo. Apresenta os diferentes estágios do processo em que texto, atriz e diretor interagem. Mostra os primeiros passos de como a atriz cria sua própria presença de palco até o último passo em que o texto, através da forma e precisão das ações, adquire ritmos e densidade de sentido. As energias do espectador podem dançar, mental e sensorialmente. O criador não reconhecido no teatro é o espectador. O irmão morto é uma demonstração de trabalho onde o 'milagre da água fresca' é explicado com uma sucessão de fórmulas químicas e então apresentado no momento em que os elementos não podem mais ser separados e explicados, mas somente vivenciados.

Ingressos: GRÁTIS, com distribuição de senhas a partir das 15h.
Classificação indicativa: Livre
Duração: 60 minutos

DIA 02/12, QUINTA-FEIRA
Seminário Cruzamento de Dramaturgias (exclusivo aos participantes selecionados):
09:30h às 13h – Eugenio Barba ensaia com Julia Varley
14:30h às 18h – Aderbal Freire ensaia com Raquel Iantas, Isio Ghelman, Candido Damm e Gillray Coutinho
Demonstração de Trabalho (aberta ao público):
18:30h – Demonstração de “O tapete voador” por Julia Varley.

Sinopse: O texto é um tapete que deveria voar para longe: com esta frase se inicia a demonstração de fragmentos de textos pertencentes aos espetáculos que a atriz Julia Varley tem desempenhado ao longo de seus 30 anos, com o Odin Teatret. E algumas explicações essenciais acompanham o trabalho vocal que ilustra a passagem das palavras escritas no espaço, da frieza do papel a liberdade da interpretação.

Ingressos: GRÁTIS, com distribuição de senhas a partir das 15h.
Classificação indicativa: Livre
Duração: 60 minutos

Teatro Poeira (126 lugares). Rua São João Batista 104, Botafogo. Tel. 2537-8053
Funcionamento da bilheteria: 3ª a sábado de 15h às 21h e domingo de 15h às 19h
Inscrições para o Seminário: www.teatropoeira.com.br

Assessoria de imprensa Ney Motta
ArteContemporânea comunicação

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