

Por Thais Gimenez
bjetivo Esperando Godot Resgatar a consciência de que a intervenção é a atitude mais adequada, para a concretização do querer, por meio, da perplexidade, diante da esterilidade da espera. O Paradoxo da Inação por meio do Movimento
“Para fazer mudanças significativas é preciso, antes de tudo, demonstrar, na prática, a obsolescência do que necessita ser mudado.“
Ruth Scaff
Conselheira do Projeto Fletir
Esperando Godot é um dos textos teatrais mais instigantes e perturbadores já escritos. Porém, o mote, aparentemente banal e bobo, provou, ao longo das décadas, ser genial.
Todos querem, imediatamente, saber quem é Godot. Para essa elementar pergunta, muitas respostas e nenhuma certeza. Muitos supõem que a peça trata do desespero do homem diante da morte anunciada; outros lhe conferem um caráter religioso, no qual os personagens estão, na verdade, à espera de uma divindade que virá salvá-los – Godot seria uma corruptela da palavra God (Deus em Inglês).
Nada, ou quase nada, de surpreendente acontece durante toda a trama – se é que existe trama. Ninguém é avisado de quem seja o Sr. Godot! Nem mesmo Vladimir e Estragon, personagens principais, sabem, ao certo , quem é o tal visitante, mas o esperam com empenho. Assim, Esperando Godot é uma peça que provoca. O espectador fica inquieto. Sente-se instigado, mexe-se na cadeira, impaciente para ver se alguma coisa “acontece”. Nada muda, nada vai acontecer. A condição humana é que está em questão.
Intitulado criador do Teatro do Absurdo, ao lado de nomes como Eugene Ionesco e Jean-Paul Sartre, Beckett propôs uma radical mudança nas artes cênicas da época.
O paradoxo da inação por meio do movimentoO espetáculo é uma Livre adaptação de Esperando Godot (1948-49), do dramaturgo Samuel Beckett, levada à cena em releitura, por meio da dança contemporânea, o espetáculo cria, intencionalmente, vazios para consubstanciar a espera. O colapso da coreografia abre espaços e intensifica a dramaticidade da cena. Esse ritmo faz com que a dança se projete em todos os elementos cênicos, transformando iluminação, cenografia, figurino e trilha sonora, também, em bailarinos.
Utiliza a intensidade, a redundância, a pressão e a sensação de cansaço, como forma de obter o desconforto primordial, que instala o clima e o espelho que induzem à reflexão.
A Cia. traz à cena uma leitura da obra nos tempos atuais. Enquanto a preocupação de Beckett nos anos 50, pós-guerra, era a ruptura com a dependência à vontade política, hoje, a ruptura necessária deve se dar consigo mesmo; a ação consciente e não subordinada à ação do sistema, que nem se sabe o que é! Continuamos à espera de que o sistema, Deus, e sabe-se lá mais quem , irá resolver. Ao longo de uma hora de espetáculo, o público é mexido, chacoalhado e apresentado a essa situação. Sair igual como entrou, não irá, de forma alguma.
Mas quem é Godot?
Intitulado criador do Teatro do Absurdo, ao lado de nomes como Eugene Ionesco e Jean-Paul Sartre, Beckett propôs uma radical mudança nas artes cênicas da época. As montagens de suas peças, em que o texto tem grande peso, representaram uma verdadeira ruptura com o teatro vigente. Os textos curtos, as frases rápidas, os personagens monologantes e os diálogos terminados quase sempre com reticências, de maneira incompleta, faziam, de sua literatura, algo novo. Perfeita sinergia entre a forma e a idéia.
Samuel Beckett
Samuel Beckett, o criador da farsa metafísica
Morto há dez anos, o autor irlandês iniciou sua obra teatral com a peça “Esperando Godot”, na qual os clochards Vladimir e Estragon representam o homem eternamente à espera
Célia Berretini / O Estado de São Paulo
Célia Berretini - é professora titular aposentada da USP. Autora entre outros, do livro A Linguagem de Beckett (Ed. Perspectiva)
Teatro Coletivo | Rua da Consolação, 1623 Telefone: 3255 5922 Espetáculo "Esperando Godot" 05 de dezembro às 21h 06 de dezembro às 21h 18 de dezembro às 21h Ingressos: R$ 30,00 R$ 15,00 antecipado
Teatro Coletivo | Rua da Consolação, 1623
Telefone: 3255 5922
Espetáculo "Esperando Godot"
05 de dezembro às 21h
06 de dezembro às 21h
18 de dezembro às 21h
Ingressos: R$ 30,00 R$ 15,00 antecipado
O Projeto Fletir tem como objetivo facilitar, pela arte do movimento, a evolução comportamental e suas relações, estimulando-os assim, de uma forma diferente.
Uma trajetória de dez anos proporcionou aos criadores da Fletir, ferramentas essenciais, para criar um novo olhar sobre a humanidade e possibilitar uma intervenção construtiva e solidária, que possa ser demonstrada pelo gesto da participação.
A Dança Contemporânea incorpora esse processo, mas sua função não é a estrutura, e sim, a ruptura, a explosão do movimento que desafia as probabilidades, desmonta o convencional, desmaterializa o estabelecido e abre os caminhos para a reconstrução. A partir de um espaço novo, em que a estrutura está ausente e, que, portanto, tudo é possível:
A dança do impossível é a mesma dança das possibilidades.”
Tasso Scaff
Conselheiro do Projeto Fletir
O Bailarino é um Atleta ou um Artista? Quanto Atleta e quanto Artista ele é? Possibilitar as condições de evitar lesões, de propiciar uma melhor performance desses Bailarinos / Atletas e, conseqüentemente, minimizar as seqüelas que poderão se instalar no futuro, neste ser humano, é um dos objetivos práticos da Fletir.
O elemento em comum, que o esporte competitivo e a dança compartilham, é a exigência e demanda de treinamento físico, na intenção de alcançar o máximo. O Bailarino, portanto, é um “atleta-artista” ou “artista-atleta”, que deve representar artisticamente, com atenção ao compromisso estético, ao mesmo tempo em que executa os movimentos, com vigor e precisão atlética. O desejo dos atletas- no caso bailarinos- em alcançar sua meta ou a do grupo, pode resultar no trabalho, em condições de extrema exigência, funcionando muitas vezes além do limite físico e até mesmo mental, o que eleva o risco de lesões.
Pesquisas na Medicina do Esporte mostraram que as demandas do profissional da dança são tão grandes quanto às de um atleta de elite. Só o futebol americano se mostrou mais exigente do que o Dança.
A dança é vista também como uma “empresa” que possui setores rentáveis e custos que podem resultar em gastos excessivos. A lesão, sempre um fantasma que assombra a vida de bailarinos e coreógrafos, é motivo de interesse e atenção, não somente dos médicos, mas também de empresários e dirigentes, o que sugere e viabiliza estudos e investimentos. Nosso trabalho e objetivo visam a prevenção, diagnóstico e cura das lesões desses profissionais, procurando responder à necessidade de cuidados da classe.
“Que responsabilidade incrível para um corpo humano... aqui está um instrumento físico, forçado a se expandir e a transcender qualquer conceito de habilidade... é um artista fazendo seu trabalho e está de mãos dadas com a glória da realização e o pavor de ficar fora de forma...”