

Por André Romano
O musical Festa Selvagem na Era do Jazz, baseado no poema "cult" The Wild Party de Joseph Moncure March, de 1928, que no início desta década ganhou duas montagens distintas em Nova Iorque (uma na Broadway e outra na Off-Broadway). O musical tem direção artística e dramaturgia de Paulo Afonso de Lima, cujo último trabalho foi Tango, Bolero e Chá-chá-chá (em cartaz), e direção de produção de Ronaldo Dal’Bianco, também compositor das músicas, e Jerônimo Menezes.
A decadência dos Estados Unidos às vésperas da Grande Depressão é o pano de fundo da narrativa de Festa Selvagem na Era do Jazz. A primeira edição da obra original foi recolhida das livrarias e banida de todas as bibliotecas, devido ao perfil comportamental dos personagens e à decadência dos valores norte-americanos impiedosamente retratados.
Somente após a Segunda Guerra, o poema de March foi reconhecido por toda uma intelectualidade americana e se tornou objeto de estudo indispensável à compreensão da sociedade da época. O palco do teatro de vaudeville, gênero de entretenimento popular americano e que, naquela época, começava a ser contaminado pelas "licenças estéticas" do teatro chamado burlesco (um equivalente do nosso Teatro de Revistas) serve de moldura, ao som do "Ragtime" e do "Quickstep", à exposição de tipos distintos e bizarros, de diversas classes sociais.
Mas o que retratou de fato Joseph M. March em sua controvertida obra? Os protagonistas são Queenie, uma dançarina de terceira, e Burrs, um cômico fracassado – casal sem prestígio em sua profissão e que desfruta de uma vida monótona, interrompida apenas pelos rotineiros momentos de agressão conjugal. Num domingo, dia em que os teatros não funcionam nos Estados Unidos (a maioria das casas de espetáculos americanas até hoje segue esta tradição), mais uma briga costumeira do casal permeia o imundo apartamento onde vivem. A tranqüilidade daquela manhã é interrompida por brigas e discussões e até uma tentativa de homicídio. Para tentar consertar seu relacionamento com Burrs e comemorar uma possível reconciliação, Queenie tem a idéia de fazer uma festa.
A iniciativa fracassa, imersa num ambiente povoado de tipos animalescos e amorais, salvo uma exceção entre os convidados: Nadine, uma jovem de 14 anos, irmã mais jovem de Mae, uma das convidadas. A presença de Emannuel Goldberg, empresário de prestígio na Broadway, estimula o exibicionismo exacerbado dos outros artistas presentes. O clímax da festa, a esta altura recheada de vulgaridades, se dá com a chegada de Kate, melhor amiga de Queenie, e Black, seu novo namorado. Então, o álcool se torna o combustível de atos absurdamente inconseqüentes e irreversíveis.
March, assim, profetiza - um ano antes - o impacto provocado pelas conseqüências da queda da Bolsa de Nova Iorque em 1929, quando os Estados Unidos mergulharam num mar inescrupuloso de crimes e miséria. Talvez esse seu "Wild Party" seja o símbolo da última festa de um período que se estendeu por muito tempo. "The Wild Party", além dos musicais norte-americanos mencionados, serviu de inspiração para outras obras como o filme de James Ivory com o mesmo título, além de peças jazzísticas e espetáculos de dança.
Dramaturgia e direção: Paulo Afonso de Lima
Elenco: Ronaldo Dal'Bianco, Simone Rosa, Daniela Schmitz e outros.
Local: Teatro Ipanema (245 lugares).
Endereço: Rua Prudente de Moraes,824. Ipanema. Tel. 2523-9794
Horário(s): Sexta e sábado, às 21h30h; domingo, às 20h30
Preço(s): sexta R$ 50,00 (inteira) - R$ 25,00 (meia) sábado R$ 60,00 (inteira) - R$ 30,00 (meia) domingos R$ 60,00 (inteira) - 30,00 (meia).
Temporada (s): 23 de julho a 29 de agosto de 2010
Classificação: 16 anos
Duração: 90 Minutos
Vendas online: www.ingresso.com

Por Walter lins / Cia. de Teatro Encena
A nova comédia do autor e jornalista Gilberto Amendola tem como tema o universo de uma montagem teatral onde absolutamente tudo dá errado. Conforme define seu diretor é “uma comédia sobre a montagem de um drama”. Décima quarta montagem da Cia Encena, a peça, dirigida por Orias Elias, traz em seu elenco três atores-fundadores da Cia.
O que acontece quando o imponderável decide "derrubar" uma peça de teatro? Como seria uma noite de estréia em que tudo (mas tudo mesmo) dá errado e se transforma em um gigantesco desastre? O que acontece antes e depois de um espetáculo? Como são os ensaios? E quando o pano cai? O que acontece no camarim?
A peça se propõe levar a público o que move atores nessa luta árdua que é montar, na raça, uma peça de teatro nos dias de hoje. E isso desde o momento em que se escolhe um texto até a sua noite de estréia.
"A Peça" mostra, em três movimentos, o antes, o durante e o depois de uma produção teatral.
No primeiro ato, três atores (Pablo Garcia, Tony Torres e Ricardo Cruz) reúnem-se para discutir a realização de um espetáculo. Será a primeira vez que eles irão discutir o texto e tratar da montagem. Claro que esse é um encontro disperso; os atores acabam falando de tudo (vida, trabalho, amores, frustrações) e têm grande dificuldade em se concentrar na primeira leitura. Neste ato, descobrimos que "a peça" se passa na idade média e que irá mostrar três homens totalmente diferentes, isolados do mundo, tendo em comum serem vítimas de uma mesma tragédia.
No segundo ato, o público é atirado para dentro da noite de estréia, mais especificamente para os momentos finais “da peça”, a partir do momento em que tudo começa a dar errado. Algo muito grave aconteceu, os atores estão dispersos, esquecendo falas, fazendo improvisos descabidos e até ameaçando abandonar a peça. Como corolário, problemas técnicos se acumulam e a platéia começa a abandonar o teatro. O que aconteceu para “a peça” desandar?
A resposta está no terceiro ato. É lá que o público vai descobrir que "diabos aconteceu” com o espetáculo: uma chocante descoberta envolvendo seus atores.
Com humor ácido e ferino, em ritmo ágil e grandiloqüente, "A Peça" é para rir e se emocionar com a aventura improvável que é fazer teatro!
Elenco
No elenco estão três atores da companhia Encena, juntos desde sua formação há 13 anos, em 14 montagens (Walter Lins, Orias Elias e Claudio Bovo).
ESTREIA 30 DE JULHO DE 2010
Local: Teatro Augusta - Sala Experimental (55 lugares)
Endereço: Rua Augusta, 943 – Cerqueira César. Telefone: 3151-4141.
Horário(s): Sextas, às 21h30; Sábados, às 21h e Domingos, às 19h.
Preço(s): R$ 30,00 (inteira)
Classificação: 14 anos | Duração: 55 minutos
Temporada: até 26 de Setembro de 2010.
Possui acesso para deficientes.
Venda de Ingressos: www.ingressorapido.com.br
Contato: Cia Encena e-mail: encena@encena.art.br